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Tower of Writing

you will never guess her secret...

Tower of Writing

you will never guess her secret...

2 {Mine}

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“If I had a flower for every time I thought of you...I could walk through my garden forever.”

Alfred Lord Tennyson

 

- Boa noite! Uma rapariga entrou aqui há cerca de uma hora atrás... Sofreu um acidente... Chama-se Lucille Miller... - A enfermeira não levantou sequer a cabeça do ecrã do computador, o que irritou Dean. - Posso vê-la?

- É familiar? Não me parece, portanto, não.

Dean fulminou a profissional devido à sua total arrogância, mas tinha um trunfo na manga. Retirou da sua carteira a sua identificação pessoal e colocou-a em cima da bancada. - Chamo-me Dean Holden, o meu pai é Matheus Holden. Ele é médico de neurologia, pode dizer-me se ele se encontra em cirugia?

A enfermeira ficou preplexa. Tinha mesmo de ter cuidado com a maneira de falar para as pessoas. Tentou não descair-se ou mostrar nervosismo. Contacto visual: negativo. Após umas chamadas telefónicas, apenas comentou: - O seu pai está no refeitório. Situa-se no piso 3 - Guardou o cartão e quando começou a caminhar, ainda ouviu a incompetente: - As melhoras para a sua amiga!

 

 

Rapidamente alcançou o seu pai, ainda terminando o seu jantar. - Eu ia ligar-te...

- O que aconteceu à Lucy?

- Ela perdeu o controlo do carro, levou duas árvores à frente e só a terceira, um pinheiro, é que a deteve. Quando os especializados chegaram, ela estava totalmente inconsciente. Só pelos documentos é que a identificaram. Eu próprio liguei à família. A irmã dela vai apanhar o primeiro voo para cá.

Dean tinha a cabeça a mil. Não podia ser consciência. - Posso vê-la?

- Espera, tenho algumas perguntas. Ainda estamos a aguardar pelas análises, mas ela toma alguma droga ou algo do género?

- Não...

- Eu sei que a adoras, mas se queres ajudá-la, tens de me dizer tudo.

- Pai, ela bebe montes de café e fuma tabaco... Apenas. Posso vê-la?

- Tens a certeza? - Matheus Holden conhecia pouco a personalidade de Lucy. Sempre foi bastante simpática com toda a família e sabia que quando estava por perto, o humor de Dean melhorava. A família trabalhava longe, portanto ficava sempre sozinha. Jantaram juntos umas duas ou três vezes, daí o carinho e simpatia que nutria. - Talvez quando o outro rapaz acabou com ela...

Impaciente, Dean interrompeu. - Sim!

- Talvez ela tenha encontrado um refugio, uma outra saída...

- E encontrou... - Desabafou levando a mão à cabeça. - Eu, Pai! Eu fui o refugio dela.

Agora estava tudo compreendido. A variada felicidade do filho quando Lucy estava por perto, as dormidas fora de casa, as longas conversas nocturnas, os risos... Preferiu não comentar, afinal, que ainda soubesse, Dean namorava com uma tal Avril. Levantou-se e olhou-o. - 5 minutos. 154.

- Ela vai ficar bem?

Acenou com a cabeça e quando voltou a olhar, Dean já não se encontrava lá. 

 

 

- Oh, Luc! - Murmurou o rapaz com preocupação crescente ao ver Lucille deitada na cama com vários fios ligados ao corpo.

Apressada e inesperadamente, a rapariga comentou: - Podes apenas dizer ao teu pai que eu estou bem? Quero ir para casa!

- Não foi ele o médico que te examinou. - Lucy bufou, revirando os olhos. - Trouxe algo para te animar.

- Um bilhete para fora deste inferno?

Dean mostrou-lhe o seu telemóvel acompanhado por uns phones. - Também serve!

- Vais passar a noite em observação, amanhã já tens alta. Se a tua irmã não chegar entretanto, eu levo-te para casa.

A rapariga assentiu. Sentia-se confusa. Colocou no play tentado descontrair. Quando acordou, sobressaltada, reparou que Dean continuava no seu quarto. Apenas observando-a. - Que horas são?

- Quase 2 horas.

- Porque estás aqui?

- Sinceramente? Não sei. Ninguém me veio expulsar, portanto... Parece que fui ficando. 

Lucy esboçou um sorriso, desfazendo-se logo em lágrimas. O rapaz aproximou-se, tentando acalmá-la. - Os meus pais vão ficar tão zangados... Eu dei cabo do carro e... - Soluçou. - Eu nem posso chorar porque me dói o corpo todo.

Voltou a rir-se, contagiando Dean. 

Inesperadamente, deitou-se junto da rapariga e segurou-lhe a mão, brincando com os seus dedos.

Não conversaram sobre o incidente. Ambos calcularam o que se passou.

  

 

- Hey, gorgeous! - Saudou, admirado. Passava pouco das 10 horas da manhã e Lucy já estava na universidade. - Tiveste alta?

- Não, Dean, fugi pela janela e agora tenho uma escolta policial à minha procura - A afirmação foi tão convincente que o moreno quase acreditou.

- Como está a tua irmã? Aposto que trouxe montes de guloseimas para te mimar.

- Oh, ela ainda não chegou! O John deu-me boleia - Instalou-se silêncio. Daqueles mesmo constrangedores, capazes de esmagar uma pessoa. A prever o que ia sair, antecipou-se: - Sei o que estás a pensar. Ele estava mesmo na entrada, não por mim, claro. Sim, acabou por me dar boleia até casa e de casa até aqui.

O rapaz abanou a cabeça, pouco convencido. Mudou o tom, meio agressivo. - Porque não me ligaste? Ele entrou na tua casa? Vais fumar? E porque continuas a beber café como se o mundo terminasse amanhã? 

Dito isto, pegou no maço e café da rapariga. Guardou o primeiro e o lixo foi o destino do segundo.

- Sabes que posso chegar ali e comprar outro, certo?

- Sofreste um acidente, devias estar em casa a descansar.

- Vais às aulas por mim?

- Pede ao John.

- Não mudes de assunto.

Ele não podia estar com ciúmes. Não podia. E porquê? Porque eles não namoravam. Não tinham uma relação. Ele não era dela. Ela não era dele. Gemiam um pelo outro e divertiam-se. Não havia qualquer sentimento pelo meio. Ponto final.

Para além do mais, a sua resposta não fez sentido.

Outra memória surgiu na sua cabeça. De uma tarde em que Dean, em vez de estudar, deixou-se ficar com ela, mas não foi apenas sexo. Conversaram. Uma coisa simples que, por vezes, era difícil de alcançar.

Voltou à atualidade, ouvindo apenas a última parte da frase: - Estou preocupado contigo. 

- A última vez que disseste isso correu mal.

Olharam-se daquela maneira como estivessem prestes a beijarem-se e, depois, Dean virou costas. Entrou num largo corredor, dando acesso às salas da universidade. Só por teres o corpo que adoro tatuado deves achar-te grande coisa. Que estúpido, meu, pensou, nem compreendendo se o moreno estava chateado. 

 

 

Penso que estão a perceber como funciona, no entanto, alguma dúvida basta dizer.

A imagem e frase, sempre alusiva ao relacionamento de Dean com a Lucy, é uma "memória" do que aconteceu.

Obrigado por todo o apoio, vejo-vos no próximo capítulo.

 

 um beijinho,

 Annie 

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