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Tower of Writing

you will never guess her secret...

Tower of Writing

you will never guess her secret...

4 {Mine}

Sleep with me

 

"There is never a time or place for true love. It happens accidentally, in a heartbeat, in a single flashing, throbbing moment."

Sarah Dessen 

 

Era sábado. Avril ainda estava na cidade, portanto convenceu Dean a fazerem umas compras pelo shopping. Aparentemente, a rapariga não tinha roupa suficiente. O moreno era totalmente contra esbanjar dinheiro sem ser por necessidade. Mas tudo bem, ela estava diferente. Regressaram a casa, onde o ambiente rapidamente aqueceu, mas Dean cortou logo.

Não queria envolver-se. Deixou-se ficar deitado na cama, confuso com os acontecimentos anteriores.

Será que Avril sabia?

Quando a rapariga regressou da casa-de-banho, semi-nua, deitou-se com a cabeça no peito de Dean, questionando: - Estás zangado comigo?

- Não - retorquiu seguidamente.

- Como está a tua amiga?

- A Lucy?

- Sim... Lucille.

- Ahm... A recuperar.

- É natural - Admitiu Avril. Levantou a cabeça, olhando-o, e fazendo festas. - Fiquei muito chocada quando soube da notícia, até porque eu estive com ela... antes.

Ficou admirado. - Ai sim? Falaram?

- Pois, claro! Amigos do meu Dean... são meus amigos.

Dean não ficou muito entusiasmado. - Tiveste alguma coisa haver com o incidente?

- O quê? - Questionou, sentando-se rapidamente. - Eu, Dean? A sério? Já olhaste para aquela rapariga? A fumar e beber café... Foi um acidente, só pode.

- INcidente - Frisou bem as primeiras sílabas, levantando a voz. Começou a ficar chateado. - Significa que foi um imprevisto. É diferente de Acidente.

- Eu sei...

- Avril, eu sei do que falo. A sua última bebida foi um café, mas os grãos não são os comuns. Alguém colocou uma substância que a fez perder o controlo do carro. Ela adormeceu... achas que isso acontecia se tivesse tomado somente cafeína?

- Estou a ver que estás dentro do assunto.

- Claro! - Gritou e depois, apercebeu-se que estava demasiado exaltado. - Quer dizer... o meu pai disse-me.

- Os médicos lá sabem. Mas a minha aposta vai para o namorado... Quando eu cheguei eles estavam a falar... Não pareciam muito felizes.

- Ex-namorado - Voltou a frisar, deixando Avril impaciente com tantas correções. Só depois, começou a juntar as peças. Alguém mentiu. Porque Lucy tinha-lhe explicado que se encontraram na casa-de-banho.

- Infelizmente. Foi horrível o que lhe fez...

- Mesmo assim, ele não tinha motivo.

Avril assentiu. Agora em silêncio, manteve-se sentada e quieta. Por pouco tempo. Pegou no isqueiro de Dean, brincando. Sabia que ele não gostava, tendo em conta a cena passada, mas era algo que gostava. Excitava-a. Era um elemento poderoso.

Dean tirou-lhe o isqueiro da mão, levantando-se de imediato. - Vou apanhar umas ondas.

A rapariga também se levantou e depois aproximou-se, beijando-o. - Porque é que eu te amo tanto?

- Devias ir - Pediu, afastando-a. Avril continuou a rir, enquanto vestia o seu vestido cinzento.

 

Ia sempre para a praia quando precisava de espairecer. Era a sua vitamina C. Nos tempos livres dedicava-se ao surf, mesmo durante o inverno. Aí, aprendera a nunca desistir. A tornar o impossível no possível. Infelizmente, não poderia fazer uma carreira de surfista. Sempre ouvira dizer: Não podes comprar a felicidade, mas podes comprar uma prancha de surf, que é basicamente a mesma coisa.

 

Quando regressou a casa, tomou um banho rápido. Após o jantar, deixou-se ficar no sofá, vendo um filme que passava na televisão. Aborrecido, pegou no telemóvel. Óbvio que enviou mensagem a Lucy. 

Frickkkkkk

E óbvio que a rapariga escreveu umas palavras. Imediato foi também a resposta de Dean. Foi um elogio necessário, no entanto, inesperado. 

A conversa não fluiu, como das outras vezes. Embora soubessem que tinham de esclarecer o assunto, nenhum dos dois deu o primeiro passo. Dean ficou olhando para o ecrã, minuto após minuto, à espera de algo que nunca chegou. Desbloqueava o ecrã, insaciável.

Acabaram os dois por adormecer, mas com vontade para mais.

 

O Domingo passou e com ele chegou a temível segunda-feira. O rapaz não apareceu na faculdade, nem no café, nem na esquina onde costumam fumar. Tudo bem. Também era ingrato para Dean. Mas mais ingrato era para Avril.

 

- Lucy! Olá, como estás?

- Oh, Sr. Holden - Saudou, ao ver o pai de Dean, médico. Aproveitou a hora do almoço para ir até ao hospital, buscar os resultados de umas análises. - Melhor. O pior foi mesmo ter ficado sem carro.

- Sem sr, para ti é mesmo só Matheus! De certo que a tua irmã deixa usar o dela, enquanto cá estiver.

- Ela já foi. E os meus pais só devem vir cá no fim-de-semana.

- Bom, se precisares de alguma coisa já sabes que podes contar connosco. O Dean está sempre disposto a ajudar-te.

- Obrigado, Matheus - Queria virar as costas, mas também queria saber novidades - E ele, está bem? Não apareceu hoje na faculdade.

- Provavelmente deve ter adormecido... Mas passa lá por casa. Há comida no forno suficiente para os dois, almocem.

Sorriram. Matheus era sempre tão simpático que às vezes até incomodava. Não no sentido da palavra, mas sim no facto de já haver poucas pessoas assim. Tirou a carteira da mala, procurando o bilhete do autocarro. - Assim farei. Adeus.

 

Quando chegou à paragem teve que andar uns metros até chegar à casa dos Holden, uma típica vivenda americana. A porta de casa já se encontrava entre-aberta, pelo que Lucy teve de gritar: - Sou eu, a Lucy... Mandei-te sms a dizer que vinha. Estou só a acabar de fumar e já entro, está bem? Sei o quanto a tua mãe odeia o cheiro a tabaco - Soltou um riso, enquanto pegava no cinzeiro do alpendre, mas Dean nem um monossílabo deixou sair. Ouviu um barulho, considerou normal. Talvez estivesse no andar de cima ou no jardim. De qualquer forma, continuou: - Vou usar as minhas poupanças para comprar um carro. Ou dar a entrada. A Poppy disse que também ajudava, mas eu não quero. Quer dizer, é o dinheiro dela e só com isto de vir cá, gastou imenso. Dean, posso entrar? - Colocou o cinzeiro no sítio e voltou a bater à porta, sem sinal. - Estás aí? 

Posou a mala na bancada, quando ouviu a porta fechar-se.

Virou-se. Era tarde de mais.

Apagou totalmente.

 

 

um beijinho,

 Annie 

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