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Tower of Writing

you will never guess her secret...

Tower of Writing

you will never guess her secret...

7 {Mine}

#x“He loved her for almost everything she was & she decided that was enough to let him stay for a very long time.”

Brian Andreas

 

Agora tudo estava claro. Matheus estranhou o silêncio de Dean durante a tarde, portanto conduziu até casa. Foi quando viu as cortinas fechadas. Avisou de imediato a polícia que cercou toda a casa sem dar qualquer suspeita. Reuniram Ellen e John, os mais próximos de Lucy, para poder extrair informações pelo telemóvel. Ellen foi quem conseguiu manter-se mais tempo ligada, sabendo ao certo a localização dos três, na sala de jantar. Quando a polícia rebentou com a porta, Avril disparou sobre Dean, mas foi Lucy, graças aos ganchos, encontrava-se solta, meteu-se na frente. Dean ainda disparou, a sua única bala, sobre Avril, que acabou por falecer no local. Não era uma mulher, era um monstro. E ela nunca o amou. 

Agora tudo parecia irreal. Lucille não voltou a falar com Dean desde a sua despedida no hospital. O que era, de certa forma, triste. Mantinha a cabeça ocupada como podia. Estudava. Cozinhava. Vi-a filmes. E estudava.

Mas por quanto tempo iria continuar a mentir a si própria?

Continuava no sofá, até que o seu telemóvel vibrou. Oh, meu Deus, pensou. Era Dean.

 

Não pensou duas vezes. Saiu disparada, correndo pela escadaria do prédio.

Beijou-o, fazendo parar o mundo.

Ele sorriu para Lucy, passou-lhe a mão na cara e sussurrou-lhe: - Eu também tive saudades tuas.

Antes de irem os dois para cima, Dean percebeu que estava loucamente apaixonado por Lucille. Nem sempre esteve, era verdade, mas agora, estava possuído pela sua graciosidade. Era um sentimento tão poderoso que não podia ser ignorado. 

Desta vez, não foi só sexo. Foi amor. Afinal, sexo sem amor é vazio. É uma consolação. É ridículo. 

Exaustos, no final, Dean procurou pelo isqueiro e passou o cigarro a Lucille. Vestiu os boxers e abriu a janela. Não costumava fumar, não gostava, embora lhe parecesse fantástico nos filmes. Praticava imenso desporto e gostava de se manter em forma. Não que Lucille não fosse saudável, por que era.

Junto à janela, não parava de olhá-la. Para espanto, saiu-se com esta: - Vamos sair.

- O quê?

- Sim, um encontro.

- O quê?

- Sexta-feira - Informou entusiasmado. Fechou a janela e vestiu a sua t-shirt. - Venho buscar-te a casa e... não sei, vamos... ao cinema... ou ao parque, ou... onde tu queiras...

- Por acaso - começou por dizer com um ar sensual, rebolando pela cama, aproximando-se novamente de Dean. - Estou muito bem aqui...

- Vá lá, Luce... 

- O que queres que te diga? Tu não és um rapaz de... encontros... Por isso nunca tivemos um.

- Acho que está na hora - Lucy soltou uma gargalhada, seguida de muitos risos, enquanto se balouçava pela cama. Dean voltou a colocar-se em cima dela, num tom de brincadeira, prendendo-lhe os braços. - Tu és impossível.

- Tu gostas de impossíveis.

- Cala-te, isto agora é sério, podes colaborar?

- Sério?

- A não ser que não queiras.

- Tu cala-te - Fê-lo calar da melhor maneira possível: beijando-o. Entregaram-se novamente nos braços um do outro, acabando por adormecer, já sem folgo. 

Quando acordou, sentiu a mão de Dean, passando pela sua perna, junto à sua cicatriz. Ele sorriu para ela e depois, perguntou: - Dói-te?

- Não - Disse entre dentes, bochechando. Quando finalmente despertou, levantou-se, já mal humorada. A razão? Era óbvia. Não gostava de falar daquilo. Podia aparentar ser uma mulher, mas tinha receios de uma adolescente. Por que motivo Dean tinha de estragar as coisas logo pela manhã? Por que tem sempre de perguntar? E por que é que ainda ali estava? - E tu não tens de fazer isso...

- O quê?

- Sempre preocupado...

- Acho que isso é normal, Luce.

- Podemos simplesmente... Não complicar?

Levantou-se também e vestiu a t-shirt. Não era habitual passar a noite inteira em casa de Lucy, mas gostou. De dormir junto a ela, ouvindo a sua respiração.

- Tu nunca queres falar sobre... - Fez uma pausa, enquanto procurava as palavras certas para descrever. Lucille andava de um lado para outro, procurando roupa. Três, foi o número de vezes de vestiu e despiu blusas até encontrar a ideal. Quando o silêncio a incomodou, olhou-o e foi quando Dean voltou a dizer: - Tu levaste um tiro por mim.

- O queres que te diga? Sim, levei um tiro por ti e levava outra vez.

- Por quê?

- Porque é que achas?

A pergunta ficou suspensa. Assim como a resposta.

Os 10 minutos seguintes foram passado num silêncio. Lucille fez duas torradas e preparou café. Ela comeu sentada na mesa e Dean junto ao balcão. Ele só tentava compreender o que ia na mente dela. Percebeu que, não era só ele a sentir algo mais do que simples atracção, o que já era bom. Mas talvez ela não quisesse uma relação séria. Talvez por causa do John. E da dor.

Colocou a chávena dentro do lava-loiça e pegou no telemóvel e no casaco. Olhou-a, uma última vez, antes de sair. Ele queria ficar mais um bocado, só para estar com ela. Quando ia a sair, Lucille chamou-o, serena: - Dean...

- Yup?

- Podes vir buscar-me às 19h. Se quiseres.

- O quê?

- Sexta-feira. Se quiseres.

Dean sorriu. Daqueles sorrisos repentinos mas sinceros. Era assim tão óbvio que ele queria?

- Claro, Luce...

 

 

 

um beijinho,

Annie 

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