urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwritingTower of Writingyou will never guess her secret...LiveJournal / SAPO Blogsanna williams2019-09-29T10:00:00Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:583972019-09-29T11:00:00Capítulo 5 - "Come Back... Be Here"2019-09-24T15:45:37Z2019-09-24T15:45:37Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 5 - Come Back... Be Here</em></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://data.whicdn.com/images/236134878/original.gif" alt="actress, endless love, and beautiful image" /></p>
<p style="text-align: justify;">Chegou ao <em>campus</em> passava das 23h. Não escondia o sorriso do rosto, enquanto voltava de <em>Little Italy</em>. Javier não era romântico, custava-lhe a acreditar em amor verdadeiro mas, apesar disso, admitia, apenas para ele, que havia algo ali, algo que reconhecia como real. A Hayley tornava-se, aos poucos, algo que não esperava.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos lances de escadas, franziu e até o seu coração acelerou. Abriu a porta, ambos o olharam e foi a loira que quebrou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele está aqui agora, já podem falar</strong> - Sugeriu, meio fria. Liam parecia muito calmo, enquanto colocava os pratos no balcão, daquele que, parecia ser um jantar a dois <strong>- Então... É assim? Já não queres conversar? É assim que vai ser? Por que não disseste que queria peru? Eu não trazia frango e não estarias assim...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isto não é sobre o frango.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei!</strong> - Ela quase gritou <strong>- Oh meu Deus! Consegues estar tão...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O quê? Irritante, chato, maçante... Já sei, insuportável!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Cuidado, Liam</strong> - Alison disse, apontando-lhe o dedo.</p>
<p style="text-align: justify;">Javier parecia congelado junto à porta. Não conseguiu dizer nada, apenas olhava para Liam, e depois para Alison e novamente para Liam. A maior parte discutiam como se Javier não estivesse ali.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por que insistes para falar com o Javier? Sabes perfeitamente que se falar...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ficas com dúvidas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, dúvidas de ti!</strong> - Saiu-lhe logo, perante toda a insistência de Alison. Javier estava mesmo ali, ainda com as chaves na mão. Continuava calado. Não percebia o motivo daquela discussão e temia o seu rumo. Principalmente por que Alison parecia confiante em dominar toda a discussão <strong>- Dúvidas de nós.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Diz, qualquer coisa, Javier! Não é preciso, tens razão! Ele vai dizer que eu não te mereço. Por que sou perigosa... Aliás, vou atirar-me desta janela e voar. Por que é que não lhe dás razão? Ele está mesmo aqui...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Às vezes acredito que ele tem razão, estaríamos todos melhor se tu... devias afastar-te.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison não teve resposta. Foram essas mesmas dúvidas que o fizeram falar sem pensar. Olhou-a e viu o afastamento nos seus olhos. As suas mãos estavam na cintura e o olhos colados aos chão. Quando levantou a cabeça, riu-se. Javier viu os seus olhos vidrados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não foi isso que eu quis dizer... Alison...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A sério, Liam? Parece que nunca ninguém quer dizer o que diz, mas acaba sempre por dizê-lo. É o Chad, a Wendy, a Hayley, o Javier... Agora, tu... Se não me queres aqui, por que pediste para eu ficar? Por que é que disseste que não ias desistir?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foda-se.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Chegaste lá? Talvez agora tenham mesmo de falar...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não foi isso que eu quis dizer</strong> - Repetiu calmo, ainda ecoando aquelas fatídicas palavras, mas ao vê-la vestir o sobretudo, olhando para Jaiver, sair da residência e fechar a porta, impaciente gritou:<strong> - EU NÃO DISSE ISSO.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 484px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="4.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd0177136/21565523_Y8K0g.jpeg" alt="4.jpg" width="532" height="649" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Do que é que estás à espera? Vai atrás dela!</strong> - Javier incentivou, como desesperado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- CALA-TE.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vai... Liam...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu já não sou o teu Don Juan para correr atrás</strong> - As seguintes palavras do espanhol, já não as ouviu. Num só impulso, descarregando a raiva, arrastou, com as mãos, tudo da mesa onde decorrera o jantar. Os vidros, partidos, calaram Javier. De punho cerrado, partiu um dos vidros da porta, com um só murro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh, Liam</strong> - Javier suspirou, agarrando na mão ensanguentada do amigo. Correu ao congelador e tirou vários cubos de gelo, embrulhando-os no primeiro pano que encontrada. Limpou e depois envolveu sobre o inchaço, sob o olhar atento, mas calmo, de Liam. <strong>- Agora vai descansar que eu arrumo esta trapalhada toda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A trapalhada é minha, eu arrumo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estou a pedir com jeitinho</strong> - O espanhol, com aquele seu jeito, reforçou, e Liam voltou costas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não demorou muito a arrumar a cozinha, sempre com o pensamento no Liam e naquela discussão quase sem sentido. Sentou-se em frente à televisão, enquanto trocava umas <em>sms </em>com Hayley. Informou-lhe que a loira já chegara a <em>Little Italy</em>, apenas um pouco cansada, seja lá o que isso significasse, pensou Javier. No entanto, ficou descansado.</p>
<p style="text-align: justify;">A porta do quarto de Liam encontrava-se aberta. Encostou-se à ombreira, apenas a olhá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não consegues dormir?</strong> - Perguntou, e mesmo sem resposta verbal, entrou no quarto e deitou-se ao lado de Liam, suspirando: <strong>- Eu também não.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isto foi tudo planeado, Javier... E eu nem... Nem sequer entendi. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O quê? Planear uma discussão?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Para nós falarmos... E eu nem sequer vi, nem sequer entendi</strong> - Voltou a repetir. <strong>- Acho que... A Alison tem insistido tanto para nós falarmos que me passei. Explodi.</strong> - Explicou-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Javier continuava ao seu lado, em silêncio, como se também tentasse compreender. Talvez as amizades servissem, para, de igual modo, juntos, compreenderem. <strong>- O que é que estás a pensar?</strong> - Liam questionou. <strong>- O que é que vais dizer? Que é melhor desta maneira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não! Talvez ela não esteja tão chateada assim, tu saberias isso se, no mínimo, lhe ligasses.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está. Eu vi nos olhos dela.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, é verdade? Quando falamos da Alison... Ficas com dúvidas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É verdade</strong> - Ele disse logo, entristecido.<strong> - Devia ter-me afastado, antes de sentir alguma coisa. Ao menos agora não estaria assim... A desejar que ela entre por aquela porta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, tu não tens um termómetro que apite quando chegas à parte de transitar do gostar-apaixonar </strong>- Javier respondeu da maneira mais óbvia que encontrou.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 549px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="4.jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be717b7eb/21565529_ZuEVg.jpeg" alt="4.jpg" width="549" height="384" /></p>
<p style="text-align: justify;">Liam soltou uma gargalhada, totalmente inesperada e quando menos lhe apetecia rir. Olhou para o amigo. Sério, ainda a pensar por que o tinha feito rir, já que mais natural não lhe podia ter saído. Continuou: <strong>- E deixa-me também que te diga outra coisa. Eu não vos quero separar. Eu gosto da Ali, gostei dela primeiro do que tu e, acho que quando estás com ela, a tua vida melhora, e eu gosto disso em ti. Continuas o meu Don Juan favorito, mas diferente. Mesmo depois de se descobrir o segredo, apoiei sempre. Fiquei do teu lado quando quiseste esquecer. Fiquei do teu lado quando a quiseste de volta</strong> - Depois parou, recuperando o ar. À muito que queria dizê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Javier viu Liam a sentar-se, pelo que se recostou também. Deixou-o pensar e não disse mais nada. De facto, a amizade entre os dois nunca esteve em causa - esta é para a vida. E era uma estupidez colocar sequer a hipótese de brigarem por causa de uma miúda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu estás a conseguir</strong> - O espanhol encorajou. <strong>- Chegar lá, ao coração, se calhar. Lembra-te que desde à três, quatro anos que a Ali não baixa a guarda para ninguém e tem atenção nos seus relacionamentos e agora, sente-se confortável e segura. Mas ela não quer arriscar a nossa amizade pelo vosso relacionamento. Então, prefere que terminem tudo do que estarmos assim. Ela é uma força da natureza. Talvez ela se tenha apercebido disso e... Sei lá Liam, passou-me a inspiração.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Voltou a esconder o riso com a mão. <strong>- Estavas a ir tão bem... Isso é algo que se diga?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quase poético</strong> - Respondeu, sorrindo também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foi preciso discutir com a Alison para fazer as pazes contigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- <em>Kiss and make, kiss, kiss and makeeee </em></strong>- Javier cantarolou, fazendo uma esquisita e cómica dança.</p>
<p style="text-align: justify;">Só queria mostrar ao Liam que, desde aquela noite, do comboio, a situação mudou. A Alison poderia morrer. Mas ele, o seu irmão, também. E isso ia perturba-lo drasticamente. Por que pessoas como Liam já não se encontravam, daí a sua amizade, não ser como as típicas. E tinha aprendido que um amigo guarda segredos só para si, um melhor amigo, um irmão, ajuda a manter os teus próprios segredos.</p>
<p style="text-align: justify;">A noite ia longa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como vai a fraternidade?</strong> - Liam perguntou, fixando o teto do quarto, depois um silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Deixei-me disso</strong> - Javier respondeu logo. <strong>- És o único irmão que quero para a vida.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Este capítulo ficou mais longo do que o habitual. Muito obrigado por lerem 🤧</p>
<p style="text-align: right;">Parece que o Liam e o Javier se reconciliaram!</p>
<p style="text-align: right;">O que acham que vai acontecer a seguir? 😘</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:621062019-09-20T11:00:00Capítulo 4 - "I Wish You Would"2019-09-18T19:19:16Z2019-09-18T19:19:16Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 4 - I Wish You Would</em></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 499px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4c17530a/21559567_MJuZB.jpeg" alt="1.jpg" width="499" height="276" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olha quem é ela... Por acaso não estás perdida ou algo assim?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sempre a mesma doce, Wendy!</strong> - Isobel voltou-se e sorriu cinicamente para a outra.<strong> - Até podia estar, mas não é o caso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que te trás por cá?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ver os meus amigos do secundário é motivo?</strong> - Isobel lançou um sorriso. Continuava elegante, confiante e mais loira, se é que era possível. Encostou-se, de frente para as bancadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que não.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ouvi sobre a tua discussão com a Ali e o Javier... Parece que ela recuperou a sua paz</strong> - Isobel comentou, enquanto olhava para Liam e Alison, uns bancos mais à frente. Wendy também os olhou, por breves minutos, mas não falou. Recostou-se, de braços cruzados. <strong>- Como é que o Liam ainda consegue olhar para ela? Que se passa, Wendy? As palavras do Javi afetaram-te? Antes falar mal da Ali era super divertido!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tens de te acalmar! Que há de divertido em falar nas costas de alguém que nem sequer conhecemos?</strong> - Wendy lançou a pergunta, ficando também a pensar na resposta. Não impedia que Isobel se expressasse, mas já não conseguia criticar Alison. Não depois de tudo. Aprendeu a lição que <em>stressar</em> e ficar obcecado com alguém não é saudável e já lhe custou outras coisas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nós conhecemos a Alison!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, Izzie, não conhecemos</strong> - Ela disse logo, afastando-se um pouco. Isobel falava alto, como se fizesse de propósito para todos ouvirem. Isobel quando voltava à cidade, parecia sempre um míssil. Gostava de dar espetáculo para receber atenções. <strong>- Nós só conhecemos uma pequeníssima parte da história dela.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E também conheço o Liam e sei que ele sabe zangar-se à homem! Pelo menos sabia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mas por quê? Por que é que devia continuar zangado com a Ali?</strong> - Os pensamentos de Wendy saíram diretamente sem esta os poder processar. <strong>- </strong><strong>Por que estás tão brava quando poderias estar simplesmente contente por estar viva?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É o que todos pensam! Quer dizer, a Alison riu enquanto mentia e o Liam voltou diretamente para os braços dela! Que raio, não?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Chama-se amor, Izz...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nem acredito como até o Javier, que tem dois palmos de testa, a defende!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Cala-te!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Amor?</strong> - Isobel soltou uma gargalhada, ainda pensando na opinião de Wendy.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim! Sentimento que não vais receber se continuas assim!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isobel começou a ficar impaciente.<strong> - De certeza que estás numa faculdade? Parece que levaste uma lavagem cerebral!</strong> - Voltou a barafustar, como se estivesse na idade das trevas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acorda! És adulta e essa fase já devia ter passado</strong> - Wendy tomou a sua posição. Na verdade, era mesmo isso. Wendy cresceu. Custou, mas cresceu. E já não gostava dos joguinhos de Isobel e muito menos do seu palco cheio de crimes perfeitos. Ouvir o Javier ajudou. Alison era mesmo uma alma bondosa. <strong>- Precisas de controlar os teus impulsos de gritar sobre toda a gente que odeias.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Falamos quando assentares as tuas ideias... Vou passando por aqui... Gosto destes ares.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 454px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="2" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0717afe6/21559694_9mqVo.jpeg" alt="2" width="563" height="566" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Viu-o a sair do campo para a alcançar. Tinha aquele sorriso como o de uma criança a deixar as luzes da Natal até Janeiro. Uma aura deslumbrante, meio misteriosa, era sempre o que Alison via.</p>
<p style="text-align: justify;">Era dia de avaliações intermédias e Liam tinha andado a treinar e estudar todos os dias. No entanto, não ficou surpreendido com a presença da loira nas bancadas, a apoiá-lo. O dia amanheceu nublado, mas foi melhorando. Foi uma manhã ultravioleta, segundo Alison.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por um momento, achei que isto fosse um concurso de modelos</strong> - Liam riu-se com a observação de Alison. Ela debruçou-se no separador da bancada-campo para lhe dar um beijo na face, ainda húmida de suor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Com aquelas madrinhas e tudo</strong> - Ele adicionou, referindo-se a Wendy e Isobel, que os olhavam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já falaste com o Javi?</strong> - Alison perguntou. Vinha-lhe sempre à cabeça perguntar. Liam desviou o olhar e a loira entendeu, de imediato, que a resposta era um válido <em>não</em>.<strong> - Ok, por quê, Liam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quase que nunca o vejo... Deve andar lá para a fraternidade.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Na mesma faculdade, no mesmo curso, na mesma casa... Já ouvi desculpas melhores... Não achas que já chega? Está na altura de fazer as pazes. É que por este andar nem no natal do ano 2050 vão trocar presentes.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam riu, enquanto abanava a cabeça. Tentava desvalorizar o assunto, mas Alison estava sempre lá para o acordar, cheia de humor. Ela só queria ir para onde Liam fosse. Guardar todas as piadas para fazer Liam rir e, em cada mesa, guardar-lhe um lugar. Amava-o á dois verões, mas queria mais, queria-os a todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isto complicou, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não acredito.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, mas ele tem que ter noção do que diz.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Todos cometemos erros, Liam. Todos nos arrependemos de coisas que fizemos no passado e dizemos coisas sem pensar nas consequências, mas isso não quer dizer que o Javier deixe de ser de confiança</strong> - Explicou. Alison sempre teve um coração grande e um irrepreensível espírito. Ela queria mesmo que tudo voltasse ao normal entre os dois amigos. Por que lutar contra aquela amizade é como estar num ringue de <em>box </em>sem luvas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quero que ele te aceite.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E aceita! Mas não podes falar-lhe um bocadinho e depois nada. Tens de continuar a insistir!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não estou com paciência, Alison</strong> - Ele disse quando sentiu as mãos atadas. Bufou. <strong>- Tenho que ir... Ainda vou para o Resort. Tenho um turno duplo à minha espera.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison olhou-o, por um minuto, sem nada dizer. Percebeu que ficou chateado, mas também não punha culpas em cima da loira. Para Alison, era excruciante vê-lo para baixo. Só queria levantá-lo e nunca largá-lo. Foi então que lhe veio à cabeça uma coisa, mas talvez não corresse conforme planeado. <strong>- Tens razão, desculpa. Jantamos juntos amanhã? Eu levo comida. Frango?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Frango... Perú... Tanto faz</strong> - Encolheu os ombros, desinteressado. Levantou-lhe o braço e, em seguida, caminhou para os balneários. Era esta atitude que relembrava Alison que, talvez, o amor deles fosse torto.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Espero que tenham gostado do capítulo! O regresso de Isobel e Alison a tentar, por tudo, que Liam termine a zanga com Javier 🤔</p>
<p style="text-align: right;">Muito obrigado pelo apoio! 😊</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:582432019-09-01T11:00:00Capítulo 3 - "Saviour"2019-08-30T06:47:22Z2019-08-30T06:47:22Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 3 - Saviour</em></p>
