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Tower of Writing

you will never guess her secret...

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Capítulo 12 - "Forget Me Not"

Capítulo 12 - Forget Me Not

 

Dezembro não começou gelado.

O ambiente, na residência de estudantes, onde se realizava mais uma festa de Javier, estava cómico. Liam, junto à mesa de bilhar, de cigarro na boca, rodeado de diversos colegas, mostrava-se mais interessado em observar cada movimento de Alison. Ele não conseguia tirar os olhos dela. Novamente.

Sob o céu dos amantes, aproximou-se de Alison, que já apressava o passo debaixo da luz das estrelas em direção aos táxis. Fê-la parar e conversa de circunstância surgiu.

- É isto que tu e o teu amigo Javier chamam de "pequena festa"?

Ele riu e explicou: - Bastou um convite no Facebook para mais de metade do campus aparecer...

- Bom, eu vim cá, o Javier já me viu, bebi uma cerveja e agora vou para casa - Admitiu, cumprindo a missão.

- Vá lá, miúda! É sábado.

- Diz isso ao exame da próxima terça-feira.

- Vais arrasar com ele... - Liam estava bem disposto. Havia um sentimento que lhe parecia acertado... Mágico. Como se ele fosse roubar-lhe o coração naquela noite. Era óbvio que queria estar com ela. Até quando? Até o sol nascer. Incentivou-a a ficar, mais uma vez: - Quantas noites como esta vês nesta época do ano?

- Deves mesmo gostar de mim - Saiu-lhe o pensamento pela boca, tentando resistir, enquanto Liam encolhia os ombros, sem querer dar-lhe uma resposta. No fundo, não queria esconder-se mais. Não queria lutar contra a luz da lua. - Não é?

Na escuridão, entrelaçou o braço com o de Liam, que soltou um pequeno riso, sincero, percebendo que acabara de entregar o seu coração.

Assim que entraram no amplo espaço, depararam-se com o final de mais uma discussão entre Eric, que não fora convidado, e Javier, o anfitrião. Desta vez, Liam não interviu, Hayley estava junto dele.

- O que está mesmo a acontecer entre o Javier e o Eric? Acho que todos temos essa pergunta.

 - O problema não é entre o Javier e o Eric - Liam bufou, tentando resumir toda a história passada: - Eric, Wendy, Izzie...  Tudo começou aí, tu sabes, miúda... Quando a Wendy engravidou... Os problemas começaram, se é que me entendes. Ela sofreu muito, mas o Eric também. Ninguém pode esquecer-se que ela engravidou de outro rapaz... Enquanto namorava com o Eric... Mas ele, por raiva ou dor, foi para a cama com a Izzie... Uns dois meses depois tudo estava normal... Normal! Até iam ao cinema os três...

- Que triângulo... 

Liam assentiu, concordando. - O Eric não suporta estar sozinho... Mas ainda não percebeu que foram as atitudes dele que o deixaram assim... Acredito que, no fundo, ele tem inveja da minha relação com o Javier... Afastarmo-nos foi o melhor... Pelo andar que a carruagem levava, eu ia acabar por dormir com a Izzie, ou com a Wendy, ou com o Javier... - Alison não conteve uma gargalhada, tentando escondê-la com ambas as mãos. - É verdade! Não imaginas as coisas que ouvi.

 

*** 

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Já de copo de plástico na mão, encostada a um pilar, a loira ficou em silêncio, colocando as ideias em ordem. Claro que isso chamou a atenção de Liam.

- O que foi? E não digas nada, Alison...

- Alguma vez foste amigo dele? Do Eric?

- Eu fui amigo até ele fazer piadas sobre... Bebida - E retirou-lhe o copo da mão cuidadosamente, ainda decidindo quem deixou de ser amigo primeiro, continuou a enumerar: - Acidentes de carro. Tipo... Sempre. Em qualquer e todo lugar.

- Não precisas de dizer mais nada.

- A questão aqui é: Demos-lhe espaço... As separações são uma ótima altura para pensar... Nas prioridades... No que nós queremos. Talvez até para nos conhecermos melhor...

Afastou-se da rapariga, mas sabia que ela o continuava a olhar. Alison nunca foi daquelas raparigas envergonhadas, mas naquele momento, tentava perceber se aquilo também se aplicava à separação própria. Se a disjunção deles também serviu para Liam repensar. 

