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Tower of Writing

you will never guess her secret...

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Capítulo 2 - "Friends Will Be Friends"

Capítulo 2 - Friends Will Be Friends

 

1

- Ei, Javier. Os livros não se leem sozinhos - Chamou a atenção do espanhol que, sentado, de frente para a mesa redonda, com os livros em cima, olhava para o vazio da janela. Voltou a cabeça lentamente e Liam aproximou-se. - Em que estás a pensar?

- Apenas... Na noite de ontem - Javier recompou-se na cadeira, livrando um suspiro. - Tu e a Alison já tinham ido embora... A Wendy continuou com o seu discurso... De certeza que estava bêbeda... Ela admitiu. Foi ela que fez a denúncia. Sobre o rapaz do campus que vendia os DVD's piratas... E foi ela que fez com que eu passasse aquela noite na cela... E me voltasse mais contra o Eric...

- Oh... Lamento imenso, Javi... er. Javier.

Javi. Javier. A maneira como Liam o tratava sempre tinha importância. E aquela pequena hesitação, antes da correção, deu-lhe esperança. O arrufo ia passar.

- Sim, eu também - Concordou. Aquela mais parecia uma espiral sem fim. - Sempre acreditei que fosse o Eric... Quer dizer, éramos amigos e, antes de virmos para a faculdade, não falámos mais. Entretanto, parece que já encontraram a pessoa responsável. E não é de descendência latina.

- Está claro...

- Talvez devesse falar com o Eric - Foi uma ideia que passou pela cabeça de Javier.

- Ele também não tem estado no seu melhor...

- Sim, mas não sei... Isto já dura à demasiado tempo.

Liam assentiu. - Oh, e obrigado por defenderes a Alison. Ela gostou. E do pijama também.

- Acho que ela mereceu... Depois de tudo. 

O silêncio voltou e Liam ia voltar costas. Por que continuava zangado. Subitamente, lembrou-se do pedido e exigência de Alison. Conversar com Javier. Não como dantes, mas tentar, da melhor forma que conseguir. Respirou mais fundo e, sem hesitar: - Como está a tua vida?

Javier estava surpreendido. Pelo menos, o seu olhar demonstrou. - Acho que está a melhorar... Tenho estudado... Com a Hayley. E... O meu pai ligou.

- Eu sei.

- Ele vai a umas consultas, numa clínica... Por causa do seu problema com a bebida.

- Eu sei.

- Que raio mais sabes?

- A Alison foi a casa, à umas três semanas... Ela estava estacionada e viu o teu pai sentado num banco. Ela disse-me que não conseguiu arrancar sem lhe ir falar. Conversaram, muito calmamente, e concordaram em ver umas clínicas. Após uns telefonemas, um diagnóstico, ela conseguiu inscreve-lo.

Javier voltou a sentar-te. Era como se, num momento, perdesse toda a força do corpo. - Ela fez mesmo isso?

- E depois, voltou à loja de conveniência, onde o teu pai trabalhava, e perguntou ao gerente se admitiam o teu pai de volta. Contou-lhe tudo pelo que a tua família estava a passar, incluindo que está a ultrapassar o problema da bebida e, por isso, precisava mesmo do trabalho. Ele foi lá uns dias depois e, nessa noite, ligou à Alison a contar a novidade.

- Ela fez mesmo isso? - Javier perguntou novamente.

- Sim, Javier - Liam confirmou. O arrufo ia passar, mas não agora. Não neste dia, portanto, disse-lhe, antes de ir para o seu quarto. - Depois da maneira como a tratas-te, ela fê-lo. Portanto, da próxima vez que pensares nela como uma instável com tendências suicidas... Lembra-te disto.

Javier mal podia acreditar que Alison fez tudo por ele. Alguns erros têm consequências maiores do que outros. Mas o resultado de um erro, não pode definir as nossa vida para sempre. Há que avançar. Defender Alison, na festa da noite passada, foi o primeiro avanço.

 

***

2

Em Little Italy, também houve progressos. Hayley subiu ao último andar e bateu à porta. Do outro lado, a loira abriu, deixando-a entrar.

- Vi como a vossa colega, a Wendy, não é?, te tratou, na noite passada e... Bom, é óbvio que não mereceste... Então, pensei também na forma como eu te tratei, em tudo o que te disse e pensei... Eu não te odeio - Ela afirmou, após um constrangedor silêncio, encolhendo os ombros. - Como poderia? - Sim, como poderia, ela?