<p> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 526px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="4.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2a18832a/21542911_VZdLm.jpeg" alt="4.jpg" width="600" height="357" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu até gostei de ver o <em>Black Panther</em>, mas o prémio devia ter ido mesmo para <em>Star is Born</em></strong> - Liam defendeu a sua posição, entrando, após a loira, na casa dos seus progenitores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já percebi que tens uma queda pelo Bradley Cooper, mas eu é que devia ter</strong> - Lançou para o ar, mordiscando a língua. Pousou a mala e as chaves sobre a mesa da cozinha, terminando logo a conversa descontraída, assim que se apercebeu da presença do irmão, que lhes apareceu de imediato. A loira despiu o casaco. <strong>- Oh, olá Chad.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá, Liam... Al...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison dirigindo-se para as escadas ao acesso superior, explicou o motivo da sua presença:<strong> - Vou levar mais camisolas quentes para a faculdade. O frio é mais que muito</strong> - Sim, aquele inverno parecia não dar tréguas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já me tinha perguntado se ias voltar...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Chad, claro... Liam, fazes-me um favor? Podes esperar na sala?</strong> - Liam assentiu, deixando a divisão em menor segundos possível. <strong>- Obrigado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chad mordia o lábio, impaciente. Ultimamente parecia ser assim... Ver a irmã era sempre a correr. Mas aquele não era um dos melhores dias para Chad. E a loira percebeu, de imediato. Provocar discussões que ninguém vence, não era um bom plano. Mas, dar a sua paz de espírito, trás paz de espírito?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Chad, não. Não faças isso. Tu não estás preparado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Preparado para quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu sabes</strong> - Ela disse, encolhendo os ombros. <strong>- Por quê... Agora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tanto faz, Al. Tens de voltar... Tens de voltar como eras...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Conversas sobre os mesmos assuntos também esgotam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não posso. Eu já não sei como é a ser a Lexi</strong> - Apenas disse, muito calma.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Queres saber o porquê? De "<em>agora</em>"? Por que na semana passada marcou 5 anos do massacre e tu pareces... Francamente...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Feliz?</strong> - Alison tirou as palavras da boca de Chad. Sem medos, começara a aceitar o facto de poder ser feliz. <strong>- Claro que sim! Eu sobrevivi! O Liam tem ajudado...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chad bateu na mesa. Parecia muito revoltado, até meio obcecado com o assunto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, tu e o Liam... Voltaram? Estão a namorar? É isso?</strong> - Chad mandou para o ar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim... Acho que podes pôr as coisas dessa maneira</strong> - A loira admitiu, também confusa. <strong>- Eu contei ao Liam... E o que falta contar... Vai ser contado com o tempo. Ele não tem pressa de saber. Entendes o que te estou a dizer? Ter alguém que percebe a minha mente... É um nível de intimidade totalmente diferente. Eu parti-lhe o coração... Duas vezes. E Ele voltou a correr para mim. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Só estás com ele em metade de ti. Ele vai deixar-te. Sabes bem disso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Talvez, Chad. E para o bem dele é bom que o faça.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A minha irmã não é maluca.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sabes que sou.</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://giphygifs.s3.amazonaws.com/media/b45SLz0XXypVe/giphy.gif" alt="Julianne Hough GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;">Subiu as escadas, entrando no quarto. Chad seguiu-a. Alison já procura as suas camisolas, em silêncio. O amor sempre é complicado, em cada relacionamento. Mas como seres humanos, perdoamos. Voltamos a amar. Ter o coração partido, uma vez que seja, é bom. Significa que tentaste.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não estive lá para ti, é isso que queres dizer?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não faz mal, Chad</strong> - A loira disse e sem dar tempo para o irmão responder, continuou:<strong> - Sofreste à tua maneira. Mas já passou, tens de largar isso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Al... Tu disseste-me! Provavelmente não te lembras, mas... Tu disseste-me. Para ir embora.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu estava a morrer, Chad!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chad tinha consciência que todas as emoções que a irmã não ultrapassava, como o medo, a mágoa, a tristeza, destruíam a sua qualidade de vida, limitando a liberdade de ser feliz. Mas ser a Alison era algo que ainda não compreendia. Era como se estivesse ali, todo aquele tempo, e não estivesse. Sendo uma pessoa estranha a ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sabes, aquela festa que me levaste? O Liam estava lá, tu provocaste-o e ele disse-te umas quantas, lembras-te? Ele tinha razão. Não me lembro de muito, mas lembro-me disto: Tu visitavas-me todos os dias, depois das aulas. Mas depois, as visitas passaram a ser semanais, mensais, até que deixas-te de ir. Eu sei que estavas na faculdade e nunca, nunca te irei apontar um dedo que seja, por muito que doa </strong>- A loira recordava, olhando pela janela, não tendo ninguém. Recordar um coração partido, também era difícil.<strong> - A mãe disse que também tentavas arranjar uma solução para mim, para o meu problema, e é exatamente isso, Chad. Tu magoaste-me. E continuaste a magoar-me. Estavas tão ocupado em ser o meu salvador, que me deixaste totalmente sozinha.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu não és isto... Tu não és a... Alison.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Queres que diga tens razão? Tens razão, Chad. Eu criei a Alison para sobreviver. Talvez viver, um dia. Para sair daquela cama de hospital e enfrentar o mundo. Eu não desisti! Todos os meses eu pinto o meu cabelo, sabes por quê? Por que, quando vejo a raiz morena, vejo a tua Lexi. Assustada naquela sala. Eu sei que não compreendes, mas eu sinto-me Alison. Neste momento, loira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu tento.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu encontrei a paz que precisava, a minha paz, sendo a Alison</strong> - A loira admitiu, olhando para o irmão. Os olhos dele estavam vidrados, o que lhe trazia alguma tristeza. <strong>- Quero que encontres a tua paz.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> - Tenho saudades tuas. Tenho saudades da minha irmã Alexis. De 15 anos. Morena. Eu não odeio o Liam, como poderia? Ele deu-te vida. Apenas... Olho para o Liam e ele é do tipo de homem com quem a minha irmã nunca ia namorar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não faças isto ser sobre o Liam</strong> - Respondeu, fechando o saco. Olhou à janela. O caminho de regresso à faculdade ia ser molhado. Chovia novamente. Aproximou-se do irmão, notando-o mais sereno. Prometeu que o visitava com mais brevidade <strong>- Eu amo-te, Chad. Amo-te mais do que a Alexis te amou e, quero que faças parte da minha vida, da vida de Alison, mas tens de largar um bocadinho da Alexis para ser feliz.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">O que acharam desta conversa entre os irmãos Parker? 😲😭</p>
<p style="text-align: right;">Contem-me tudo nos comentários!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:579712019-08-17T11:00:00Capítulo 2 - "Friends Will Be Friends"2019-08-14T14:33:10Z2019-08-14T14:33:34Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 2 - Friends Will Be Friends</em></p>
<p style="text-align: left;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img class="" style="width: 478px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9218489a/21531759_n5WIj.jpeg" alt="1" width="635" height="474" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ei, Javier. Os livros não se leem sozinhos </strong>- Chamou a atenção do espanhol que, sentado, de frente para a mesa redonda, com os livros em cima, olhava para o vazio da janela. Voltou a cabeça lentamente e Liam aproximou-se.<strong> - Em que estás a pensar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Apenas... Na noite de ontem</strong> - Javier recompou-se na cadeira, livrando um suspiro. <strong>- Tu e a Alison já tinham ido embora... A Wendy continuou com o seu discurso... De certeza que estava bêbeda... Ela admitiu. Foi ela que fez a denúncia. Sobre o rapaz do <em>campus</em> que vendia os DVD's piratas... E foi ela que fez com que eu passasse aquela noite na cela... E me voltasse mais contra o Eric...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh... Lamento imenso, Javi... er. Javier.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javi. Javier. A maneira como Liam o tratava sempre tinha importância. E aquela pequena hesitação, antes da correção, deu-lhe esperança. O arrufo ia passar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, eu também</strong> - Concordou. Aquela mais parecia uma espiral sem fim. <strong>- Sempre acreditei que fosse o Eric... Quer dizer, éramos amigos e, antes de virmos para a faculdade, não falámos mais. Entretanto, parece que já encontraram a pessoa responsável. E não é de descendência latina.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está claro...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Talvez devesse falar com o Eric</strong> - Foi uma ideia que passou pela cabeça de Javier.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele também não tem estado no seu melhor...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, mas não sei... Isto já dura à demasiado tempo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam assentiu.<strong> - Oh, e obrigado por defenderes a Alison. Ela gostou. E do pijama também.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que ela mereceu... Depois de tudo. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O silêncio voltou e Liam ia voltar costas. Por que continuava zangado. Subitamente, lembrou-se do pedido e exigência de Alison. Conversar com Javier. Não como dantes, mas tentar, da melhor forma que conseguir. Respirou mais fundo e, sem hesitar:<strong> - Como está a tua vida?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier estava surpreendido. Pelo menos, o seu olhar demonstrou. <strong>- Acho que está a melhorar... Tenho estudado... Com a Hayley. E... O meu pai ligou.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele vai a umas consultas, numa clínica... Por causa do seu problema com a bebida.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Que raio mais sabes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A Alison foi a casa, à umas três semanas... Ela estava estacionada e viu o teu pai sentado num banco. Ela disse-me que não conseguiu arrancar sem lhe ir falar. Conversaram, muito calmamente, e concordaram em ver umas clínicas. Após uns telefonemas, um diagnóstico, ela conseguiu inscreve-lo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier voltou a sentar-te. Era como se, num momento, perdesse toda a força do corpo. <strong>- Ela fez mesmo isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E depois, voltou à loja de conveniência, onde o teu pai trabalhava, e perguntou ao gerente se admitiam o teu pai de volta. Contou-lhe tudo pelo que a tua família estava a passar, incluindo que está a ultrapassar o problema da bebida e, por isso, precisava mesmo do trabalho. Ele foi lá uns dias depois e, nessa noite, ligou à Alison a contar a novidade.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela fez mesmo isso?</strong> - Javier perguntou novamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, Javier</strong> - Liam confirmou. O arrufo ia passar, mas não agora. Não neste dia, portanto, disse-lhe, antes de ir para o seu quarto. <strong>- Depois da maneira como a tratas-te, ela fê-lo. Portanto, da próxima vez que pensares nela como uma instável com tendências suicidas... Lembra-te disto.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier mal podia acreditar que Alison fez tudo por ele. Alguns erros têm consequências maiores do que outros. Mas o resultado de um erro, não pode definir as nossa vida para sempre. Há que avançar. Defender Alison, na festa da noite passada, foi o primeiro avanço.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img class="" style="width: 505px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="2" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bad18f10a/21531763_W5DPL.jpeg" alt="2" width="625" height="363" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em Little Italy, também houve progressos. Hayley subiu ao último andar e bateu à porta. Do outro lado, a loira abriu, deixando-a entrar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vi como a vossa colega, a Wendy, não é?, te tratou, na noite passada e... Bom, é óbvio que não mereceste... Então, pensei também na forma como eu te tratei, em tudo o que te disse e pensei... Eu não te odeio</strong> - Ela afirmou, após um constrangedor silêncio, encolhendo os ombros. <strong>- Como poderia?</strong> - Sim, como poderia, ela?</p>
<p style="text-align: justify;">Percorreu toda a cozinha. Todo o espaço permanecera igual, desde que abandonara a residência. Até Alison parecia estranhamente igual.<strong> - Eu tive muito tempo para pensar.</strong> - Hayley recomeçou. <strong>- Para juntar todos os pontos. A ressaca, no dia seguinte, não ajudou. Os segundos não paravam, e, eu achava que ias entrar por aquela porta a qualquer momento. Então, foi mais fácil escrever o bilhete e sair. Mas depois tu voltaste, e eu não sabia o que te dizer. Eu devia ter insistido e conversado contigo. Ouvir o que tinhas a dizer. Apoiar-te. Pelos menos... Era o que um amigo deveria ter feito.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison escondeu um riso, revirando os olhos, ironicamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não acredito no destino. Não acredito nessa obra macabra que me tira o Bill para, anos mais tarde, te conhecer a ti. Ou ao Javier. Por que nenhum de vocês é melhor do que ele. E, ontem, preferi-o a ele.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então por que vieste?</strong> - Alison finalmente proferiu, no canto da cozinha, de braços cruzados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por que, hoje, escolhi-te. E amanhã, vou voltar a escolher-te. Escolhi seguir em frente, contigo. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por quê? Se eu te lembro do Bill...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isso é uma coisa com a qual tenho de viver. De seguir em frente, Alison. Tal e qual tu. De maneiras diferentes... Mas tão iguais. Tu és uma bênção. Um milagre.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mas ele não está cá. E não vai voltar, Hayley. O Bill não vai voltar, toma consciência disso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu estás. És a mulher mais corajosa que conheci. Alexis, Alison, tanto me faz...Tu seguiste em frente. É por isso que te quero como minha amiga. Por que quero seguir em frente também.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Seguir em frente. Simples de dizer, não é? Fechar o círculo, fechar a porta, terminar capítulos, já não interessa o que chamam, o que interessa é deixar no passado esses momentos da vida que já passaram. Hayley estava disposta a isso, quando as lágrimas lhe escorriam. Tal como disse, simples de dizer. Alison também já pensou muito nisto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ainda não me decidi quanto ao destino... Não sou o Liam, com todas as ideias organizadas</strong> - Procurou por palavras, enquanto controlava a respiração<strong>. - Mas eis em que acredito: nenhuma amizade acontece por acidente.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, acho que tens razão.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não tenho muitos amigos</strong> - Alison disse logo. Somente o que já sabíamos<strong>. - Jeito também não... Mas prometo dar o meu melhor e ser melhor contigo. Ser... Verdadeira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei que sim, Ali</strong> - A morena já entre soluços, que tentava disfarçar.<strong> - Desculpa, desculpa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Limpou as lágrimas enquanto se sentava no sofá, quase que nem deu pela falta da loira, que se ausentara por meros segundos. Sentou-se também, voltou a mão de Hayley, colocando-lhe duas chaves na palma. Queria-a de volta no apartamento. A morena sorriu, olhando-a.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estou a tentar dizer-te isto desde o dia em que te conheci... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, em que vos conheci</strong> - Claro que tudo voltava a Liam. Volta sempre, não é?<strong> - A ti e ao Liam... Vocês, têm uma cumplicidade, uma dinâmica incrível... Mesmo daquelas que saem de livros ou filmes... No outro dia, ele publicou uma fotografia vossa no <em>Instagram</em>. Digo-te que, mesmo sem descrição, ele não escreveu nada, me fez tão feliz que até vieram lágrimas! Não vês que isto é tudo um sinal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sinal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que sim! Apenas... Veste a tua roupa favorita e vai... O Liam está à espera! Aproveita muito a vida com ele. Por que... Ele fala de ti como se pusesses as estrelas no céu...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que, às vezes o Liam fica confuso...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Confuso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não sou essa pessoa, Wendy. Não consigo ser a pessoa que ele idealiza...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Liam sabe exatamente quem tu és. Por isso é que está contigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Muito obrigado por continuarem desse lado!</p>
<p style="text-align: right;">Para tornar o vosso sábado melhor, trago-vos um capítulo 🥰</p>
<p style="text-align: right;">Espero que tenham gostado.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:576612019-08-10T13:00:00Capítulo 1 - "Two Steps Back"2019-08-10T11:17:24Z2019-08-10T11:18:38Z<p style="text-align: center;">Parte III</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 1 - Two Steps Back</em></p>
<p> </p>
<p><strong><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://49.media.tumblr.com/a5eacbf1f1eb5f8a1d33086bc8104a7b/tumblr_nm17g913o91smfis3o2_500.gif" alt="" /></strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Miúda? Olá...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ainda bem que vieste</strong> - Alison assegurou, atirando-se para os braços de Liam. O seu abraço, reconfortante, fê-la sentir segura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu fiz o que tu disseste... Fiquei com o Javi o resto do dia... Deitei-me pelas dez horas, mas não consegui adormecer... Então fui deitar-me no sofá... Eu ia respeitar o que pediste... Nem sequer liguei...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- N... Não faz mal...</strong> - Ela arrastou, entrando no apartamento. Liam acendeu um candeeiro e, quando reparou, Alison já estava no quarto. No seu quarto. Entrou, também. A mala e o blusão foram atirados para o chão. Ela estava deitada na cama, olhando o teto fixamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Queres alguma coisa para comer?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não. Chega cá</strong> - Pediu.</p>
<p style="text-align: justify;">Liam também despiu a sua <em>sweatshirt</em> e deitou-se ao seu lado, mantendo uma distância considerável. Ela voltou-se para o observar e depois reconheceu: <strong>- Ainda bem que estás aqui. Tu... Tu tinhas razão. Eu não posso continuar a remexer a ferida... És a única pessoa a quem consegui contar... Lembras-te? Apenas contar? Com a Hayley... Eu... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Revives-te. Eu vi, Alison... Eu vi-o nos teus olhos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não posso voltar a reviver aquilo... Tive um ataque de pânico. E, desculpa não ter dito nada mais cedo, mas... Acredita... Não tenho a certeza da altura certa em que a memória se transformou num sonho. Num momento, parecia que me ouvia e via a Hayley, todos vocês, no momento seguinte, eu estava naquela sala, a aspirar o cheiro da pólvora, do sangue...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javier deu-te um café, lembras-te?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acordei quando dobrei a esquina, tinha um café na mão e uma idosa gritando para cima de mim. Se o Javier me deu o café ou se o roubei? Não sei dizer-te.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam aproximou-se, e puxou-a para si. Ele é que não sabia o que responder-lhe. Considerou o silêncio a melhor opção. Ela continuava confusa e, novamente, as palavras só a iam deixar pior. Mas, ao admitir que tinha razão, que o rapaz sabia e queria o melhor para si, era um passo importante - o reconhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Alison, quando menos esperou, o passado voltou para a atormentar.</p>
