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Tower of Writing

you will never guess her secret...

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Capítulo 19 - When It Hurts So Bad

Capítulo 19 - When It Hurts So Bad 

 

 girl, hair, and sunset image

 

- Foi um período muito duro. Eu estava... A dar em maluca. Visitei dezenas de psicólogos, levaram-me a Washington só para ouvir o homem a falar... Depois internaram-me, outra vez. Sentia-me tão pequena... Sem ninguém. Eu adormecia a chorar e acordava a chorar. Quando saí, estava ainda pior... É isso.

- Oh - Ele suspirou, preparando-se para a continuação. Sabia que havia mais. Tinha de haver mais.

- Quando saí, fiquei semanas sem falar com os meus pais, com o Chad, por vontade minha - Começou por explicar, encolhendo os ombros. - Estava em Nova Iorque, sozinha, revoltada. Perdi-me... As companhias não ajudaram e acabei por me drogar - Alison viu a expressão de Liam mudar e retraiu-se um pouco, com a não-aceitação. - Nunca contei isto a ninguém.

O choque fez Liam romper uma lágrima. 

- Eu estava... Sempre a tomar comprimidos. Para não sentir nada. Tomava comprimidos para acordar, para comer, para correr, para dormir. Tipo... Sempre. Foram comprimidos, tabaco e algum pó, que consumi, também. Eu divertia-me... A drogar-me. Até que me excedi. Um toxicodependente encontrou-me caída na rua, sozinha, uma noite, chamou uma ambulância e fui direitinha para o hospital. Disseram que estava quase do outro lado. As convulsões tinham passado, eu estava gelada. Esse foi o meu abre olhos. E sabes por quê? Por que não me lembro - Ela concluiu, brincando opressivamente com os dedos. Suspirou, ganhando coragem para continuar: - Não me lembro da pobre alma que me socorreu, do mês, não me lembro da temperatura, não me lembro da roupa que vestia... Portanto, Deus o proteja sempre. Depois de Nova Iorque, fui internada novamente. O médico considerou-me perigosa, então anulou as minhas visitas... Sedavam-me, mas o meu corpo rejeitava tudo... Alucinei mais do que quando... Me drogava.

Liam olhava-a, como se fosse a primeira vez. E a loira entendeu, mas continuou: - Ainda não sei se foi alucinação ou se foi um princípio de ficar sóbria, mas, lembro-me de ver, do outro lado do vidro, no corredor, a minha mãe chorar. O meu pai estava a reconfortá-la, mas... Foi desolador. Parei de chorar nesse dia. Comecei a pensar no que eu queria para a minha vida. Enchi-me de forças. Por mim e por eles. Três meses depois deram-me alta. Pintei o cabelo, mudei de nome...

- Alexis...

- Foi Alison - Soltou um curto riso e escondeu uma pequena lágrima, limpando-a. - Todas as pessoas que sabem a verdade, não suportam a escolha que fiz. Mas deixa-me que te diga, Liam, eu fiz o que tinha de fazer para sobreviver. Mudar-ME, foi a única solução.

Liam não sabia o que dizer, mas não queria nada dizer. Queria ajudá-la a terminar a história de Alexis. - Voltaste a Chicago - Disse finalmente.

- Antes disso... Ainda quando estava em recuperação, no hospital, lia imenso. Não fui sempre inteligente, não é? - A loira refletiu, quase para si mesmo. Continuou: - Entrei na faculdade. A Alison portou-se lindamente no primeiro semestre, mas depois... Teve um confronto com a Lexi. Descarrilei. Foi por isso que voltei a Chicago.

 

***

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Recordou quando entrou na sala e Javier a olhou. Ele reconheceu-a. E ela sabia disso, mas não o conheceu. Quer dizer, as probabilidades de alguém a reconhecer eram pequenas, mas mesmo assim, novamente, ficaram a seu favor.

- Tracei um plano. Permanecer sóbria, enfrentar a Lexi e enterrá-la, na sua terra Natal, de vez. Arranjei um emprego, no clube, discreto, para me sustentar. Inscrevi-me em português para não enlouquecer. O Chad veio comigo, mas foi o mesmo que nada. E era assim que eu queria. Acabar com este assunto... Sozinha - Esclareceu, referindo-se ao relacionamento com Liam. - Não esperei conhecer alguém... Como tu. Tentei afastar-te, afastar-me... Mas tu vinhas com aqueles olhares e risos. Foi muito complicado... Eu sei que ficaste devastado quando descobriste.

Liam baixou a cabeça. Estava muito sensibilizado com a sua história, com tudo o que não sabia. Que nem desconfiou. Sentia-se deprimido e quase a desmoronar. Ela irradiava bondade, sempre preocupada com o próximo.

- Estou limpa, Liam. É de loucos acreditar, depois de tudo o que estás a ouvir, mas... Nunca iria dormir contigo, estar contigo, senão tivesse limpa.

- Eu sei - Ele assentiu.

- Os meus pais - Disse, anunciando outro tema. - Os meus pais fizeram tudo, mesmo tudo, para eu ficar bem. Fui vista pelos melhores médicos, psicólogos dos Estados Unidos. Não imagino a fortuna que gastaram... Eles não sabiam o que fazer, não sabiam como lidar comigo, não podiam ter feito mais... Simplesmente... Aceitaram-me. Aceitaram a Alison. Já o Chad... Bom, tu sabes...

- Cobarde - Comentou.

- Gosto de pensar que ele... Ficou mais abalado do que eu. 

O silêncio veio segundos depois. Ao contrário das outras vezes, não foi constrangedor. Foi pacífico. Quando Liam levantou a cabeça, Alison observava-o tanto, como se estivesse a ler os seus pensamentos.

- Não, Liam, não estou a contar-te isto para ficares triste.

- Não sou de ferro, miúda.

- Eu não me sinto triste. Não sou uma pessoa triste e, acredito que, no fundo, saibas disso. Não quero que tenham pena de mim. Mas sabes o que me deixa triste? Ver notícias de massacres, atentados... Com mais frequência - Encheu a sua chávena com mais chá, e depois pousou-a, delicadamente. - Sabes, eu vi a minha vida passar diante dos meus olhos. Duas vezes, no mesmo ano. E o mais engraçado, é que... Nunca acreditei nessas coisas.

- Disseste... Que sonhas com o Samuel... Também sonhas com a Alexis? - Ele perguntou, receoso.

- Poucas vezes.

- Como é que ela está?

- Ela - Alison ficou séria, procurando as melhores palavras para a sua resposta. - Ela continua assustada, Liam...

- Tu apagaste-a? As tuas, dela, memórias...

- Não paguei nada... A Lexi, morreu, naquela sala... Naquele dia. Eu só demorei um tempo a perceber.

 

 

 

um beijinho,

Anna Williams.

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