Percorreu toda a cozinha. Todo o espaço permanecera igual, desde que abandonara a residência. Até Alison parecia estranhamente igual. - Eu tive muito tempo para pensar. - Hayley recomeçou. - Para juntar todos os pontos. A ressaca, no dia seguinte, não ajudou. Os segundos não paravam, e, eu achava que ias entrar por aquela porta a qualquer momento. Então, foi mais fácil escrever o bilhete e sair. Mas depois tu voltaste, e eu não sabia o que te dizer. Eu devia ter insistido e conversado contigo. Ouvir o que tinhas a dizer. Apoiar-te. Pelos menos... Era o que um amigo deveria ter feito.

Alison escondeu um riso, revirando os olhos, ironicamente.

- Eu não acredito no destino. Não acredito nessa obra macabra que me tira o Bill para, anos mais tarde, te conhecer a ti. Ou ao Javier. Por que nenhum de vocês é melhor do que ele. E, ontem, preferi-o a ele.

- Então por que vieste? - Alison finalmente proferiu, no canto da cozinha, de braços cruzados.

- Por que, hoje, escolhi-te. E amanhã, vou voltar a escolher-te. Escolhi seguir em frente, contigo. 

- Por quê? Se eu te lembro do Bill...

- Isso é uma coisa com a qual tenho de viver. De seguir em frente, Alison. Tal e qual tu. De maneiras diferentes... Mas tão iguais. Tu és uma bênção. Um milagre.

- Mas ele não está cá. E não vai voltar, Hayley. O Bill não vai voltar, toma consciência disso.

- Tu estás. És a mulher mais corajosa que conheci. Alexis, Alison, tanto me faz...Tu seguiste em frente. É por isso que te quero como minha amiga. Por que quero seguir em frente também.

Seguir em frente. Simples de dizer, não é? Fechar o círculo, fechar a porta, terminar capítulos, já não interessa o que chamam, o que interessa é deixar no passado esses momentos da vida que já passaram. Hayley estava disposta a isso, quando as lágrimas lhe escorriam. Tal como disse, simples de dizer. Alison também já pensou muito nisto.

- Ainda não me decidi quanto ao destino... Não sou o Liam, com todas as ideias organizadas - Procurou por palavras, enquanto controlava a respiração. - Mas eis em que acredito: nenhuma amizade acontece por acidente.

- Sim, acho que tens razão.

- Eu não tenho muitos amigos - Alison disse logo. Somente o que já sabíamos. - Jeito também não... Mas prometo dar o meu melhor e ser melhor contigo. Ser... Verdadeira.

- Eu sei que sim, Ali - A morena já entre soluços, que tentava disfarçar. - Desculpa, desculpa.

Limpou as lágrimas enquanto se sentava no sofá, quase que nem deu pela falta da loira, que se ausentara por meros segundos. Sentou-se também, voltou a mão de Hayley, colocando-lhe duas chaves na palma. Queria-a de volta no apartamento. A morena sorriu, olhando-a.

- Estou a tentar dizer-te isto desde o dia em que te conheci...

- O quê?

- Bom, em que vos conheci - Claro que tudo voltava a Liam. Volta sempre, não é? - A ti e ao Liam... Vocês, têm uma cumplicidade, uma dinâmica incrível... Mesmo daquelas que saem de livros ou filmes... No outro dia, ele publicou uma fotografia vossa no Instagram. Digo-te que, mesmo sem descrição, ele não escreveu nada, me fez tão feliz que até vieram lágrimas! Não vês que isto é tudo um sinal?

- Sinal?

- Acho que sim! Apenas... Veste a tua roupa favorita e vai... O Liam está à espera! Aproveita muito a vida com ele. Por que... Ele fala de ti como se pusesses as estrelas no céu...

- Acho que, às vezes o Liam fica confuso...

- Confuso?

- Eu não sou essa pessoa, Wendy. Não consigo ser a pessoa que ele idealiza...

- O Liam sabe exatamente quem tu és. Por isso é que está contigo.

 

 

Muito obrigado por continuarem desse lado!

Para tornar o vosso sábado melhor, trago-vos um capítulo 🥰

Espero que tenham gostado.

 

 

um beijinho,

Anna.