<p style="text-align: justify;">Uns minutos passados, Liam notou a sua respiração mais regular. Deu-lhe uma carícia na sua mão e depois, quase segredando:<strong> - Eu também te amo, miúda</strong> - Respondendo-lhe, à sexta-feira passada.</p>
<p style="text-align: justify;">Alison voltou-se para ele. Ele parecia muito calmo, muito seguro de si, enquanto continuava a abraçá-la. Era um conforto, um apoio. Ao olhá-lo, fugazmente, viu o mundo através dos seus olhos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img style="width: 552px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="3.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B161741a8/21529007_zzsnz.jpeg" alt="3.jpg" width="633" height="335" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ei Liam, é melhor te apressares... A tua miúda está numa briga. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A Alison? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta ficou suspensa, correndo, com o seu interlocutor. Tratando-se especialmente de uma festa da Fraternidade, na noite de Domingo, a hipótese de Alison aparecer na festa era inexistente. Contudo, "a tua miúda" não é algo que ouvisse constante e só podia referir-se à loira. Vinha de um colega, trocavam apenas algumas palavras na aula de Pedagogia do Desporto, mas sempre atento. Tão atento que percebeu as trocas entusiasmadas de olhares. Ou talvez só tenha percebido que Liam não tirava os olhos de Alison.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se aproximou, a discussão já estava acessa. Com Wendy, claro. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu disse que ia descobrir o teu segredo e descobri. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, e agora? Vais seguir-me para sempre, contar a toda a gente pela qual tenho um mínimo de afeto? Obrigar-me a fugir e voltares a fazer exatamente o mesmo? É esse o teu plano? Viver a minha vida? Então e se eu não fugir?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim! Vou contar para toda a gente saber!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu salvei a tua vida! </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O circulo formado era cada vez maior, como sempre, palavras de incentivo de ouviam. Javier e Eric lá estavam, assim como Hayley. Liam não quis meter-se. Agora, finalmente, entendia o desespero de Eric, quando lhe falou sobre a vingança, sádica, da Wendy.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu nunca serias capaz de contar... Salvei-te da humilhação.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Wendy estava mais agitada. Gritava e voltava-se para todos os lados, dando um enorme, enorme espetáculo. <strong>- Antes de ti, eu tinha um namorado, amigos... Todos nós éramos amigos, sabias? FOSTE TU. A CULPA É TUA. DESTRUÍSTE TUDO!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não precisei de fazer nada, por que tu fizeste tudo a ti própria. Como sempre, precisas de atenção. Queres bater-me? Queres bater-me para te sentires melhor? Para não te sentires triste pela mulher ridícula em que estás a tornar-te?</strong> - Alison baixou os braços. Não ia ripostar mais. Deu um passou em frente, provocando-a. <strong>- Força, Wendy... Estou mesmo aqui.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não!</strong> - O grito era o de Liam, evitando o conflito. Empurrou algumas pessoas até alcançar Alison e tirá-la dalí. </p>
<p style="text-align: justify;">Javier também se chegou à frente: <strong>- Pára com isso, Wendy. Tu falas que a Alison é isto e aquilo, a vilã da tua história mas... Eu estou aqui à, sei lá, talvez cinco minutos e só te oiço a ti a insultá-la. Não ouvi, nem por um segundo, a Alison a virar-se contra ti. A contar o teu segredo, como tu dizes, a esta gente toda que o desconhece. Espero que não estejas a esquecer que quem começou tudo... Foste tu. Podes continuar a gritar-lhe, ela não vai virar-se contra ti. Ela é demasiado bondosa para o fazer.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Olá a todos/as! 😎</p>
<p style="text-align: right;">Ainda está alguém por esse lado?</p>
<p style="text-align: right;">Eu estou de regresso para a Parte III, a última de <em>I Can't Take My Eyes Off You</em>. Quem está entusiasmado? ✋</p>
<p style="text-align: right;">Deixem, num comentário, os vossos desejos e suposições para esta Parte III.</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:575942019-03-16T11:00:00Capítulo 28 - "Know It All"2019-03-13T16:06:38Z2019-03-13T16:10:02Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 28 - Know It All</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img class="" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="I" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6818d29b/21383000_AZpP8.jpeg" alt="I" width="405" height="500" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ei, Lexi, tens uma caneta?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não</strong> - Ela voltou-se, de cara serrada, quase julgando-o. - <strong>Não tenho uma caneta. Não tenho uma caneta por que é a quinta vez, este mês que me pedes e nunca devolves. Tu e o teu amiguinho.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os dois rapazes olharam-se e soltaram um riso glorioso. Um deles, espicaçou-a. <strong>- Uh, o período chegou mais cedo este mês? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Menos barulho aí atrás, turma. Lexi, volta-te para a frente... Vamos todos abrir o livro na página 54 e observar a gravura.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os sussurros chamaram a atenção da professora. E não, só. Leah, uma das suas acarinhadas amigas, não hesitou em tomar o seu partido. <strong>- Nem te atrevas a dar ouvidos por que os homens são...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ratos</strong> - Disseram as duas amigas, ao mesmo tempo, rindo-se.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Lexi! Onde está o teu livro?</strong> - A professora perguntou, quase esgotara a paciência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpe, devo tê-lo deixado no cacifo</strong> - Sentiu um toque, no cotovelo. A sua colega do lado, partilhara o seu. <strong>- Obrigado</strong> - Sorriu-lhe e pegou na caneta. As duas seguiram a aula durante uns minutos, até Alexis, se voltar, novamente para trás, dando mais conversa a Bill e Todd.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, e inesperadamente, ela viu Samuel, tirar a arma da mochila.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- BAIXEM-SE!</strong> - Gritou, quando já tinha disparado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não, não podia ter sido tarde de mais. Agachada, debaixo da mesa, as mãos tapavam-lhe os ouvidos, abafando os gritos. Era só uma terça-feira normal, que acabou sendo surreal. Chegou à sua mala e muito trémula marcou o número de emergência, 911, no seu telemóvel. Levantou-se, e deparou-se um cenário chocante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh, meu Deus! Leah... Não, não...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bill puxou-a para baixo. <strong>- Merda, Alexis, que estás a fazer?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Era a Leah</strong> - Disse, testemunhando a morte da sua amiga. O aparelho caiu no chão, enquanto chorava compulsivamente. Foi abraçada pela sua colega do lado, abafando o seu choro. As mãos cobriam o rosto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Todd foi tentar abrir uma janela</strong> - Bill explicou, juntando-se às raparigas. Ouviu-se outro tiro, Bill voltou-se. Fora Todd. Por instinto e raiva, atirou-se a Samuel. Tinha de fazer justiça pela morte de Todd. Gritou: <strong>- SEU CABRÃO!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, Bill, por favor</strong> - Pediu Alexis, julgando implorar para Bill não as deixar, inutilmente. O verdadeiro suplicio ainda não tinha começado. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Lexi, toma</strong> - A sua colega do lado, muito trémula, passara-lhe o terço. O seu bilhete para a sobrevivência.</p>
<p style="text-align: justify;">Agarrou.<strong> - Desculpa, mas eu não sei.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Fecha os olhos e repete o que eu digo. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Colocou os olhos em Samuel, quando este rodava a arma em direção às duas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img class="" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="II" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9d17538a/21382999_Qlu30.jpeg" alt="II" width="500" height="288" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Todos sabem como termina a história.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam agarrou na mão de Alison. Tornara-se um hábito comum que os tornava mais próximos. </p>
<p style="text-align: justify;">Possivelmente, as respostas contentaram Hayley, que esquecendo os gritos, ficou em silêncio durante uns momentos. Posteriormente, pousou os olhos, derramando lágrimas, em Alison, que percebeu exatamente o que, desta vez, queria saber.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O teu Bill não sofreu. Teve morte imediata. Ele foi muito corajoso em manter-se... São... Se é que é possível.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois disto, Hayley não fez mais nenhuma pergunta. Ausentou-se, de seguida. Javier também se afastou, afirmando que ia comprar uns cafés. Foi a deixa de Alison para sair dali. O ambiente estava muito pesado, muito constrangedor.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Liam teve as suas dúvidas, os seus receios. Sentia-se ansioso. <strong>- Eu não... Desculpa, miúda, mas eu não me sinto muito à vontade para te deixar ir sozinha...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não vai ser como da outra vez, está bem?</strong> - Ela tentou descansá-lo. Explicou-lhe que a situação era diferente. Não, não ia colocar-se em frente ao comboio das onze horas ou desafiar o universo. Precisava sim, de um instante, sozinha, para respirar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Podes ligar-me, mais logo? Apenas para conversarmos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vou estar a trabalhar no clube, quando chegar a casa já vais estar a dormir... No sofá</strong> - Ela disse, jovialmente, na tentativa de quebrar o gelo e a preocupação. <strong>- Amanhã é outro dia</strong> - Ela prosseguiu, sorrindo-lhe. Javier aproximou-se, com três cafés. Tirou um e agarrou na sua mala. <strong>- Eu levo este para o caminho.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Distanciou-se dos rapazes e virou na esquina, ao fundo da rua. Metros à frente, encostou-se à parede, arfando. Uma febre e calores repentinos, o peito parecia explodir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Querida, sente-se bem? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, sim, fantástica. Muito obrigado</strong> - A loira apressou-se a responder à idosa, que por ali passava, à medida que tentava caminhar. Chegou a casa e procurou logo na sua gaveta de emergências, o comprimido certo. Tomou-o com o café que Javier lhe oferecera. Afundou-se no sofá, recuperando as energias. Quando se sentiu em condições, arranjou-se e conduziu até ao Clube, para o seu turno.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrou-se e perguntava-se se Hayley estaria bem. Na verdade, Alison ficou sem perceber se, estas respostas, sólidas, a libertaram ou se a aprisionaram, tristemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegava por volta da uma hora. Desacelerou o passo, apercebendo-se que alguém a esperava, sentado nas escadas do prédio. Quando confirmou, agilizou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Miúda? Olá...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ainda bem que vieste</strong> - Alison assegurou, atirando-se para os braços de Liam. O seu abraço, reconfortante, fê-la sentir segura.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Olá a todos/as! 🥰</p>
<p style="text-align: right;">Muito obrigado por acompanharem e lerem, eu espero que estejam a gostar. Este capítulo marca o final da Parte II. É, sem dúvida, muito emotivo e ficamos a conhecer mais pormenores da história da Alexis.</p>
<p style="text-align: right;">A Parte III será a última.</p>
<p style="text-align: right;">Deixem as vossos desejos e suposições sobre a continuação da história 😊</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:571662019-03-10T11:45:00Capítulo 27 - "Til I Hear It From You"2019-03-10T11:38:14Z2019-03-10T11:38:14Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 27 - Til I Hear It From You</em></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="4.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bf917c581/21378689_UEi88.jpeg" alt="4.jpg" width="500" height="333" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Hola, hermano</strong> - Cumprimentou-o quando entrou, vindo da sua corrida. Já o tinha procurado no <em>Resort</em>, na faculdade e até no café do costume. Só lhe restou esperar no apartamento, visto que o seu carro continuava estacionado. Liam soltou um "olá", duro, cínico e pouco surpreendido, enquanto se dirigia para o quarto. Javier seguiu-o, tentando meter conversa. <strong>- Pensei que tinhas mudado a fechadura...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu moras aqui... Por que raio iria fazer isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, tu sabes</strong> - Arrastou, percebendo que Liam não lhe dava a mínima atenção. Primeiramente tirou a sua <em>tshirt</em>, amarrotando-a, caminhando para a casa-de-banho. Despiu as calças de fato treino e, de seguida, os boxers. <strong>- Passei pelo Resort, falei com o Logan, disse que me ia admitir na próxima semana...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Que bom... Bom para ti</strong> - Admitiu, fechando a cortina do chuveiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Dez minutos depois, Liam saiu e, ainda enrolado na toalha, caminhou para o quarto. Javier já lá estava, sentado na cama. Levantou a cabeça quando sentiu a sua presença <strong>- Desculpa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foi tão cínico e arrogante da tua parte, Javier... Ela continua a defender-te, sabias? Sempre a insistir que devia ligar-te... Se ela, ao menos, soubesse...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Interrompidos pela campainha. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás à espera de alguém?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Da Alison, sorridente, energética. Que entrava, surpreendida com a presença do espanhol. O silêncio entre os dois amigos significava que tudo estava na mesma. Liam murmurou-lhe um "olá, miúda" e em menos de três minutos vestia o blusão. <strong>- Vão sair? Ia preparar uns <em>snacks</em>... Também podes ficar</strong> - Javier olhou em específico para Alison.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, ela não pode</strong> - Liam confirmou logo. <strong>- E eu também não. Temos um compromisso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, dá-me só dois minutos</strong> - O espanhol pediu, correndo ao quarto. Voltou com dois sacos e estendeu-os. Alison abriu logo o seu, enquanto Liam, à defesa, suspirou. Enquanto isso, Javier continuou o seu perdão: <strong>- É um presente. De paz. Para vocês. Comprei-o mais para... Foi mais para me redimir, mas... É sempre útil e... Super fofinho... Até podiam tirar uma fotografia!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Javi</strong> - Liam chamou, sorrindo um pouco, vendo o conteúdo do saco. Cedendo... Por momentos, esqueceu a briga, voltou a ser o amigo de sempre. <strong>- Estou a tentar ser um durão do desporto e tu ofereces-me um pijama a condizer com o da Alison? E ainda dizes que temos de tirar uma fotografia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- CLARO! O <em>Instagram</em> adora fotografias românticas...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison e Liam entreolharam-se, como pensando no mesmo. <strong>- E se eu te disser... Que não estamos juntos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não faz mal... Vão estar num futuro breve, eu sei.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam baixou os olhos, começando a apressar. Pegou no guarda-chuva, empurrando delicadamente e, sem querer dar nas vistas, a loira para a saída. Porém, ela continuava a olhar para o espanhol, e nem Liam foi capaz de lhe conter as palavras. <strong>- O nosso compromisso é com a Hayley... Queres vir connosco? Sei que também tens uns assuntos a resolver...</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media0.giphy.com/media/T4i2uzPk0a7XG/giphy.gif" alt="Imagem relacionada" /></p>
<p style="text-align: justify;">Encontravam-se há quinze minutos sentados, os quatro, num pequeno parque infantil, abrigados num telheiro, fora do <em>campus</em> da faculdade. Sábado, agreste tarde de chuva e diálogo inexistente. Não foi assim que nenhum deles, imaginou a conversa. Trocava olhares com Liam, minuto sim, minuto não, apenas para confirmar que tinha sido boa ideia. Sem certezas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ganhou coragem: <strong>- Não sei que hei-de dizer-te, Hayley...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Estava tranquila, consciente. Não queria descontrolar-se, muito menos em frente aos dois rapazes, mas sentia uma enorme revolta dentro de si. Previamente, constatou fatos: <strong>- Tu estiveste lá... Tu estiveste lá e nunca disseste...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu lamento...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foi isso que disseste ao Liam quando soube? Já tens uma desculpa preparada para toda a gente que descobre?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, não tenho...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Claro que Alison se sentia culpada. Arrependida, também. Todas as lembranças se esfumavam em saudade, estranheza. Alguma confusão, perdida em restos. Justificava-se como podia, através de ansiedades, compreendia o sentimento. Javier pediu calma, não havia necessidade de Hayley desbaratar daquela forma. Mas parecia que, quanto mais o espanhol falava, mais enervada Hayley ficava. Principalmente com as desculpas equilibradas de Alison, ainda pior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu viste o meu Billy morrer! Depois deixas-me viver contigo, por pena, só pode! Eu conto-te coisas pessoais, e nunca dizes nada... Nem o teu nome verdadeiro! Como pudeste?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os gritos da morena começavam a perturbar Alison. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Precisamos de calma... Vá, Hayley...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu precisas de calar a boca, também não fizeste melhor que ela.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javier tem razão</strong> - Falou Liam pela primeira vez. Afastou-se, quanto pode. A conversa não era com ele e os acontecimentos também não. Porém, tinha de intervir. Anulava tudo de Alison, e dizimava Javier. <strong>- Tu já desabafaste, a Alison pediu desculpa. Estamos obviamente muito abalados... Já chega...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, não chega! ELA É DOENTIA</strong> - Voltou-se para Alison, olhando-a, pela frialdade de abandono. Rematou, com algo que há muito pensara. <strong>- ODEIO-TE! Odeio-te para sempre! Devias ter morrido! TU! Quero dizê-lo até me apetecer... Por que não é justo! Ele é que devia estar vivo, não tu!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei, Hayley... Tens toda a razão... Ele teria gerido a situação muito melhor do que eu geri... Por que ele tinha-te. E eu não tive ninguém</strong> - Confessou, cedendo. <strong>- Naquela sala... Eu vi a vida, os sonhos, as esperanças, de todos eles... A serem arrancados. Brutalmente. Não quero voltar a ver aquilo ou pessoas magoadas... Digo-te, Hayley, sabia da tua existência, mas nunca, nunca, relacionei as coisas... Por que... A probabilidade da minha colega de casa ser a ex-namorada do falecido Bill... Era nula.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O mundo é muito pequeno, não sabes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Lamento, mesmo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Diz-me... Diz-me como foi.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Espero que tenham gostado 😉. Contem-me tudo nos comentários!</p>
