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Tower of Writing

you will never guess her secret...

Tower of Writing

you will never guess her secret...

6 {Mine}

“She wanted something else, something different, something more. Passion and romance, perhaps, or maybe quiet conversations in candlelit rooms, or perhaps something as simple as not being second.”

Nicholas Sparks

 

Olá - Cumprimentou entrando no quarto de hospital, lembrando-se da última vez que lá estivera. Era impossível não se recordar. Lucille estava deitada na cama, provavelmente exausta. - Então... como estás?

- Considerando a situação... Estou bem.

Sentou-se na poltrona, recostando-se. Porém, não conseguia estar confortável. City of God, era o filme que passava na televisão. O silêncio instalou-se. Lucy parecia atenta ao filme, enquanto Dean só a observava. Perguntava a si próprio se a rapariga teria dores. Se teria ficado com uma cicatriz feia. Se estava zangada.

Terminou. Era a chance de Dean para poder, de certa forma, desculpar-se. Quando passou a ficha técnica, Lucy desligou a televisão e olhou-o. Estavam ambos com brutas olheiras. - Podes falar...

- Ahm... Luce, eu - Parecia não encontrar palavras. - ... Lamento mesmo tudo o que aconteceu. Quer dizer... tu sempre disseste que ela era maluca e eu... Eu...

A rapariga interrompeu. - Tu achavas que era eu a maluca.

- Nunca foi minha intenção que saísses magoada, muito menos... com um tiro. Dois - Desviou o olhar, não respondendo. Puxou a poltrona para junto da cama. Mas o rapaz não podia esquecer-se do essencial. - E... obrigado por salvares a minha vida.

- Não fui obrigada a nada.

Dean parecia triste. - Foi tudo culpa minha.

- Foi dos dois - Interrompeu novamente. - Fizemos algo terrível a uma pessoa terrível. O resultado só podia ser algo... Terrível - Esboçou um pequeno sorriso. Traição era algo lixado. Mas Lucy tinha consciência, era um possível erro. E possível por quê? Porque talvez sentisse algo por Dean - Que foi, agora?

- Não consigo parar de pensar... Eu ia disparar sobre ti e, no minuto seguinte, tu levaste um tiro por mim. Por mim - Frisou.

- Não vamos falar mais disso...

- Não, desta vez, vamos falar. Tu levaste um tiro por mim e eu... E eu nem sequer me mexi. Fiquei imóvel.

- A Poppy disse que disparaste. Era a única bala, lembraste?

- Sim! Se eu tivesse disparado sobre ti...

- Não o fizeste. É por isso que atingiste a Avril. E eu já estava magoada.

- Quando os polícias entraram.. alvejaram a Avril. Veio logo a equipa médica socorrer-te... E eu apenas olhava... Tu estavas a morrer - Tentava explicar, mas Lucy parecia não compreender. - Eu não fiz nada para te ajudar - Baixou a cabeça. Estava tão embaraçado quanto cansado. Olhou ao relógio. - O melhor para nós é nos afastarmos uns tempos - Voltou a aproximar-se da cama, viu a expressão de Lucille, confusa. - Vou estar fora uns meses, a minha mãe que ir ao Colorado. Quando voltar ligo-te ou... vemo-nos por aí.

- Espera - Pediu Lucy - Tiveste alta?

- Sim.

- Então e a faculdade?

Então e nós?

- Quando voltar faço exame.

Soltou um "oh" meio emotivo, mas sem saber ao certo o que responder. Estava na cara que não queria afastar-se de Dean. - Bom, quando voltares já não devo estar cá. A Poppy tem um quarto livre em Nova Iorque e sugeriu que fizesse transferência para outra faculdade. Parece-me que se sente culpada. Está sempre a dizer que se eu não estivesse sozinha na cidade tudo seria diferente.

Era difícil digerir tudo aquilo. Foi a sua vez de soltar um "oh" e seguiu-se uma pressa de sair daquele quarto. - Boa sorte - Olhou-a uma última vez, antes de sair. - Adeus, Luce.

Levantou-lhe a mão à saída do quarto e a rapariga voltou a ficar sozinha.

- Adeus, Dean - Despediu-se do moreno suspirando. Ele já não a ouvira.

 

Ficou pensativa. Não, não queria que Dean voltasse "uns tempos" para o Colorado, mas que raio esperava que ele fizesse? Sim, tiveram um caso. Não, não namoravam. Sim, ela levou um tiro por ele. E depois? O que é suposto acontecer?

Voltou a ligar a televisão, mas cedo entrou a irmã que pousou tudo o que trazia nos braços. Livros, tablet, revistas de fofocas e chocolate. 

- Estás confortável? Queres que peça outra almofada?

- Poppy! - Exclamou. - Estou bem, não tens de estar sempre a perguntar.

A irmã recostou-se, revirando os olhos. 

- O Dean foi-se embora.

- Eu sei, vi-o a discutir com o pai, lá fora...

- Discutir?

- Sim, eu não sei Lucy - Poppy fez-se de desentendida.

- Sobre o quê?

- Não sei.

Mas Lucy fitou a irmã. - Achas que é sobre o quê?

- Honestamente? Eu acho que o Matheus quer que o filho se declare - Lucille permaneceu em silêncio, até que Poppy desligou a televisão. - Eu também apoio.

- Nem digas isso. Já viste no que a nossa brincadeira deu.

Brincadeira? Sim, por uns tempos foi apenas isso. Depois, as coisas mudaram. Começaram a falar de tudo. Da escola, da família, de filmes... Bom, começaram a conhecer-se. Partilhavam segredos.

- Nenhuma pessoa decente iria querer uma relação depois de tudo isto.

- Nós nunca quisemos.

- Ele disse-te isso?

Suspirou. - Já te disse, ele só veio cá para se desculpar...

- Lá está, Lucy, tu não sabes.

- Ok, já compreendemos o objetivo... 

- A Avril está morta... Não há nada que vos impeça de ter uma relação séria.

- Poppy, já chega, vamos mudar de assunto - Pediu Lucy, mas não houve outro assunto. Permaneceram caladas uns minutos, mas a rapariga sabia que ainda havia algo a dizer. Como, sempre Poppy tinha algo a dizer. Revirou os olhos. - Diz lá...

- Estou à espera que olhes nos meus olhos e digas que não sentes nada pelo Dean.

 

 

 

um beijinho,

Annie 

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