Colocou os pensamentos de lado e quando ouviu uma nova música, arriscou, aproximando-se de Liam: - Vá lá, Liam! Dança comigo.

- Não, não, não, não...

- Sim, sim, sim, sim...

- Miúda...

- Quantas noites como esta vês nesta época do ano?

Ele soltou um riso e agarrou na mão da rapariga. Uma dança individual, que todos sabiam a coreografia, seguindo-se uma estilo livre. Liam sentiu uma brisa suave, tecendo um feitiço sobre o seu coração e quando deu por si, as suas mãos acariciavam a cintura de Alison, tal como nos velhos tempos. Ela sorria, cantava e entrelaçava os dedos no seu cabelo. Parecia mesmo feliz.

Afastaram-se, de mãos dadas, procurando um sítio mais calmo para conversar. Abriram a porta da cozinha, mas rapidamente Alison a fechou. A fração de segundos foi suficiente para ambos compreenderem que Hayley e Javier curtiam junto à bancada. Javier murmurou algo, em espanhol, indecifrável.

- Oh! Meus Deus - Exclamou, enquanto puxava a porta, apressadamente.

Quase no exterior, desataram os dois a rir.

- Não percebeste o que ele disse, pois não?

- Não - Ela respondeu, rindo ainda mais.

 

 ***

No exterior, as ruas estavam cheias de silêncio. Liam insistiu levar Alison a Little Italy, com a desculpa de trocar ideias do que poderia estar a acontecer naquela cozinha, visto ser o primeiro encontro dos dois. Oficialmente.

- Vi-te à bocado com um cigarro...  

- Não o acendi.

- Vais dar uma de Augustus Waters e filosofar sobre não dar o poder ao cigarro?

- Talvez - Ele riu, meio nervoso, recordando a célebre frase de The Fault In Our Stars. - Eu gosto dessa metáfora. E do filme.

- Eu prefiro o livro.

- Eu sou um desportista, miúda, e há coisas que tenho mesmo de colocar de lado - Explicou. Desligou o rádio quando o aparelho tocou uma música romântica. Da Adele, achou. Logo da Adele. Desviou o olhar. Parecia que foi há uma eternidade a última vez que estiveram tão pacíficos. - Andas a contradizer-te toda, miúda - Passou de um paradoxo a antítese, referindo-se à obra literária, mas pensando na forma como ele e Alison se encontravam. Desde que lhe enviou aquela mensagem, Liam sentia-se inseguro, tão depressa ela se aproxima como se afasta dele.

- Parece que tens esse efeito sobre mim - Deixou escapar, saindo do veículo. Liam também saiu.

A noite estava escura, silenciosa e melancólica. Encontravam-se tão próximos como lábios que vão beijar, impenetráveis à curiosidade das estrelas. Épico. O sentimento agora, sem ninguém ao redor, parecia mais acertado. Parecia chegar mais perto do coração. Liam acreditava fielmente em segundas oportunidades. Não existia escapatória ao amor.  

- É melhor entrares - Ele quebrou.

- Por quê?

Rapidamente os seus pensamentos entraram em conflito.

1. Por que já não estamos juntos, e provavelmente não estás apaixonada por mim, mas cada canção de amor que passa na rádio, tal como ainda agora aconteceu, faz-me lembrar de ti, de nós, não importa o tempo que passou.

2. Por que tenho saudades tuas.

3. Por que ainda deixo espaço para ti na minha cama.

Mas ele apenas respondeu: - Está a ficar frio, miúda.

- Eu não ia para casa, se fosse tu - Ela meio sugeriu e soltaram um riso. - E tens de parar de me chamar miúda.

- Por quê? - 1. És a minha miúda., pensamento único e isolado. 

- Fazes-me um favor? - Ela perguntou, por último, metendo a chave na porta.

A simples questão, acelerou o coração de Liam. - O quê?

- De vez em quando, tu sabes, quando não tiveres melhor que fazer, te lembres um pouco de mim.

E mal ela sabia que, desde que soube que frequentava aquela faculdade, Liam não pensava noutra coisa.

 

 

 

Este capítulo ficou maior do que o habitual, portanto, acho que têm mais para comentar do que o habitual! O que acharam do capítulo? 😁

NOTA: Um agradecimento final aos nossos bombeiros que combatem não só, mas principalmente, em Pedrógão Grande e noutras localidades. Obrigado, obrigado!

 

 

 

um beijinho,

Anna Williams.

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