<p style="text-align: right;">Alguém curioso/a pelo próximo capítulo? ✋</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:569962019-02-19T12:00:00Capítulo 26 - "Keep Going"2019-02-19T11:30:08Z2019-02-19T11:30:08Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 26 - Keep Going</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 393px; height: 221px;" src="https://media.giphy.com/media/16COHjHH7ZEJi/giphy.gif" alt="julianne hough" /></p>
<p style="text-align: justify;">Janeiro decorria solitário. O sol de inverno aquecia os dias frios. Para Liam, as aulas na faculdade arrastavam-se. No seu ramerrão, simples, contínuo, como um rio claro, sem história. O melhor dos seus dias, era Alison, claro.</p>
<p style="text-align: justify;">Quinta-feira. Avistou a rapariga, sozinha, como era habitual, numa mesa redonda, na biblioteca da faculdade. Estava tão concentrada no estudo que só deu pela chegada de Liam, quando este já estava mesmo ao seu lado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá!</strong> - Ela saudou, muito bem disposta. Liam, esticou-lhe um pequeno e simples ramo de rosas, que escondia nas suas costas. Fez-a corar. Agarrou-o, cheirando o agradável aroma. <strong>- Obrigado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam sentou-se, aproximando-se de Alison, que não escondia o seu sorriso.<strong> - O que é, miúda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tenho uma novidade. A Hayley ligou-me. Está interessada em se encontrar comigo, este fim-de-semana, para conversarmos...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Queres que vá contigo? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Podes vir, claro.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mas...?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já não sinto medo, Liam... Ou vergonha</strong> - Ela disse, agarrando-lhe as mãos. Alison esteve parada na tempestade. Mas agora, estava pronta. <strong>- Ela já sabe quem eu sou, não há que ter medo... Vou contar-lhe a verdade, se ela perguntar. Tu ajudaste-me a ultrapassar... E o meu coração...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam interrompeu, pouco confiante. <strong>- O teu coração... As feridas do teu coração... Não vão sarar se tu continuares a remexer, a abrir a ferida. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A loira ficou em silêncio, que se alastrou, entre ambos. <strong>- Liga ao Javier...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por quê? Estou assim tão irritante?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Para saberes como está, onde está, se os pais se vão divorciar...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Alison...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpa ter duvidado de ti</strong> - Ela disse logo, não o deixando falar. <strong>- Como é que fui capaz de pensar que o Javier, o teu amigo, irmão, seria capaz de contar o meu segredo? Não sabemos quem contou à Hayley, as hipóteses nem são muitas, mas o Javier não foi... É por isso que tens de ligar... Por que sinto que foram as minhas dúvidas que causaram essa briga...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não foram...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu amo-te</strong> - Ela disse-o, depois de suster a respiração. Deixou o ar sair e ajeitou o ramo de flores. Liam parecia surpreso. Mas era a verdade. Ela amava-o. Sem principio e sem fim. Apenas de uma maneira que uma rapariga pode amar um rapaz. Então ela disse-o.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela primeira vez.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://data.whicdn.com/images/320036818/original.gif" alt="gif and sam claflin image" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá, Alison... Liam, tudo bem?</strong> - Eric aproximou-se de repente. Liam e Alison afastaram-se um pouco, e a loira fechou os seus cadernos. Já Eric, mantinha as mãos nos bolsos, nervoso. <strong>- Espero não estar a interromper nada...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Que se passa, Eric?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sentou-se, mesmo não sendo convidado. Encontrava-se perturbado, com a barba por fazer, tamboleando com os dedos opressivamente. <strong>- Eu ia ficar de boca fechada. Já temos problemas suficientes, eu e o Javier, principalmente, e não queria arranjar mais. Mas, tenho pensado muito nisso, nessas almas irrequietas por atenção... Já não sou uma delas. A vida é tão curta... Não quero chegar ao meu próximo aniversário, sem ter as coisas resolvidas com ele... Onde é que ele está?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Há duas semanas que não falo com o Javier, não posso ajudar-te.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que lhe vais dizer? -</strong> A pergunta de Alison fez Liam bufar. Por que é que hoje ela tinha de estar tão simpática? Especialmente para Eric? Continuava o mesmo cretino de sempre e, duvidava, mesmo com a ajuda de Alison que fosse mudar. Olhou-a. Ela queria tanto ajudar Eric.<strong> - Por que... </strong><strong>Não faz sentido estarem sempre na disputa. Ele magoa-te. Tu magoas-o de volta. Achas isso bem? Qual é o objetivo? Talvez um dia encontrem uma maneira de se perdoarem mutuamente, mas não vai ser como era dantes... Por que essa dor... Nunca vai verdadeiramente embora. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eric ficou pálido de surpresa, olhando para a loira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sentes-te bem?</strong> - Alison perguntou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu... Eu não consigo... Fingir que não sei de nada... Por que, eu estive lá, e depois, em vez de lhe enfiar um <em>shot</em> abaixo para a calar, virei costas. Tu és tão boa... Quer dizer, eu amei aquela rapariga e, fico, estúpido com as atitudes dela... Calores doentios... A merda de uma vingança, como forma de vida...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Do que estás a falar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foi a Wendy. A Wendy contou à Hayley, nas férias do Natal... Sobre ti. Alexis.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">A Parte II está mesmo a terminar e eu ainda nem acredito... Será que vamos ficar por aqui?</p>
<p style="text-align: right;">Espero que tenham gostado e boa semana 🥰</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:567142019-01-26T11:00:00Capítulo 25 - "Gone Maybe Gone"2019-01-22T11:15:42Z2019-01-22T11:15:42Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 25 - Gone Maybe Gone</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://data.whicdn.com/images/276220240/large.jpg" alt="alex pettyfer image" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ajudou a loira com o seu saco de fim-de-semana. Porém, quando chegaram, em vez de chá, Natalia e Liam tinham arranjado uma rápida refeição para os quatro.</p>
<p style="text-align: justify;">Natalia lembrava-se de Alison, numa das festas que o filho deu. Acha a loira encantadora. Depois do jantar, indicou-lhe o quarto em que ia dormir. Enquanto isso, Liam e Javier foram dar uma volta pelas ruas do bairro. Tinham ainda muito para conversar e, deixar a mãe e a loira sozinhas era bom para se conhecerem melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Javier sentia necessidade de se esclarecer, em frente ao amigo <strong>- Eu pensei que, mesmo se te contasse, não ia mudar nada... E tu estavas tão... Feliz, ansioso, pela viagem com a Alison... Estava errado...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, de certeza que não te tinhas despedido!</strong> - Liam ripostou logo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A Ali...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que tem?</strong> - Perguntou-lhe, suspirando, após um breve silêncio do espanhol. Mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desde a cena do comboio, tenho a certeza... Ela não é como nós. Sabe que, por muitas tempestades, sobrevive. Sempre. E, às vezes, nós não temos de saber isso. Somos jovens, seres humanos, temos de ter medos...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela tem os seus medos...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Liam, vá lá, pára e pensa por um minuto. Ela não preserva a própria vida</strong> - Javier não hesitou em dizer, muito calmo. Já Liam, achava-se a delirar, revirando os olhos. <strong>- Quer dizer, se não ligar os faróis, à noite, na autoestrada, provavelmente tenho um acidente. Se me colocar em frente a um comboio, provavelmente morro... Ela também sabe isso, mas já o fez... Portanto... Ela é perigosa!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás a ouvir o que dizes? Que raio se passa contigo? Falta dois para o Natal, e ela não hesitou em vir comigo, dos Estados Unidos para a Venezuela, para te encontrar e tu não paras de insultá-la. Sabes o quanto ofendida ela iria ficar, se te ouvisse, agora? Agradeço a tua preocupação mas, ela esteve sempre lá para mim e é tão raro encontrar alguém assim... Sem querer nada em troca.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Liam, eu sou teu amigo. Sou o teu melhor amigo. O teu irmão. O teu parceiro de crime. Sou os teus olhos quando não queres ver...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ver o quê? A devoção que tem por mim? Pela nossa relação, seja de que género for? Até pela nossa amizade, tua e minha, ela é devota. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier ir, lentamente, absorvendo as palavras. Liam não queria que Alison se fosse embora, não queria deixá-la ir. Desejava ficar com ela. Trazer-lhe café, mesmo quando forem grisalhos e velhos. Beijar-lhe a testa, todas as manhãs e até o via a levar as crianças para a escola. <strong>- Apenas, pára, Liam. Pára de olhar para ela.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- NÃO CONSIGO</strong> - Ele gritou, como se explodisse. Bufou, e voltou costas, caminhando na direção de casa de Natalia. O passeio tinha terminado. Disse-lhe, como se Javier não soubesse: <strong>- Estou profundamente apaixonado por ela. Eu acho que ela sabe, mas também acho que só vou deixar de amá-la até o meu coração parar. Não posso perdê-la, outra vez. Vai matar-me. </strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p> </p>
<p class="sapomedia images"><img class="" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7618d43a/21325062_UnVez.jpeg" alt="1" width="493" height="500" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Fico muito triste por irem tão cedo</strong> - Dizia docemente, Natalia, ajustando o cachecol à volta do pescoço de Liam e depois o casaco. Abraçou-o, como querendo agradecer-lhe a visita, e sorriu-lhe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Muito obrigado pela hospitalidade.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Recebeu Alison nos braços, após suas palavras sinceras. Voltou-se para o descendente, que estranhamente, no dia seguinte, estava cabisbaixo. A brusca decisão de Liam, deixou-o assim. <strong>- E, tu, Javier, não queres voltar com os teus amigos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quando se sentir preparado</strong> - Liam não deixou o espanhol responder. <strong>- Sabe onde encontrar-me.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Na faculdade, claro</strong> - Natalia fez questão de frisar, recusando a decisão do filho. A buzina interrompeu os pensamentos de todos. <strong>- Deve ser a vossa boleia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam estendeu a mão a Javier, que a apertou, suavemente. Sem abraços ou carícias, apenas um leve aberto de mão. Javier estava pálido e inexpressivo, apenas murmurou: <strong>- Tenham cuidado com a neve, adeus</strong> - Enquanto subiu as escadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais umas palavras a Natalia e finalmente saíram da residência, entrando no táxi. O caminho até ao aeroporto foi feito sem nenhuma troca de palavras. Entraram no avião e acomodaram-se. Liam ficou junto à janela. Irritado, pois não conseguia colocar corretamente o cinto, Alison ajudou-o a terminar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Obrigado</strong> - Ele disse. <strong>- E, peço desculpa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pelo quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ter gritado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison olhou-o, como se se assegurasse que podia falar. Calculou: <strong>- Não acredito que te zangaste com o Javier por minha causa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não zanguei...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É por isso que vamos apanhar o primeiro voo para o Estados Unidos?</strong> - Liam bufou, cruzando os braços. <strong>- Olha, não faz mal... O que quer que ele tenha dito... Até deve ser verdade.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não é... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sou uma suicida. É parcialmente verdade. Sobrevivi à morte uma vez, mas quis testá-la novamente. Então pus-me em frente ao comboio das 22h. Tu apareceste. E podíamos ter morrido os dois. Foi o que ele te disse, certo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javi precisa de tempo... Para colocar as ideias em ordem. Depois disso, se ele quiser, pode regressar a casa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ou regressamos nós a casa dele.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Fora de questão</strong> - Quando se voltou para Alison, já ela o olhava. Aquele olhar honesto, compreensivo e, de certa forma, justo. Ele sorriu-lhe, apertando-lhe a mão. <strong>- Tens de parar de ser tão boa para mim, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Gostaram? 😊</p>
<p style="text-align: right;">Bom fim-de-semana!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:563392019-01-13T11:00:00Capítulo 24 - "Ties That Bind"2019-01-12T11:43:13Z2019-01-12T11:43:13Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 24 - Ties That Bind</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://i.pinimg.com/originals/9e/73/4c/9e734cb6b58980b194c19a58773a19bf.gif" alt="Resultado de imagem para salma hayek gifs" /></p>
<p style="text-align: justify;">Entraram na sala, dando com Natalia, mãe de Javier, encostada a uma janela, espreitando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Que se passa, <em>madre</em>? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está uma linda <em>guapa</em> lá fora.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É a namorada do Liam.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam riu, não desmentindo, e depois informou: <strong>- Ela não vai entrar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E por que não?</strong> - Perguntou Natalia, fechando a cortina. A troca de olhares entre Liam e Javier, fizeram a desconfiança sobressair. Aproximou-se do filho, cruzando os braços <strong>- O que fizeste tu, Javier Rodriguez?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu? Por que é se supõe sempre que a culpa é do espanhol?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Javier!</strong> - A progenitora gritou-lhe, chamando-o à razão. Lançou-lhe aquele olhar. Aquele olhar que só as mães sabem fazer que, por vezes, nos fazem tremer. Ele olhou Liam, numa tentativa de o ajudar a sair daquela situação. Sem sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- <em>Madre</em>... Eu... Posso ter-lhe dito umas coisas menos simpáticas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Natalia levantou a sobrancelha. Falou-lhe daquela maneira rápida, energética, que unicamente os sul-americanos sabem <strong>- Então, ela fez inúmeras milhas apenas para ficar dentro do carro...? Por algo que tu disseste?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isso mesmo</strong> - Foi Liam a falar, apoiando Natalia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela é jovem, linda, estamos em Dezembro, na Venezuela, e é quase noite... Arrasta esse rabo lá fora, colocas o melhor sorriso que tiveres, pedes-lhe desculpa e convidas-a para nossa casa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não vou fazer isso...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vais</strong> - Desta vez, pareceu-lhe mesmo convincente. <strong>- Enquanto eu vou preparar um chá. Ajudas, não ajudas, Liam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Claro</strong> - Liam confirmou, dando o braço à mãe de Javier. Este, bufafa enquanto olhava pela janela.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="1.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bca18b17f/21309597_ulevd.jpeg" alt="1.jpg" width="500" height="336" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, parece que tenho de aceitar as tuas desculpas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu é que sabes</strong> - Saiu-lhe, bruto, e só depois percebeu que Ali se metia com ele. Na verdade, o plano que imaginou, enquanto caminhava para loira, era mesmo o de atacar. Comandar a conversa <strong>- Eu e o Liam vamos ser amigos até virarmos fantasmas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E... Eis o problema: Ele ama-te, mas também me ama a mim. E não quer um drama digno de filme, como se tivesse de escolher entre um de nós. Eu concordo - já sofreste o suficiente por um país inteiro. Portanto, parece que vamos ter de nos suportar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison olhava-o. Sempre tão serena, e dizendo o mais acertado, fez com que Javier percebesse que ela não fora a namorada comum do Liam, tinha sim, algo de especial, e desejou não ter dito o que disse. <strong>- Falas como se me odiasses. E isso não é verdade. O que me disseste, em Chicago, não eras tu a falar. Era o teu desespero. No momento que viste a tua família a despedaçar-se, viste o Liam a afastar-se, com uma loira, de adolescência conturbada, a sua nova apaixoneta, que conhece à dois dias e se atravessou à frente de um comboio, desafiando a vida. E lamento imenso por isso. Aliás... Por tudo... </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O espanhol sentou-se ao lado da loira, baixando a agressividade e explicando o que realmente vai no seu coração. <strong>- Esta situação da minha <em>madre</em> com o <em>padre</em>... Deixa-me muito triste.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei e, por isso... Sentires ciúmes de mim... É apenas estúpido e sem sentido. Já tens muito em que pensar. Eu não quero ser um problema para ti. Da próxima vez, por favor, Javier, fala com o Liam... Mesmo que ele pareça estar ocupado... Nunca o vai estar para ti. Fala com ele... Não tens de te sentir perdido</strong> - As palavras ecoaram na cabeça de Javier. Alison tinha razão em tudo o que disse. Voltava sempre, àquela manhã, de Chicago. <strong>- Eu sei que não devia ter-te respondido assim também, mas... Já passou tanto tempo que eu... Fiz algum amigo... E, às vezes, parece que já não sei como funciona.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh, Ali...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ela suspirou. É tão comum dizer o que a outra pessoa quer ouvir, para despachar a conversa, em vez de lutar pelo que importa. E ser verdadeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Javier quebrou os seus pensamentos. <strong>- O Liam disse que a Hayley sabe... Não fui eu. Não falo com a Hayley à semanas... Acredita...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está bem.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei que sou bruto e o pior amigo de toda a história, mas sou incapaz de revelar o teu segredo. Mesmo com a Hayley...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim</strong> - Ela disse <strong>- Não faz mal.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já não.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, vais fugir?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É o mais provável, não é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Liam vai contigo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não sei...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom... Posso ir com vocês?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Feliz 2019, para os melhores leitores de sempre! 🎉</p>
