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Tower of Writing

you will never guess her secret...

Tower of Writing

you will never guess her secret...

1 {Mine}

 

 

When someone loves you, the way they talk about you is different. You feel safe and comfortable.

Jess C. Scott.

 

- Hey, gorgeous! - Lucy levantou os olhos deparando-se com o moreno, fechou o livro, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, continuou: - A Avril está cá.

- Eu sei...

- Porque não foste conhecê-la?

- Bom, estou no meu intervalo. Fui comprar mais café, e agora estou a relaxar com o meu cigarro.

Dean conhecia-a bem. Demasiado bem para saber que não ia fazer qualquer tipo de cena. - Queres tentar outra vez?

- Eu não quero conhecê-la. Ela é maluca. 

Sempre direta, como um furacão.

Com o nome na origem do latim, significando luz, Lucille Miller, mais conhecida por Lu ou Lucy e outras alcunhas que prefere desvalorizar. Tem os pés assentes na terra e encontra sempre soluções para tudo. É equilibrada e elegante.

- Não comeces...

- É verdade! Ela incendiou uma casa contigo lá dentro. 

- Tinha tomado comprimidos...

- Só falta passear de mão dada com a Estátua da Liberdade no Central Park - Ironizou. 

- Almoçamos todos hoje? - Lucy acenou a cabeça. - A Avril vai lá estar. Quer conhecer os meus amigos. 

- Fantástico - Ironia, outra vez. - Como é suposto me apresentares?

- O normal! A minha colega, provavelmente amiga, Lu.

Dean Holden passou parte da infância no Colorado, que deixou para trás quando teve a sua grande oportunidade na vida: ir viver para a Flórida. Anos mais tarde, a família juntou-se. É amante de surf e quase todos os desportos que impliquem esforço físico.

- Claro! Acrescenta então: amiga colorida e amante, por vezes. Hey, esta é a Lucy. 

Oh, claro, faltou dizer que Ironia era o seu nome do meio. 

O rapaz revirou os olhos. - Vou apenas omitir uma parte...

- As mulheres odeiam meias verdades, mas pode ser que a sorte esteja do teu lado. Afinal, aquela já é meia desequilibrada.

- Pára de ler ironias socráticas, parece-me que estás com...

A rapariga interrompeu, tirando Dean do sério. - Por acaso agora estou mais virada para paradoxos socráticos.

- É-me indiferente, a questão é... - Mais uma vez, não pode terminar. A rapariga levantou-se e pôr-se ao seu nível.

- Deixa-me dizer-te qual é a verdadeira questão. A Avril chegou ontem, após ter feito uma enorme viagem de avião. Aterrou e a única coisa que comeu foi a porcaria de uns nuggets. Sem ofensa, porque são terrificamente bons.

- Ela teve alguns problemas, não quer dizer que não esteja melhor agora. 

- Óbvio...

 

Não tinha paciência para mais uma discussão acerca da namorada. Namoravam há pouco mais de oito meses, quase há distancia. Na realidade, a relação dos dois nunca foi muito normal. Avril residia atualmente no Tennessee, onde estudava - fingia que estudava - economia. 

Raramente conversavam sobre Avril, mas tinha consciência da verdade e não podia fugir por muito mais tempo. Talvez já não estivesse - nunca esteve - apaixonado por Avril, mas isso não queria dizer que ia ter uma relação com Lucy, até porque não era isso que ela queria. 

Lovers, é o nome que dão.

A hora de almoço chegou e com ela o tão esperado encontro. O café já era o habitual assim como as ementas. Excepto para Avril que apenas pediu um rissol. Longe dos olhares e longe sentados, Lucille focou-se essencialmente em conversar com a amiga do curso, Ellen, ambas com uma enorme tosta mista. Na mesa do lado, mais dois amigos e, apenas na outra seguinte, Dean e Avril. Com poucas conversas rapidamente terminou. Pagaram e dispersaram.

 

A tarde ia longa. Foi produtiva para as duas amigas, mas Lucy encontrava-se cansada e precisava de uma pausa. De volta ao café, pediu, pois claro, o mais esperado. Foi à casa-de-banho e viu o seu reflexo no espelho. Sentiu os dedos tensos. Tirou os anéis para relaxar um pouco e o seu coração quase disparou quando viu Avril, atrás de si.

Só rezava para que não metesse conversa.

Tal não aconteceu. 

- Olá! Desculpa, não me recordo do teu nome.

- Não tem problema.

Felizmente.

- Então, como te chamas?

- Lucille.

- Prazer em conhecer-te, outra vez! - Riu-se. - Então, como conheceste o Dean?

Saíram as duas e Avril insistiu para que ficassem um pouco à conversa. Na mesa já se encontravam os pedidos de ambas. 

Suspirou.

- Bom, nós sempre tivemos amigos em comum...

Conhecemo-nos numa festa da fraternidade. Eu estava bêbeda.

Toda aquela felicidade forçada irritava-a.

O seus pensamentos foram interrompidos quando sentiu algo a tocar-lhe no braço. - É teu, certo? - Mostrou um pequeno anel que logo foi recebido.

- Sim - Agradeceu com desdém evitando olha-lo. Mas Avril estava curiosa.

- Quem é aquele? O teu namorado? 

- Oh, não... Eu deixei-me disso - Avril não ia desistir e, apesar de Lucy não querer revelar pormenores, achou que não havia problema em escapar algo, até mesmo para desviar atenções: - Nós costumávamos namorar, ele terminou tudo. 

Ele acabou comigo. Tentei lutar e dei com ele dormindo com a minha colega de quarto. Partiu-me o coração.

Óbvio que a outra lamentou agarrando-se à mão de Lucy, deixando-a pouco à vontade. 

- Ainda sentes algo por ele?

- Sim!

Não.

- Bom, tenho a certeza que ele voltará atrás - Esboçou outro sorriso e, brincando com os anéis da rapariga, continuou: - Caso contrário, terás de fazer a vida negra à criatura.

- O quê?

- Vocês têm uma história! E o único entrave à sua continuação é outra mulher, portanto... Não podes deitar tudo para trás sem, primeiro, dar luta. É o que eu vou fazer, também.

- Não posso acreditar! 

Não posso acreditar é que ainda aqui estou. 

- Eu amo-o, mas sei que ele ama outra.

- Isso é muito triste - Foi o único comentário que conseguiu proferir. 

- Ele é meu. Meu.

- Devias falar com ele, pode não ser o que parece...

- Deixa que te digue uma coisa. O amor é um jogo muito perigoso, Lucille. 

Pegou no seu café, no maço e na mala, levantando-se. - Bom, tenho mesmo de ir estudar! Adeus. - Apressou o passo até à saída. Ainda viu Avril levantar-lhe o braço com um enorme sorriso, que não retribuiu.

Já dentro do carro, respirou fundo e conduziu, evitando pensar no significado daquela conversa. Talvez não fosse diretamente para ela. Talvez Dean andasse enrolado com outra mulher. Mas não acreditava.

Por outro lado, estava confirmado, Avril é o seu oposto.

As memórias surgiam na cabeça. Quando estava com Dean, perdia a noção do tempo. Totalmente.

O sol já se tinha posto. Parou uns metros à frente e foi às mensagens do telemóvel. "Ela sabe", escreveu enquanto terminava o café. Enviou para Dean momentos a seguir. Depois, voltou para a estrada.

Lucille era a outra. A amante. A divertida. A "quebra rotinas".

 

Interessadas pela continuação?

Boa semana para todas 🏊 

 

um beijinho,

Annie 

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