<p style="text-align: right;">Obrigado pela paciência! A espera valeu a pena?</p>
<p style="text-align: right;">Contem-me tudo nos comentários 😊</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:561122018-06-09T11:00:00Capítulo 23 - "Ch-Ch-Changes"2018-06-08T18:47:25Z2018-06-08T18:47:25Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 23 - Ch-Ch-Changes</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://78.media.tumblr.com/e6babae85318196ca1bfd70eb5cef0de/tumblr_og3cg4F29c1qcbrdqo2_500.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Liam</strong> - Alison apareceu, vinda do quarto em frente, dos pais de Javier. Encostou-se à ombreira da porta. Liam tinha conseguido ligar o portátil de Javier e todo o seu interesse estava na máquina. <strong>- Eu acho que a mãe do Javier não mora cá... Há meses. Longos meses.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não há uma única peça de roupa de mulher nas gavetas... O armário está cheio de pó. Não há frascos de perfumes ou boiões de creme... Maquilhagem, nada... Ela foi-se embora.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam ficou mais pensativo, voltando a olhar para o ecrã. Alison era, deveras, uma mulher inteligente. Se calhar, a mais inteligente que alguma vez conheceu. Era óbvio que ela conseguia ajudá-lo. Mesmo com o silêncio, após subirem ao primeiro andar, ajudava-o a pensar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então e o pai dele? Só encontrámos pó, contas por pagar e cerveja... Nem uma decoração de Natal... Do Javier também não há sinal... O que é que se passa com esta família?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javier, como qualquer bom espanhol, é muito ligado à família, especialmente à mãe, portanto...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Se encontrarmos a mãe...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Encontramos o Javier</strong> - Liam concluiu. Reuniu a informação que sabiam, acompanhado por gestos. <strong>- Eles separaram-se. Ela foi-se embora. Mas, então... Para onde foi?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Para casa de um amigo, familiar... Conheces algum?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim... Uns primos no Indiana, ahm... E também há...</strong> - Ele parou. A loira não lhe tirava os olhos. De cabelo apanhado, lábios vermelhos e uma gargantilha <em>soft</em>, apenas pensou que aquilo não podia ser bom sinal. <strong>- Oh, não...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O quê?</strong> - Alison perguntou, inutilmente, vendo Liam vasculhar, de forma quase desesperada, as gavetas e murmurando <em>Não, não, não</em>.<strong> - O que é que procuras?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O passaporte, Alison! Não está cá...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Talvez esteja no vosso apartamento, da faculdade.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele negou. Tinha a certeza que Javier não levou o passaporte para a faculdade. Vasculhou a gaveta toda. Parou, sério. Mais calmo, voltou a colocar tudo no sítio. <strong>- Eu sei onde está o Javier.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Onde?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Venezuela</strong> - Afirmou, enquanto procurava pelo seu telemóvel.</p>
<p style="text-align: justify;">Alison viu-o mexer numa aplicação qualquer de compra e venda de bilhetes para voos. E também viu que só colocou 1 quantidade. Resmungou logo: <strong>- Então e eu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu não vens, miúda</strong> - As desculpas passavam pelo facto de, nesta época do ano, os voos se atrasarem e, não queria arriscar que Alison não estivesse em Chicago pelo Natal. Por que os seu pais iam compreender, tratava-se de Javier, afinal, mas os de Alison, depois do que já passaram, só queriam a sua menina em casa. Porém, Alison argumentava em ir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tens a certeza? Faltam apenas dias para o Natal... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, não há ninguém, mais do que tu, com quem queira passar o Natal... Mesmo num país estranho.</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img src="https://78.media.tumblr.com/3600ede55a5c7714676df8ae8190b57e/tumblr_inline_p7ltzzl3fi1syo0jf_250.gif" alt="image" /> <img style="width: 236px; height: 163px;" src="https://78.media.tumblr.com/06d820ef6e8b9fcf4927311e20530be8/tumblr_inline_p7ltzyOKaX1syo0jf_250.gif" alt="image" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Confio em ti para lhe incutires algum juízo, Liam</strong> - Foram as palavras doces da mãe de Javier, enquanto encaminhava Liam para uma sala, nas traseiras da casa. Estava zangado com Javier, mas felicíssimo por o ver.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim que a porta bateu e Javier se voltou, parecia surpreendido por ver o amigo ali. Longe de casa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não me deste outra alternativa... Faltas ao exame, despedes-te... Como queres pagar a faculdade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A escola acabou para mim</strong> - O espanhol disse logo, não dando hipóteses de Liam continuar. Puxou uma cadeira e fez sinal para se sentar. Liam tirou o casaco e assim o fez, em silêncio. Quando se sentiu preparado, ou sentiu Liam mais calmo, começou: <strong>- Vê, mano. O meu velho pai tem um problema. Desde que perdeu o emprego, vive com a garrafa. Diz que é velho demais para trabalhar, mas o corpo dele é muito jovem para ter aquela aparência. A minha mãe deixou-o e foi-se embora. Há três meses.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não fazia ideia...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nem eu! Quando o Dave me ligou, não sabia o que pensar. Na altura não consegui falar com a minha <em>madre</em>, então, num fim-de-semana, vim a Chicago e descobri tudo. Repreendi o meu <em>padre</em>, mas a <em>madre</em>... Já não estava nos Estados Unidos. Apanhei o primeiro voo para cá e tenho estado com ela desde aí. Ela deixou-o por que... Quer mais da vida do que ele pode oferecer...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam suspirou e passou a mão pelas costas do amigo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vou deixar a escola e tratar do meu pai.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É esse o teu plano?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não tenho um plano, Liam...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei, é por isso que tens de ouvir-me. Tu trabalhas-te muito para entrar naquela faculdade... Não vais entregar tudo a perder... Entrámos na faculdade para fazer o nosso curso, ter uma boa vida e ser alguém. Começámos isto os dois, juntos, Javi...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, já não somos dois...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sobre a Alison? Outra vez?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É tudo sobre ela!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isto, não é. É sobre ti. E o que é sobre ti, é sobre mim também. Sem a Alison, apenas tu e o eu</strong> - Ele começou por explicar, sério, distanciando as situações. <strong>- Eu tenho um plano, para nós... Sim, nós... Eu sou teu amigo, Javier... Vou recuperar o teu trabalho, e tu, no início do novo ano, inscreves-te na 2ª fase do exame. Só tens de fazer um... Vai correr bem!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então e o meu <em>padre</em>?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A porta voltou a abrir-se, interrompendo a conversa. Era a mãe de Javier, chamando os rapazes. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Espera, Liam, como é que... Me encontraste?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por acaso, foi bastante fácil</strong> - Liam admitiu, dando um pequeno riso. Antes de seguir, explicou tudo ao espanhol: <strong>- Entrámos na tua casa. E... Acabámos por encontrar umas cartas antigas entre a tua mãe e a sua amiga daqui, da Venezuela... O destinatário era sempre o mesmo... Isto foi à dois dias atrás. Assim que aterrámos colocámos logo essa morada no GPS...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Obrigado pelo apoio, até ao próximo capítulo 😍</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:560622018-05-12T11:00:00Capítulo 22 - "Stuck on You"2018-05-11T10:38:44Z2018-05-11T10:38:44Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 22 - Stuck on You</em></p>
<p> </p>
<p><img class="irc_mi" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://i.skyrock.net/0366/89370366/pics/3185731791_1_2_ocd5EN9m.gif" alt="Imagem relacionada" width="500" height="205" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela sabe, Liam! A Hayley sabe quem eu sou. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Franziu, enquanto fechava a porta, lentamente. Alison passou-lhe o bilhete que Hayley deixara. Era um papel amarrotado, dizia: "<em>Desculpa, Alexis. Eu também não queria que fosse assim.</em>", leu de imediato, a letra inquieta. Hayley tinha pressa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não faz mal, miúda</strong> - Tentou descansá-la, enquanto subiam ao terraço. Puxou de duas cadeiras e, ao sentar, só de olhar para o infinito dos olhos da loira, Liam percebeu, mas não queria. Ganhou coragem: <strong>- Mas... Tu disseste que não ias embora. Outra vez.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ainda não disse nada...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não precisas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Era inegável que Alison queria sair. Ir embora era fácil, sempre foi. O pior, era saber o que fazer a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela descobriu, sim, e então? Sempre que alguém descobrir vais fugir? Mudar a tua vida, os teus planos?</strong> - Questionou, como suplicando para não o deixar. <strong>- Não, não, Alison, por favor. Tu não tens de fugir mais, eu já te disse, não tens de fugir de ti... Tens o coração mais partido que alguma vez conheci, mas isso acabou. Estou a apanhar todos os pedaços, até os mais pequeninos, aqueles que cortam os pés, por ti. Podes parar de correr, de fugir. Ou... Ou, fugimos os dois </strong>- Acabou por lhe sair, em desespero. Alison soltou um riso. <strong>- A sério! Tu conheces-me, e sabes que, se estou aqui, contigo, é por que vales a pena. Tu não vais desistir por que eu também não vou.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Passou a mão pela cara de Liam, preparando-se para mais uma revelação. Aquela em que se sentia culpada. <strong>- Eu e a Hayley tivemos sempre ligadas... Eu é que percebi isso tarde demais.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O ex-namorado dela, o Bill, que lhe ofereceu o colar... Era meu colega de turma... Morreu no massacre.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tens a certeza?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A Hayley mostrou-me a fotografia deles... Depois disso, não podia mandá-la embora. Tinha acabado de mudar-se para cá e não tinha desculpa. O que lhe dizia? Que tinha mudado de ideias e preferia viver sozinha? Que o dinheiro dela não ajudava para pagar as contas? Logo, a Hayley. Nunca nos víamos... Só tínhamos uma aula juntas. Depois da faculdade ia trabalhar para a pastelaria só regressava ao final da tarde. Trazia bolos, bolos! A essa hora eu já estava no clube e quando voltava de madrugada, já ela estava a dormir. O que poderia correr mal? A melhor colega de casa de sempre.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Passou as mãos pelo rosto. Era tarde, o seu raciocínio também estava mais lento. Não sentia tanto frio, como de início. Era sempre assim. Estar perto de Alison deixava-o bem. Porém, escolhia cuidadosamente as palavras para tentar compreender:<strong> - Mas a Hayley não conhecia... a Alexis?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não... Ela andava noutra escola. Eu... Sabia que a namorada do Bill se chamava Hayley, sabia da história do colar... Mas, quando vi o colar, aqui, muito sinceramente... Não relacionei as coisas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é que ela soube?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison não respondeu logo, mas tinha um palpite. Receosa:<strong> - Javier... Provavelmente. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não!</strong> - Ele quase gritou, defendo o amigo. <strong>- Claro que não! Sei que ele está zangado ou parvo, ou o que quer que seja, contigo, mas não ia contar. Juro-te.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não jures. O Javier e a Hayley passaram algum tempo juntos, Liam, é uma verdade, ele pode ter dito.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás errada...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison interrompeu:<strong> - Não jures. Não ponhas as mãos no fogo!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás errada, Alison!</strong> - <em>Alison</em>. O nome ecoou na mente de ambos.<strong> - Estás errada... Miúda. -</strong> Ele corrigiu, mais calmo.<strong> - Vou provar-te. Vamos encontrar o Javier e ele vai dizer-te.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>*** </strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="irc_mi" src="https://media.giphy.com/media/W2QqzV6hcDDNu/giphy.gif" alt="Resultado de imagem para matt bomer serious gif" width="500" height="238" /></p>
<p style="text-align: justify;">Veio o silêncio. E uma chuva forte. Desceram ao apartamento e Alison insistiu para Liam ficar lá. Ir agora para a rua, sem necessidade, era constipação certa. Ele concordou, afirmando que ficava no quarto vago, de Hayley.</p>
<p style="text-align: justify;">Não dormiu nada, só voltas e mais voltas, analisando toda a situação. Continuava sem estar aborrecido com Alison, sabia que coisas aconteciam, mas tinha tanta, tanta fé no seu amigo. Na manhã seguinte, ainda cedo, conduziu até à oficina de Dave.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Aqui está o meu mano! Que tal vais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estou bem, Dave... Então, o que sabes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Passei pela loja de conveniência, como já vos tinha dito, lembras-te? Ele nunca estava. Há umas, duas semanas, acho eu, encontrei o dono. Disse-me que o pai do Javier já não trabalhava lá à três meses. Nessa tarde liguei-lhe... Apenas a perguntar onde poderia encontrá-lo... Ele não sabia de nada. Na semana passada apareceu cá, sozinho, com uma conversa que tinha de sair de Chicago por uns tempos. O carro dele continua à porta de casa... Toca lá... Se calhar está caído na banheira, de ressaca.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A ressaca está a sair-lhe cara. Um colega do <em>Resort</em> ligou-me... Na sexta passada o Javier despediu-se e como se não bastasse... Faltou ao último exame</strong> - Anunciou, encolhendo os ombros. Aconchegou o gorro, afastando-se.<strong> - Vou passar lá agora, obrigado! Cumprimentos ao Chad!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vá, Liam, não provoques!</strong> - Ainda ouviu o irmão dizer, entre um riso.</p>
<p style="text-align: justify;">Avançou com o carro, e estacionou-o atrás do de Javier. Caminharam às traseiras. Alison seguiu Liam, sempre atenta ao caminho. Veio-lhe à memória uma festa do espanhol, a primeira em que compareceu, e recordou a sua conversa com Liam, encostados mesmo aquele muro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é que sabias que havia aí uma chave?</strong> - Alison perguntou, curiosa, após ver Liam agachado, desenterrando, de um vaso, uma pequena chave.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É estúpido, mas... O Javi diz que posso entrar em casa dele, a qualquer hora. Não preciso de convite, de tocar, de mandar mensagem antes... Nada. Quis dar-me a sua chave suplente, um dia. Eu recusei. Mas ele continuava a insistir e concordámos que ficaria no vaso. Assim foi... Só nós sabíamos... Agora tu.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Assim que passaram a porta, depararam-se com um estado de desarrumação extremo. Não havia sinais que alguém estivesse sequer a habitar a casa. Alison abriu o frigorífico, observando o seu interior - várias cervejas e alguma comida rápida - quando voltou à questão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então... Ele deixa sempre a chave ali?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mesmo quando nos afastámos, a chave continuava lá</strong> - Liam respondeu, remexendo em algumas cartas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é que sabes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vim cá, numa noite, sim, à noite, não queria dar o braço a torcer, mas queria vê-la. Queria ter a certeza que era um arrufo passageiro. E finalmente percebi, enquanto a chave estiver aqui, há confiança...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison sorriu genuinamente.<strong> - Não é estúpido, Liam, é adorável. Era disto que falava, ainda ontem!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Cheio de revelações, não acharam? 🤫</p>
<p style="text-align: right;">Que raio se passa com o nosso Javier?</p>
<p style="text-align: right;">Tudo isto e muito, muito mais, incluindo Hayley, nos próximos capítulos! 😨</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:557772018-04-25T11:00:00Capítulo 21 - "Out Of Time"2018-04-23T22:05:00Z2018-04-23T22:05:00Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 21 - Out of Time</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://data.whicdn.com/images/281280216/large.jpg" alt="alex pettyfer, david, and jade image" /></p>
<p style="text-align: justify;">O dia seguinte, por incrível que parecesse, correu dentro da normalidade. Quando Liam desceu já Alison estava a pé, preparando o pequeno almoço. O tempo estava bom, apesar de frio. Sugeriu-lhe que fossem dar uma volta pela vila, para o rapaz ficar a conhecer alguns recantos turísticos. Almoçaram no tão falado restaurante das tostas mistas e à tarde, mais um passeio. Desta vez, a um mercado ao ar livre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vais levar isso? É um peixe</strong> - Liam observou, surpreso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei</strong> - Ela respondeu, fingindo-se mais admirada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sabes cozinhar isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sei</strong> - Admitiu, guardando a carteira. Liam pegou no saco, ainda desconfiado. Uns metros à frente, a loira explicou-se. <strong>- Viver sozinha tem destas coisas. Tive de aprender a cozinhar... Comida. Comida a sério. A <em>Internet</em> ajudou, o <em>Master Chef</em> ajudou... E não te preocupes, é um Robalo</strong> - Alison piscou-lhe o olho, esboçando um sorriso maroto, como se tivesse a espicaça-lo. <strong>- Tem poucas calorias.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam sorriu-lhe de volta, dando-lhe um pequeno encontrão. Continuava a olhá-la, como sempre. Sentia-a descontraída e numa paz incomparável. </p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Regressava da sua corrida matinal, posteriormente. Guardou o telemóvel num dos bolsos, antes de penetrar na casa. Ainda arfava, quando percebeu que Alison já se encontrava a pé. Cumprimentou-a, com um leve beijo na nuca. Ela voltou-se e, inesperadamente afirmou: <strong>- Vamos embora. Hoje.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um silêncio curto foi o suficiente para Liam perceber o motivo.<strong> - Não, não Alison... Não por causa disto.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, vamos</strong> - Ela disse, impondo-se. <strong>- Cada vez que te vejo numa tentativa de chamada, vejo-te assim. E não pode ser. As férias não são para ser passadas assim... Com preocupação. Portanto, vais lá a cima, tomas um banho, arrumas as tuas coisas e partimos o quanto antes. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não vamos largar tudo por causa do Javi... Ele não está desaparecido.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A Hayley também não atende as minhas chamadas...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Coçou levemente o queixo. Ele não queria regressar, o ar dos <em>Hamptons</em> fazia-lhes bem, mas não saber do Javier à uma semana era obviamente estranho. A loira acondicionava coisas no frigorífico, essa fora a última tentativa:<strong> - Mas compraste imensa comida, ontem...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Os meus pais chegam no fim-de-semana</strong> - Contrapôs. Pareceu-lhe que as desculpas de Liam tinham acabado, quando este suspirou: <strong>- Eles também precisam de comer.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Assentiu, enquanto se arrastava para o primeiro andar. </p>
<p style="text-align: justify;">Duas horas passadas, partiram.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://data.whicdn.com/images/236133744/original.gif" alt="actress, gabriella wilde, and beautiful image" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estive a pensar, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Má ideia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele olhou-a, quase desmanchando-se a rir. <strong>- Talvez o Javier esteja com a Hayley... Já o conheces um pouco, sabes que ele é super brincalhão, podem estar a pregar-nos uma partida.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, fugiram juntos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás a falar a sério?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não!</strong> - Ela exclamou, não muito convincente. <strong>- Talvez.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E soltaram uma grande gargalhada.<strong> - Tu és engraçada, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que disse, nos <em>Hamptons</em>, sobre a vossa amizade, foi verdade. As amizades são muito mais trágicas que o amor... Por que dura muito mais.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Com esta exceção, a viagem de regresso foi feita em silêncio. Quando abasteceram o carro, na bomba de gasolina, Liam colocou o seu braço à volta dos ombros de Alison, como tanta vez o fazia. Ela gostava dessa sensação, mas só agora, percebeu o que significava, para si. Era uma sensação de pertença, a sensação que poderia ser alguém... Bom. Bom para o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Iam rápido. Tão rápido que lhe parecia estar bêbeda. Alison, de cabelos ao vento, sentia a brisa. A liberdade. </p>
<p style="text-align: justify;">A luzes da cidade estavam diante deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixou Alison em <em>Little Italy</em> e regressou ao <em>Campus</em> da universidade. Como de esperar, Javier não estava em casa. Tentou acalmar-se, não pensar mais no assunto, mas a falta da sua presença era notável. Separou as suas roupas e tomou um duche, enquanto processava toda a viagem aos <em>Hamptons</em>. Na verdade, ele não queria saber o que ela lhe tinha contado, apenas o que tinha partilhado, e ainda partilha, com ele, naquele serão. Fê-lo perceber o que significa não só estar vivo mas, a cima de tudo, viver. Foi isso que a viagem aos <em>Hamptons</em> significou.</p>
<p style="text-align: justify;">Já não queria estar chateado... Por que as chatices só complicam. E as pessoas tendem em complicar as suas vidas, como se ela já não fossem suficientemente complicadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Era noite quando se atirou para o sofá e bocejou, distante. A casa estava demasiado silenciosa. Uma luz no seu telemóvel piscava incessantemente. Olhou-a um pouco, antes de pegar.</p>
<p style="text-align: justify;">Era uma mensagem de voz. Da Alison.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;">"<em>Olá, sou eu. Eu sei, eu sei que ainda nem duas horas passaram desde que saíste daqui, mas... Podes passar por cá? Quer dizer, senão estiveres a dormir.</em> (breve pausa)<em> Sabes? Apenas... Apaga isto.</em>"</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Claro que ele foi direitinho ao apartamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá, miúda! Que mensagem esquisita foi aquela?</strong> - Ele comentou, rindo, enquanto entrava. Alison estava com cara de caso, segurando freneticamente um papel.<strong> - O que se passa?</strong> - Perguntou, finalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela sabe, Liam! A Hayley sabe quem eu sou. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Bom feriado para todos/as e boas leituras 😍</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:554612018-02-17T11:00:00Capítulo 20 - "I Was Made for Lovin' You"2018-02-16T16:52:42Z2018-02-16T16:53:16Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 20 - I Was Made for Lovin' You</em></p>
<p> </p>
<p><img class="irc_mi" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://data.whicdn.com/images/203415756/original.gif" alt="Resultado de imagem para gabriella wilde gif" width="500" height="240" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É muito fácil dizerem... Esquece isso. Vais ficar bem. Tens 17 anos. Faz amigos. Sê social. Sai. Diverte-te. Diziam eles, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Ninguém imagina, ninguém percebe como é... Explicar que fui a única sobrevivente.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu prometo-te</strong> - Liam respondeu logo de seguida, como se não pensasse noutra coisa, enquanto se aproximava da rapariga. <strong>- Não tens de explicar nada, nunca mais, a ninguém.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ela sorriu. <strong>- Tudo teria sido mais fácil se tivesse morrido. Para mim, para a minha família... É a verdade. Não é que queira morrer, neste momento. Não quero. Mas... Há alguns dias, especialmente à noite, é muito complicado... Não consigo tirar o pensamento daquela sala... Tudo era mais simples... Se eu tivesse ido com eles... Os meus colegas. Mas tu... Tu pediste-me para ficar. Sem nunca tirares os olhos de mim, como se implorasses para ficar. Como se tivesses feito uma promessa própria...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Talvez tenha feito.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mas as promessas são assustadoras... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como qualquer outro voto</strong> - Ele completou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não me vou embora. Não quero ir</strong> - Ela disse, saindo-lhe do coração. Era óbvio que gostava de Liam, ele trouxe-a de volta à vida, como fazendo a sua promessa. Suspirou, continuando a explicar-se: <strong>- No momento em que parei de chorar... Parei de sentir. Não é como o Chad diz que eu não tenho sentimentos. Claro que tenho. Claro que fiquei feliz por ter entrado na faculdade e claro que adoro cachorrinhos. Detesto política. A diferença e, é o que o meu irmão, não percebe, é que... Não mostro. Não posso. Nos meses a seguir ao massacre, fiquei muito exposta. Por isso, parei. De sentir. Já não tenho 17 anos. Como disse, naquela tarde, em tua casa... Tu... Tu fazes-me sentir em casa. Tu fazes-me sentir... Alguma coisa</strong> - Encolheu os ombros, inocente. Estava emocionalmente arrasada, mas não o mostrava. Não sabia se o silêncio de Liam era um bom ou mau sinal. <strong>- És o meu núcleo. O meu círculo. E, o Javier... A vossa amizade... Vocês juntos... Enchei-me de alegria... E esperança.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> - Obrigado, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Às vezes dizes que sobrevivi por uma razão. Descobri essa razão. Tu</strong> - Ela concluiu, como se resumisse toda aquela conversa.<strong> - Eu sobrevivi por ti. Para te conhecer</strong> - A expressão de Liam mudou, não entendendo muito bem onde Alison queria chegar. Desta vez, precisava da sua explicação. <strong>- Acho que me conheces melhor do que eu própria... Então, sinto-me segura contigo. Tão segura... Que estou a contar-te isto. Não reviver, apenas contar, por que...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Se tivesses a reviver...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Os médicos, psicólogos, terapia, fizeram-me reviver... Contigo, estou apenas...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A contar</strong> - Ele afirmou, finalmente percebendo.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p> <img class="irc_mi" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://images6.fanpop.com/image/photos/35600000/AlexPettyfer-alex-pettyfer-35629204-500-265.gif" alt="Imagem relacionada" width="500" height="265" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, isto é completamente louco. Compreendo que queiras sair já por aquela porta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não quero.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu quereria</strong> - Admitiu, com um riso nervoso. </p>
<p style="text-align: justify;">Alison empilhou as chávenas e os pratos. Mais ansiosa do que quando começou, e talvez um pouco transpirada. Aliviada. Acreditava que chegava a uma altura, na vida de cada pessoa, um momento inegável de mudança, um conjunto de circunstâncias que, de repente, alterou tudo. Alison já teve o seu, e partilhou-o com Liam. Foi a decisão acertada, consciente e necessária.</p>
<p style="text-align: justify;">Estava apta para seguir em frente, verdadeiramente.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando ela o olhou, foi inesperadamente fácil para ela imaginar que todos os seus medos foram sem sentido. Que ele ia amá-la, sem se importar com o que lhe acabou de contar e que ele era um tipo de homem que a amou antes, e ia amá-la para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela percebeu tudo isto, só de olhar para ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Obrigado por ouvires.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Obrigado por partilhares</strong> - Levantou-se, seguido de Alison e aproximou-se, quase cedendo. Passou-lhe a mão pelo braço, cuidadosamente. <strong>- Não tens de te esconder... Eu amo-te, Alison...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ela afastou-se. Soltou um "<em>boa noite</em>" e subiu as escadas. Pouco depois ouviu a torneira da casa-de-banho do primeiro andar abrir. Alison fora tomar um duche.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixou-se cair no sofá e passou as mãos pelo seu rosto. Respirou, com esforço, na emoção que o sufocava. Ficara pensativo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando veio o silêncio, Liam também subiu para o primeiro andar. Parou em frente à porta do quarto de Alison, como se quisesse falar-lhe. Encostou-se à porta, e percebeu que chorava, entre soluços.</p>
<p style="text-align: justify;">Mexia com ele não entrar de rompente pelo quarto de Alison e abraçá-la, mas não podia. Sabia que ela precisava do seu espaço.</p>
<p style="text-align: justify;">Já deitado na sua cama, agradeceu à sua estrela da sorte, por também ter conhecido Alison. Lá fora, chovia. Voltou-se para o lado da janela, olhando para a tempestade e imaginando como Alison se sentiu, no meio da escuridão, das trevas, da dor.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Obrigado, obrigado!</p>
<p style="text-align: right;">Tem sido intenso, sem dúvida. Espero que estejam a gostar.</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:550682018-01-09T11:00:00Capítulo 19 - "When It Hurts So Bad"2018-01-08T22:22:21Z2018-02-16T16:53:41Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 19 - When It Hurts So Bad </em></p>
<p> </p>
<p> <img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 437px; height: 296px;" src="https://data.whicdn.com/images/133865648/large.png" alt="girl, hair, and sunset image" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foi um período muito duro. Eu estava... A dar em maluca. Visitei dezenas de psicólogos, levaram-me a Washington só para ouvir o homem a falar... Depois internaram-me, outra vez. Sentia-me tão pequena... Sem ninguém. Eu adormecia a chorar e acordava a chorar. Quando saí, estava ainda pior... É isso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh</strong> - Ele suspirou, preparando-se para a continuação. Sabia que havia mais. Tinha de haver mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quando saí, fiquei semanas sem falar com os meus pais, com o Chad, por vontade minha</strong> - Começou por explicar, encolhendo os ombros. <strong>- Estava em Nova Iorque, sozinha, revoltada. Perdi-me... As companhias não ajudaram e acabei por me drogar</strong> - Alison viu a expressão de Liam mudar e retraiu-se um pouco, com a não-aceitação. <strong>- Nunca contei isto a ninguém.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O choque fez Liam romper uma lágrima. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu estava... Sempre a tomar comprimidos. Para não sentir nada. Tomava comprimidos para acordar, para comer, para correr, para dormir. Tipo... Sempre. Foram comprimidos, tabaco e algum pó, que consumi, também. Eu divertia-me... A drogar-me. Até que me excedi. Um toxicodependente encontrou-me caída na rua, sozinha, uma noite, chamou uma ambulância e fui direitinha para o hospital. Disseram que estava quase do outro lado. As convulsões tinham passado, eu estava gelada. Esse foi o meu abre olhos. E sabes por quê? Por que não me lembro</strong> - Ela concluiu, brincando opressivamente com os dedos. Suspirou, ganhando coragem para continuar: <strong>- Não me lembro da pobre alma que me socorreu, do mês, não me lembro da temperatura, não me lembro da roupa que vestia... Portanto, Deus o proteja sempre. Depois de Nova Iorque, fui internada novamente. O médico considerou-me perigosa, então anulou as minhas visitas... Sedavam-me, mas o meu corpo rejeitava tudo... Alucinei mais do que quando... Me drogava. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam olhava-a, como se fosse a primeira vez. E a loira entendeu, mas continuou:<strong> - Ainda não sei se foi alucinação ou se foi um princípio de ficar sóbria, mas, lembro-me de ver, do outro lado do vidro, no corredor, a minha mãe chorar. O meu pai estava a reconfortá-la, mas... Foi desolador. Parei de chorar nesse dia. Comecei a pensar no que eu queria para a minha vida. Enchi-me de forças. Por mim e por eles. Três meses depois deram-me alta. Pintei o cabelo, mudei de nome...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Alexis...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foi Alison </strong>- Soltou um curto riso e escondeu uma pequena lágrima, limpando-a. <strong>- Todas as pessoas que sabem a verdade, não suportam a escolha que fiz. Mas deixa-me que te diga, Liam, eu fiz o que tinha de fazer para sobreviver. Mudar-ME, foi a única solução.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam não sabia o que dizer, mas não queria nada dizer. Queria ajudá-la a terminar a história de Alexis. <strong>- Voltaste a Chicago</strong> - Disse finalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Antes disso... Ainda quando estava em recuperação, no hospital, lia imenso. Não fui sempre inteligente, não é?</strong> - A loira refletiu, quase para si mesmo. Continuou:<strong> - Entrei na faculdade. A Alison portou-se lindamente no primeiro semestre, mas depois... Teve um confronto com a Lexi. Descarrilei. Foi por isso que voltei a Chicago.</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 476px; height: 399px;" title="2.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G72146f2d/20827198_h1ZLs.jpeg" alt="2.jpg" width="512" height="426" /> </p>
<p style="text-align: justify;">Recordou quando entrou na sala e Javier a olhou. Ele reconheceu-a. E ela sabia disso, mas não o conheceu. Quer dizer, as probabilidades de alguém a reconhecer eram pequenas, mas mesmo assim, novamente, ficaram a seu favor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tracei um plano. Permanecer sóbria, enfrentar a Lexi e enterrá-la, na sua terra Natal, de vez. Arranjei um emprego, no clube, discreto, para me sustentar. Inscrevi-me em português para não enlouquecer. O Chad veio comigo, mas foi o mesmo que nada. E era assim que eu queria. Acabar com este assunto... Sozinha</strong> - Esclareceu, referindo-se ao relacionamento com Liam. <strong>- Não esperei conhecer alguém... Como tu. Tentei afastar-te, afastar-me... Mas tu vinhas com aqueles olhares e risos. Foi muito complicado... Eu sei que ficaste devastado quando descobriste.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam baixou a cabeça. Estava muito sensibilizado com a sua história, com tudo o que não sabia. Que nem desconfiou. Sentia-se deprimido e quase a desmoronar. Ela irradiava bondade, sempre preocupada com o próximo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estou limpa, Liam. É de loucos acreditar, depois de tudo o que estás a ouvir, mas... Nunca iria dormir contigo, estar contigo, senão tivesse limpa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sei</strong> - Ele assentiu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Os meus pais</strong> - Disse, anunciando outro tema. <strong>- Os meus pais fizeram tudo, mesmo tudo, para eu ficar bem. Fui vista pelos melhores médicos, psicólogos dos Estados Unidos. Não imagino a fortuna que gastaram... Eles não sabiam o que fazer, não sabiam como lidar comigo, não podiam ter feito mais... Simplesmente... Aceitaram-me. Aceitaram a Alison. Já o Chad... Bom, tu sabes...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Cobarde</strong> - Comentou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Gosto de pensar que ele... Ficou mais abalado do que eu. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O silêncio veio segundos depois. Ao contrário das outras vezes, não foi constrangedor. Foi pacífico. Quando Liam levantou a cabeça, Alison observava-o tanto, como se estivesse a ler os seus pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, Liam, não estou a contar-te isto para ficares triste.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não sou de ferro, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não me sinto triste. Não sou uma pessoa triste e, acredito que, no fundo, saibas disso. Não quero que tenham pena de mim. Mas sabes o que me deixa triste? Ver notícias de massacres, atentados... Com mais frequência</strong> - Encheu a sua chávena com mais chá, e depois pousou-a, delicadamente. <strong>- Sabes, eu vi a minha vida passar diante dos meus olhos. Duas vezes, no mesmo ano. E o mais engraçado, é que... Nunca acreditei nessas coisas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Disseste... Que sonhas com o Samuel... Também sonhas com a Alexis?</strong> - Ele perguntou, receoso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Poucas vezes.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é que ela está?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela </strong>- Alison ficou séria, procurando as melhores palavras para a sua resposta.<strong> - Ela continua assustada, Liam...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu apagaste-a? As tuas, dela, memórias...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não paguei nada... A Lexi, morreu, naquela sala... Naquele dia. Eu só demorei um tempo a perceber.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:547852017-12-08T11:00:00Capítulo 18 - "I Must Confess..."2017-12-06T21:52:26Z2017-12-06T21:52:26Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 18 - I Must Confess...</em></p>
<p> </p>
<p> <img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 514px; height: 178px;" src="http://33.media.tumblr.com/16908fbe37fcbb721aeb46d400c02155/tumblr_inline_mk07y2FpXq1qz4rgp.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">As pernas davam sinal de cansaço. Perdera o tempo que corria. Não sabia ao certo onde estava, mas pareciam-lhe as ruas da cidade de Chicago - a cidade onde nascera. Sentiu que alguém a seguia e acelerou. Estava assustada. Repentinamente, à sua frente aparece-lhe uma cara conhecida, obrigando-a a travar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sam? Que fazes aqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estive sempre aqui.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, não. Tu não és real...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele agarrou-a pelos ombros, abanando-a. Consumindo-a.<strong> - Parece-te real?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por que dizes isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu morreste</strong> - Afirmou, sem medos, afastando-se.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, tu morreste. E depois, eu morri.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu morreste -</strong> Continua afirmando para si mesma, serrando os olhos.<strong> - És fruto da minha imagina...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele interrompeu, revirando os olhos, imitando-a.<strong> - <em>Fruto da minha imaginação</em>. Tão esperta, a doce Lexi.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vai-te embora...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Queres que me vá embora? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Voltou-lhe costas, amedrontada, e correu uns metros. A cena de perseguição era totalmente aterrorizante. O nevoeiro tapava-lhe a visão, mas continuou. Tinha de continuar. Ele travou-a, novamente. <strong>- Não tão rápido, Lexi.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pára, Sam</strong> - Ela pediu, ofegante, sentada no chão. Ele continuava a falar, a sorrir-lhe, mas a loira não entendia, ouvia, uma palavra. <strong>- Pára Samuel, sabes que te perdoou, mas tens de ir embora... Eu preciso que vás embora.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tenho de seguir com a minha vida...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu não queres que vá embora</strong> - Ele encolheu os ombros, encostado-a a uma parede.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estou a dizer-te que quero.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está relacionado com o Liam, não é? Tu gostas dele, e do Javier, da Hayley... Estarás com medo de lhes mostrar quem é a verdadeira Lexi?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O coração estava apressado.<strong> - Por que é que estás aqui? Estou tão cansada, Sam.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu sabes o porquê.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, por causa de mim, não é? Mas não faz sentido</strong> - Afirmou, irritada, enquanto se levantava. Revoltada.<strong> - Tu é que mataste aquelas pessoas todas... Tu é que devias estar a ser castigado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E estou. Por ti</strong> - Ele desapareceu entre o nevoeiro.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; width: 487px; height: 250px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="2.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G1204595b/20776643_gMIIH.jpeg" alt="2.jpg" width="598" height="297" /></p>
<p style="text-align: justify;">Acordou sobressaltada. Encharcada em suor, com Liam sentado ao seu lado, olhando-a gravemente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Alison...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Saltou da cama, dirigindo-se à casa-de-banho. O pé de Liam entalou, impedindo que a loira fechasse, a porta. Olhou-a, as lágrimas corriam-lhe pela cara. Claro que não era comum. Aquela devia ser a segunda vez que a vira chorar. <strong>- Por favor, dá-me um segundo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O segundo pareceu a Liam a eternidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que aconteceu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta surpreendeu Liam. Ele é que devia perguntar-lhe aquilo! Quando finalmente saiu, parecia... Diferente. Apanhou o cabelo enquanto ouvia a explicação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu estava a dormir e... Ouvi-te gemer... Não era comum, Alison... Tu estavas em sofrimento. Levantei-me e quando cheguei aqui tentei acordar-te. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpa... Já passou. Estou acordada.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás acordada</strong> - Ele repetiu, olhando-a.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, é melhor voltares para o quarto azul.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele ficou estático, sem palavras. Disse-lhe "Não", e a loira passou as mãos na cara. Ela percebeu logo o que ia acontecer. Já devia ter acontecido, até. <strong>- Não vou voltar a dormir, depois do que aconteceu... Ouve-me, Alison... Eu sempre soube que me escondias coisas, mas nunca fugi. Não fugi antes e não fugi depois de saber. Não vou fugir agora...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ok</strong> - Ela disse. O coração acelerou. Sabia que o momento chegara.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acabaram-se os segredos, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ok</strong> - Repetiu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por que... Nunca vais conseguir abandonar o passado, até perceber por que é que os <em>flashbacks</em> te assombram.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele tinha tanta, toda, a razão. Após um minuto de <em>eye contact</em> frenético, ela finalmente diz: <strong>- Tenho pesadelos com o Sam... Samuel. Não é sempre. Nós... Conversamos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sobre o quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Basicamente eu respondo às minhas próprias perguntas. É sempre a mesma coisa... De início estou assustada, tento fugir, mas acabamos por falar ou discutir... No final, estou alterada e é aí que ele se vai embora. Ás vezes não sei se é sonho ou realidade. Eu não gosto de recordar o Samuel. Ele marcou-me de uma maneira... Os barulhos, o escuro... E tenho medo de adormecer e de o recordar... Mas... Suponho que já saibas disso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E quando finalmente ganhou coragem, a loira levantou-se, repentinamente. Liam ainda assentia as suas últimas palavras, o seu conforto, ao dizê-las<strong> - Onde vais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vamos lá para baixo. Vamos beber chá... Ou uma cerveja... Tu escolhes.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O momento chegara. </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;">Se houver ainda alguém desse lado... Obrigado! 😉</p>
<p style="text-align: right;">Espero que tenham gostado do novo capítulo.</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:546832017-08-21T12:00:00Capítulo 17 - "Where the Heart Is"2017-08-21T09:04:19Z2017-08-21T09:04:19Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 17 - Where the Heart Is</em></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://66.media.tumblr.com/07ce6f176a1f787cb69f526f83f10536/tumblr_mz8oy1X4aY1s3veb3o1_500.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É Parker. P-A-R-K-E-R</strong> - Alison repetiu, desta vez, soletrando. Tamboleava com os dedos na carteira, esperando uma resposta positiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpe menina, não costumamos ter muitas visitas neste mês</strong> - Arrastou a senhora, de meia idade já, com grandes olhos castanhos que a dominavam. O marido e também parceiro no negócio, procurava incessantemente o ficheiro. Acabou por desabafar: <strong>- Nem sei se vierem em bom dia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Só por que é Dezembro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por que é Dezembro e vai chover. Como deve ser.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nós vimos na Internet, no <em>site</em> de meteorologia, e lá dizia que ia estar sol</strong> - Alison contrapôs, impaciente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Essas modernices. Há 40 anos atrás não tínhamos isso e sabíamos sempre quando ia chover. E hoje também sei</strong> - Ela insistiu.<strong> - Com os ossos, menina!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como disse que era o apelido?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Parker</strong> - Voltou a dizer, bufando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh, encontrei, sim. Venha</strong> - Pediu o senhor, referindo-se a Liam. Dirigiram-se lá fora, enquanto Alison pagava e recebia algumas indicações.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não esperou muito até a patriarca teimar: <strong>- Para quando o casamento?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpe... Como?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Aquele rapaz... Não tira os olhos de si.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh</strong> - A loira suspirou, percebendo finalmente. <strong>- Nós somos... Amigos... Ou colegas de faculdade, ahm...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não perguntei isso</strong> - A senhora confirmou, observando cada movimento, cada excitação, cada nervosismo da loira, enquanto guardava a carteira. <strong>- Sabia que ele está apaixonado por si?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sei.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tal como a chuva, as coisas devem ser como devem ser</strong> - Continuava, deixando Alison sem resposta. Na verdade, ela não percebeu nada. Estaria ela a falar da chuva? Que está destinada a cair? Quando se preparava para sair, a arcaica insistiu: <strong>- Então do que está à espera?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Para quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Para lhe dizer que sente o mesmo...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sem objeção, saiu. Olhou para trás, e a idosa continuava a espreitar, pela janela. Apressou o passo até ao lago, já lá estava Liam. Entrou também e o homem empurrou o barco.</p>
<p style="text-align: justify;">Não remaram muito até poderem contemplar a floresta. Era imensa. O reflexo das árvores parecia tirado de uma pintura e o ruído das mesmas era doce, fresco, unicamente, apesar de Dezembro. A vida real ficara para trás, bem longe. Era quase um sonho. Infinito, suave que os envolvia. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Isto é lindo</strong> - Liam finalmente comentou, encantado.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p><img style="width: 497px; height: 166px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://66.media.tumblr.com/4b98faeed483387674f592e745888626/tumblr_o5a0q9gRDg1t4osjeo5_1280.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pára de olhar para mim.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não consigo</strong> - Ele respondeu, tipicamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, é constrangedor... Até as pessoas reparam</strong> - Alison explicou, não esquecendo a conversa com a senhora do aluguer, mas Liam continuava a olhá-la, sereno.<strong> - O que foi?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- És tu, miúda</strong> - Ele admitiu. <strong>- És linda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, Liam estava a pensar em tudo o que tinha acontecido, nos últimos meses. Conheceu a Alison no escuro, ela iluminou-o, levantou-o e fê-lo sentir que fosse suficiente. Ou talvez fosse o contrário. Talvez Alison também estava no escuro.</p>
<p style="text-align: justify;">E o que começou com uma rajada de vento, rapidamente evoluiu para chuva forte. As nuvens encobriram o sol - ficou escuro. Inesperadamente, o tempo tinha acabado de mudar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não acredito que a velha tinha razão</strong> - O moreno barafustou, tentando inutilmente, abrigar-se das gotas de chuva. O pior, é que estavam mesmo afastados de qualquer margem.</p>
<p style="text-align: justify;">Alison largou o remo. Abriu os braços e a cabeça cambaleou para trás, rindo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que estás a fazer, miúda? Não páres de remar!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chovia imenso e Alison ri-a imenso. </p>
<p style="text-align: justify;">Gritou-lhe várias vezes, enquanto remava incessantemente. Percebeu que Alison também se ria do seu estado. <em>Lunático</em>, ela afirmou. <em>A remar como um lunático</em>. Que não tinham qualquer hipótese com a chuva. </p>
<p style="text-align: justify;">Puxaram a embarcação para terra e abrigaram-se debaixo de uma árvore. Alison só ria. E foi então que correu para fora, rodopiando. Ela estava a dançar. Ela estava a dançar na chuva. Então, totalmente encharcada, sorriu sobre o ombro, e olhou para trás.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Anda, Liam.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nesse momento, ele, mais sóbrio e delicado, retribuiu-lhe o sorriso, caminhando. Ela parecia tão bonita, como sempre. Puxou-a para perto do seu peito. Esperou tanto para fazê-lo. Sabia que continuava a amá-la, mas se calhar ela nunca soube, achando brincadeira. Talvez por que Liam fingiu ser tranquilo e "<em>ok</em>" quando Alison se foi embora. Quando ele a deixou ir. Sabia que precisava dela, e ultimamente tinha mostrado isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que ele queria dançar com ela.</p>
<p style="text-align: justify;">E por um minuto, esqueceu tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Exceto onde o coração está.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Muito obrigado por todo o apoio! 😊</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:543992017-08-03T16:30:00Capítulo 16 - "Don't Ask, Don't Tell"2017-08-03T15:28:56Z2017-08-03T15:28:56Z<p style="text-align: center;"><em> Capítulo 16 - Don't Ask, Don't Tell</em></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media3.giphy.com/media/48MEqe92jAQ8M/giphy.gif" alt=" alex pettyfer GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que fazes aí?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpa, eu não...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Este era o quarto da Alexis</strong> - Ela informou, fechando a porta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A porta estava meia aberta... Mas eu não ia entrar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não faz mal, Liam</strong> - Descansou-o. Ele parecia surpreendido e envergonhado. Rodou a maçaneta e abriu a porta, novamente. Entrou. Encarregou-se de abrir os estores e deixar a claridade entrar. Quando se voltou, reparou que o rapaz continuava do lado de fora do quarto, olhando para tudo como se fosse a primeira vez. Oh, era mesmo.<strong> - Vem.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Foi a única divisão da casa que não conseguiu forçar a mãe a desmanchar. Seria injusto da sua parte, só pensar em si. Era óbvio que eles, os pais, também tinham sentimentos. Doou a maior parte das coisas, mas a família nunca desmanchou o quarto. Sabia que, a mãe, em especial, passava algum tempo ali. Explicou-se.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Este quarto não é utilizado, também não é preciso. Temos quartos suficientes para criar um hotel</strong> - Ela concluiu, irónica, soltando uma gargalhada.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ele sentia que lhe devia uma explicação. Nem que fosse só pelo facto de estar <em>a tentar</em>. Rodar a maçaneta foi um grande passo, para o danificado coração da loira. <strong>- Não quero que penses que estou a invadir o teu espaço. Sei bem o que prometi, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ela olhou-o, e depois abandonou a divisão. Desceu as escadas, mas rapidamente volveu, com as restantes malas. Voltou a chamá-lo, passado uns minutos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Podes deixar essa porta aberta. Tal como as pessoas, o quarto também precisa de arejar</strong> - Arregalou os olhos, concordando. De seguida, mostrou a Liam o quarto onde ia ficar instalado. <strong>- Ficas no quarto azul, como lhe chamo. É um quarto <em>suite</em>, tem uma casa-de-banho exclusiva e uma vista para o mar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Entraram no quarto. Estava incrivelmente limpo. Em tons de azul, com roupeiro embutido e duas pequenas poltronas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> - Wow, isto é demais, miúda</strong> - Comentou impressionado, pousando uma mala no chão.</p>
<p style="text-align: justify;">Alison sorriu-lhe e minutos passados saiu, deixando Liam à-vontade para poder arrumar as suas coisas e, de certa forma, habituar-se. E para se habituar, logo após o jantar foi dar uma corrida pelas redondezas. Curta.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando voltou era noite. A sua visão alcançou Alison, sentada de frente para um grande luar. Pela sua postura, imaginou o que sentiu. A brisa noturna penetrar-lhe os poros. A limpá-la, talvez. O único som que se ouvia, vinha de longe. A breve ondulação do mar. Nem pássaros, nem carros, nem pessoas. </p>
<p style="text-align: justify;">Antes de voltar, tinha uma chamada importante a fazer. Ou melhor, uma mensagem a deixar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">"<em>Olá, Javi. Sou eu. Está tudo bem, a viagem foi longa, mas compensou. Estou aqui à menos de 4 horas e já percebo por que é que a Alison adora os Hamptons e vem para cá sempre que pode. É mesmo revitalizante. E afastado da civilização! Já jantámos. Estou a regressar agora da minha corrida. Adivinha: não me perdi! A Alison está cá fora, mesmo junto à praia. Oh! A Hayley ligou à Alison, também não consegue falar contigo. Quando ouvires isto, liga-me, pode ser? Passou-se alguma coisa? Estou preocupado contigo.</em>"</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media0.giphy.com/media/13DPP71kmzR5aU/giphy.gif" alt=" 90210 jessica stroup erin silver GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpa</strong> - Pediu Hayley, após chocar com alguém, em uma outra festa, de início de férias. Equilibrou-se na parede, quando se sentiu zonza. Via a duplicar. E isso não podia ser um bom sinal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não desculpo</strong> - A outra morena retorquiu de seguida, sacudindo a sua bebida da roupa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como queiras.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cambaleou, até se sentir empurrada contra uma parede. De certa forma, segura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estás bem? Sou eu, o Eric...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Qual é o teu problema?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O último?</strong> - Ela perguntou, abrindo os olhos. Sim, claro que devia saber quem Eric era. Mas a outra morena, nunca a tinha visto. Os batimentos cardíacos estavam acelerados, era o efeito do álcool. Aquele devia ser o melhor tempo da sua vida - os anos da faculdade. Os seus pais gastaram milhares de dólares para se instalar numa cidade estranha e embebedar-se todos os fins-de-semana. Mas não devia ser assim, pois não? <strong>- Dormi com um rapaz. Uma semana depois decide evaporar-se, sem dar qualquer explicação. Quer dizer... Foi assim tão mau?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela dormiu com o Javier</strong> - Eric clarificou a situação, soltando um pequeno riso. Como se quisesse dizer tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu conheces o Javier? Por que é que toda a gente conhece o Javier?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele é muito popular...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E começaste a beber por causa do Javier?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Hayley barafustava enquanto argumentava com a desconhecida. Conversa puxava mais conversa e acabou por contar-lhe um pouco da sua vida pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Espera um segundo</strong> - Pediu. <strong>- Tu divides a casa com a Alison? Loira, magra, elegante, o <em>alter-ego</em> de todas as raparigas, pouco sociável e meia misteriosa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim</strong> - Hayley soltou um riso, encolhendo os ombros.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, eu já conheci a querida Alison.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ela não está cá, foi de férias para longe.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É realmente uma pena... Adoramos colocar a conversa em dia</strong> - A morena continuou, encolhendo os ombros, e olhando Eric.<strong> - Não é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, não é</strong> - Ele arrastou, continuando com o seu sorriso, sem perceber qual o objetivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vou contar-te um segredo. Um segredo... Dela.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não</strong> - Eric reagiu, interrompendo, mudou de atitude. Deduzindo do que se tratava, ficou chateado com a situação.<strong> - Estou fora dessa</strong> - Acrescentou e abandonou de imediato a festa. Hayley ficou expectante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que tens o direito de saber que o nome verdadeiro dela é Alexis. Certamente resolverão tudo na próxima conversa. Oh, e ser loira é outra máscara</strong> - Hayley ficou sem reação, olhando a outra. Sim, estava meia bêbeda, mas não estava surda. A morena colocou a mala ao ombro, sorrindo-lhe. <strong>- Também vou andando. Já passa da minha hora de deitar. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Espera... Como te chamas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Wendy.</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Peço desculpa pelo atraso na publicação. Nada está esquecido 😱</p>
<p style="text-align: right;">Espero que tenham gostado deste capítulo e do regresso de Wendy! Continuem a deixar as vossas opiniões!</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:541252017-07-24T18:00:00Capítulo 15 - "In a Lonely Place"2017-07-24T16:52:56Z2017-07-24T16:52:56Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 15 - In a Lonely Place</em></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 428px; height: 286px;" src="http://data.whicdn.com/images/200619397/large.jpg" alt="scream queens image" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está tudo bem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi a pergunta que a loira lhe fez, enquanto a arrastava para uma parte reservada do café do Resort, após lhe servir o seu <em>cappucino</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não</strong> - Ele confirmou logo, o que Alison já sabia. As olheiras no rosto de Javier era um indicativo. Bufou, e depois encarou-a. <strong>- Não, não está. Tu tentas-te matar-te, Ali...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Claro que o Liam te contou...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Claro que me contou!</strong> - Javier quase gritou, falando muito rápido e sem rodeios, perdendo a respiração. <strong>- Isso assustou-o. Por quê? Por que é que o fizeste? Por que é que o querias fazer? Estavas... Estavas tão bem...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Achavas que estava bem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim! Concordaste em falarmos sobre a Alexis e depois fugiste... Sabes como me senti culpado quando o Liam me disse que não ias sair daqueles carris de comboio?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alison, apanhada de surpresa, tomou consciência. Honestamente, ainda não tinha pensado nisso.<strong> - Não foste tu</strong> - Tentou descansá-lo. <strong>- Lamento Javier, a sério que sim.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por que é que não me contaste?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nunca foi tão complicado falar sobre a Alexis. Não tinha certezas de pertencer a este mundo. E isso deixou-a com dúvidas de querer acordar na manhã seguinte. O dia podia ter apenas 24 horas mas, por vezes, passar uma hora, parecia típica missão impossível, quase como escalar o</em> <em>Evereste</em> <em>sem preparação. Dava por si a relembrar-se que tudo é temporário. As estações, os livros, os relacionamentos, os dias. Relembrar-se que se conseguiu superar o ontem, irá superar o hoje. Foi a sua explicação.</em> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Claro que estou chateado, Alison! No dia em que conheceste o Liam... Ele estava zangado, como nos últimos tempos, mas a partir desse dia... Algo mudou. Tu tens algo... E quase lhe tiraste isso. Duas vezes! Partiste-lhe o coração... E quando o coração do meu irmão se parte, o meu também</strong> - Continuou a insistir. Quando a viu na faculdade, pela primeira vez, após as férias, queria, por e com tudo, juntá-la de novo a Liam. Quase como necessidade. Agora, já não tinha tanta certeza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nunca quis isso...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu és uma mulher</strong> - Javier continuava, com dificuldades. <strong>- Miúda. Perigosa. Para o Liam. Para todos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu e o Liam vamos para os <em>Hamptons</em> passar uns dias. Juntos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ainda não percebeste? Não quero que façam essa viagem. Não te quero perto do Liam.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A expressão de Alison mudou ao ouvir as últimas palavras. Ela não esperava isto. Aproximou-se do espanhol, que viu os seus olhos ficarem mais escuros, mais intensos, mais negros e o seu rosto mais branco. O rumo da conversa mudou. <strong>- Sabes? É incrível... Chega sempre a um ponto das relações de Liam que tu te fartas. Sentes-te ameaçado e decides por um ponto final nos relacionamentos dele... Tens medo que o teu lugar seja ocupado... Por uma miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier voltou costas. <strong>- VAI 'PRÓ INFERNO!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- JÁ LÁ ESTOU</strong> - Ela gritou, de volta.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 484px; height: 236px;" src="http://data.whicdn.com/images/185389175/large.jpg" alt="connect, silent, and us image" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ainda não tive oportunidade de te agradecer.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pelo quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pela conversa sobre mim e o Dave e... Os conselhos... Falar com alguém, para além do Javi, sobre este assunto... Foi muito bom </strong>- Liam resumiu.<strong> - Sabes... Por causa da culpa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não sintas isso. Tu trabalhas imenso para pagar os teus estudos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, o Javi... Ele diz a mes...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ela interrompeu, impaciente. Os exames, a viagem e a conversa com Javier, apesar de já ter passado uma semana, tinha-a deixado assim. Felizmente, já se encontravam, no carro de Liam, a caminho dos Hamptons. <strong>- Não vamos falar do Javier, ok? Ou de qualquer coisa relacionado com Chicago.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam assentiu. O silêncio veio segundos depois. No entanto, sentia que Alison fazia para não o ser desconfortável. Estava, deveras, conversadora: <strong>- Estive a pensar e, amanhã podíamos ir dar um passeio de canoa. Senão estivermos muito cansados da viagem. Há uma casa que aluga os barcos. E, eu sei que é Dezembro e, parece impossível, mas eu vi que o tempo vai estar bom. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, parece-me um bom plano! Também gostava de ver um pouco da vila.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Claro</strong> - Ela parecia mesmo entusiasmada. Voltou-se para Liam, que continuava com os olhos na estrada. <strong>- Podíamos almoçar por lá um dia... Há um restaurante que faz umas tostas mistas...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não posso comer essas coisas por que...</strong> - A frase ficou suspensa e a loira percebeu isso. Percebeu que ia referir Javier, uma outra vez. Era incrível como tudo e nada ia dar ao espanhol. Achava bonito. Leal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- És um desportista, eu sei</strong> - Ela terminou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Talvez abra uma exceção.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Para mim. Também sei isso.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O resto da viagem foi animado. Poucos eram os momentos em silêncio, mas quando existia, de alguma forma o silêncio parecia conecta-los ainda mais, de uma maneira que as palavras nunca conseguiram. Porém, quando Liam se apercebeu, já Alison tinha tirado da mala a chave da propriedade. Estavam a chegar.</p>
<p style="text-align: justify;">Espreguiçou-se quando saiu do carro e seguiu a loira. Subiram uns pequenos degraus e abriu a porta. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Fica à vontade. Vou às traseiras abrir os contadores.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele assentiu. Trouxe todas as malas e pertences para dentro. Pousou o último saco no chão e olhou ao redor, caminhando. Quando acendeu o interruptor, pode observar como aquela era uma bela, enorme, casa de praia. Mesmo ao estilo dos Hamptons. Os seus olhos passaram por várias fotografias da família Parker.</p>
<p style="text-align: justify;">De seguida, abriu as janelas e a maresia penetrou.</p>
<p style="text-align: justify;">Pegou na sua mala e subiu as escadas. O primeiro quarto tinha a porta encostada. Tinha a certeza que aquele não seria o seu quarto, mas a curiosidade falou mais alto. Empurrou a porta, observando o quarto por dentro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que fazes aí?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpa, eu não...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Este era o quarto da Alexis</strong> - Ela informou, fechando a porta.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:535222017-07-19T11:00:00Capítulo 14 - "The Second Chance"2017-07-18T21:03:33Z2017-07-18T21:03:33Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 14 - The Second Chance</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media1.giphy.com/media/tdb1xmY9EVmgM/giphy.gif" alt=" smile alex pettyfer GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javier diz que só me falta fazer uma tatuagem.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nós podí...</strong> - Suspendeu, e refez a frase, mais consciente e acertada. <strong>- Tu podias fazer uma.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam ficou calado. Também sério, tentava perceber se tinha ouvido o que achou que ouviu. <strong>- Sim, talvez</strong> - E o silêncio instalou-se, outra vez. Olhou à sua volta, noutra mesa, Javier desviou o olhar repentinamente. <em>Aquele sacana achou graça!</em>, pensou.</p>
<p style="text-align: justify;">Colocou os olhos em Alison, que fingia ler um artigo. Por momentos, queria tocá-la. E talvez ela tenha percebido isso.</p>
<p style="text-align: justify;">A réstia de duas longas semanas preenchidas de aulas e exames para as merecidas férias era o tema dominante. Afinal, a pausa servia mesmo para isso. A partilha de ideias entre uma tablete de chocolate.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Depois de tudo isto -</strong> Começou, mexendo nas folhas<strong> - Vou para...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- <em>Hamptons</em>.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim</strong> - Ela soltou um pequeno riso, que Liam contemplou.<strong> - Como é que sabias?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nas férias vais sempre para os <em>Hamptons</em>, como se fosse o teu...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Refúgio</strong> - Ela disse, interrompendo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Exato.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estava a pensar... Que também podias ir</strong> - Partilhou o convite. Alargou-o, tentando chegar a acordo. <strong>- Digamos que tu tens um carro rápido, e eu um bilhete para nos tirar daqui</strong> - Liam ficou imóvel. Foi inesperado. No entanto, na mente de Alison fazia sentido. Tentava começar do zero, mas tinha muito a provar. A perder, já nem tanto. Mas, talvez juntos pudessem chegar a algum lado. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Desculpa, Liam, isto é estúpido... Sabes o que é... Só bebi um café</strong> - E começou a juntar as suas folhas e livros, como se quisesse abandonar o local. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, não... Mas, de carro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim...</strong> - Arrastou. Tinha uma parte do dinheiro do clube posto de lado, que devia chegar para o combustível e portagens. <strong>- Se bem me recordo, tu conduzes um carro rápido... E sempre me perguntei se ele é rápido o suficiente para voarmos daqui para fora.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;">*** </p>
<p><img style="width: 459px; height: 258px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://static01.nyt.com/images/2013/02/01/movies/video-safe-haven-julianne-hough-featurette/video-safe-haven-julianne-hough-featurette-superJumbo.jpg" alt="Imagem relacionada" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ele soltou uma gargalhada, mal sabendo o que estava para vir. Um convite irrecusável que iria mudar muito. Ia agradecer, politicamente correto, e recusar. Aquela viagem era de loucos. Ele viu uma oportunidade, talvez para mudar o rumo da história. Continuou: <strong>- Conta comigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não queres conversar com os teus pais ou com o Javier? Se calhar até já tinham coisas combinadas... Afinal, é mesmo antes do Natal.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não</strong> - Ele respondeu de seguida, e depois calou-se. Faziam meses que não desabafava nada da sua vida pessoal com Alison. Este era o momento. <strong>- Nem sei se vou no Natal a casa. </strong></p>
<p><strong>- Por quê? Passou-se algo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já não mando dinheiro ao Dave. Mas não lhe digo. Tenho medo de lhe falar. Claro que ele sabe, não o recebe, não é?</strong> - Bufou, quase irónico, algo não típico de Liam. <strong>- Ele nunca diz nada sobre isso. Nunca disse que estava em divida com ele, nada disso. Tem sido, simplesmente... Meu irmão -</strong> Concluiu. Coçou levemente o queixo, e depois continuou:<strong> - Estupidez... Crescemos a cada dia que passa, mas as discussões, os arrufos, são sempre de coisas estúpidas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Irmãos...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim</strong> - Ele soltou um riso, quebrando um pouco do gelo, mas Alison continuava a olhá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu e eu... Temos muita coisa em comum</strong> - Finalmente disse. Guardou o seu <em>iPhone</em> na mala e Liam reparou que a sua parte da mesa já estava completamente arrumada, significando que dentro de minutos, Alison ia embora, mas não antes de concluir: <strong>- Tu cometeste um erro que quase terminou em tragédia, mas... Apesar de, atualmente, não poderes fazer nada, ainda tentas compensar o teu irmão... O dinheiro foi a tua maneira de o compensares. A cima de tudo, tentas aliviar a dor que sentes dentro do teu coração. Tu podes consolar-te</strong> - <em>Eu não</em>, ela pensou, <em>Eu não posso fazer isso. <strong>- Agradece</strong></em><strong> por isso e passa o Natal com a tua família.</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"> ***</p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 489px; height: 163px;" src="https://66.media.tumblr.com/f396dd9d3343d9653bbd433b875a2996/tumblr_nx3udr9SJM1t4osjeo5_540.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A <em>UIC</em>, uma vez por semestre, organizava um festival de cultura para todos os estudantes. Alison nem queria ir, os ajuntamentos ainda eram demais para ela. Porém, já estava exausta de tanto estudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Caminhava pelo corredor, observando o ambiente animado, quando, no meio de tantos estudantes, repara que Liam a olhá-va. Sorriu-lhe. Era a segunda vez naquele dia, e não podia ser coincidência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Achei que estavas a trabalhar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javier substituiu-me</strong> - Ele explicou, deixando a rapariga se aproximar, enquanto comia a sua sandes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é que o convenceste? Quer dizer, ele ia considerar isto uma festa e... Há montes de comida... Ele está doente, ou algo do género?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam riu, e ainda mastigando, explicou: <strong>- Inúmeras razões... Uma é por causa do Eric. O ambiente entre eles é insuportável desde o mal entendido com os DVD's piratas que envolveu a polícia. Ele acha que o Eric fez a denuncia.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E o que é que tu achas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que, se foi o Eric, foi uma brincadeira de mau gosto, Alison. O Javi tem descendência latina, mas é americano de nascença. E não tem de ser marginalizado por isso. Lá por que descobrirem que alguém faz vendas ilegalmente o bode expiatório tem de ser sempre o latino... Ou o africano. É errado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- São as mentes, sabes? Não progrediram o suficiente</strong> - A loira procurou um esclarecimento. Havia algo de extraordinário quando Liam defendia Javier. Aquela emoção e olhar um pelo outro sempre a inspirou. Mas era claro que os dois tinham de resolver a situação. <strong>- Qual era a outra razão?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam parou e respondeu sem pensar:<strong> - Disse-lhe que queria estar contigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O q... quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, tu sabes, antes de estarmos muito ocupados com os exames, acertamos as coisas da viagem. Os dias, as horas, a comida que levamos...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ah</strong> - Ela parecia admirada, ficando sem palavras. O breve silêncio que se instalou, permitiu à loira perceber já no meio da multidão, que ela e Liam estavam mesmo muito próximos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estava a brincar</strong> - Liam admitiu, quebrando involuntariamente o pensamento de Alison. Ambos soltaram uma gargalhada nervosa. <strong>- Ele tem um encontro com a Hayley. Escaldante, segundo as palavras dele. Portanto, faço o turno da noite dele.</strong> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A Barbie e o Ken</strong> - Ouviu-se do fundo, inesperadamente, junto ao palco. <strong>- Sim, sim, vocês!</strong> - Continuava a exclamar para o microfone. Até que Alison percebeu que a jovem se referia a ela e Liam, arregalou os olhos. <strong>- Poderiam ir namorar para outro lado? 80% da faculdade adora-vos e está torcer por vocês... Mas, por favor, chega de tanta conversa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E todos começaram a rir, a olhar, a comentar. Quando Liam notou que Alison ria, nervosamente, deu-lhe um beijo na face, que esta retribuiu passando-lhe, carinhosamente, a mão pela nuca.</p>
<p style="text-align: justify;">A atenção era viral. Necessária. Tal como a segunda oportunidade.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Aqui fica a continuação do capítulo anterior! Espero que tenham gostado e que continuem a torcer pelo Liam e pela Alison.</p>
<p style="text-align: right;">Vejo-vos no próximo capítulo 👋</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:532522017-07-02T11:00:00Capítulo 13 - "We Change, We Wait"2017-06-26T18:26:53Z2017-06-26T18:26:53Z<div class="post_title small">
<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 13 - We Change, We Wait</em></p>
</div>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://66.media.tumblr.com/d82b6d3f85ca1a242052e6d3901de72f/tumblr_n79uzk8cPd1smfis3o3_500.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Para seu espanto, quando Alison entrou no apartamento, Hayley já se encontrava no quarto. Provavelmente dormia, pois a luz era extinta. Caminhou superficialmente até ao seu quarto, encostando a porta. Despiu a camisa, deixando apenas um top rosado. Sentou-se na cama, cansada, e passou as mãos pelo rosto, enquanto o entusiasmo da noite se ia desvanecendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Na cozinha, encheu um copo com água, bebendo pequenos golos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Alison</strong> - Ouvindo o nome, assustou-se, deixando cair o copo ao chão. Era Hayley que a chamava. <strong>- Desculpa, Alison, eu... Eu...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agachou-se para apanhar os vidros, bastante calma. <strong>- O que foi?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu...</strong> - Repetiu variadas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Hayley! O que é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu deixas-me nervosa!</strong> - Admitiu, e Alison ficou confusa. Estar perto da loira deixava-a, sem dúvida, inquieta. Tinham sensivelmente a mesma idade e, no entanto, Alison parecia-lhe tão independente. Antes de partilhar casa, vivia sozinha. Tinha um trabalho noturno, do outro lado da cidade. Tinha um carro. Nunca a ouviu falar com um familiar ou amigo próximo, o que poderia ser algo negativo, mas não. Sempre lhe pareceu elegante, vivaça. No fundo, admirava-a. <strong>- Eu sei que me viste com o Javier... E... Não ia acontecer nada.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não tens de me dar explicações...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Mas tu e o Liam... E o Javier...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não se passa nada entre mim e o Liam e... Muito menos com o Javier. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E se acontecesse?</strong> - O pensamento saiu-lhe alto, aguardando uma resposta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Disseste que não ia acontecer nada...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh, Deus!</strong> - Ela exclamou, não ouvindo Alison. Amparando-se na bancada, quando percebeu tudo: <strong>- Ia acontecer! Se não tivessem chegado... Ia acontecer!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Terminou de limpar o chão, já Hayley correra para o quarto. Envergonhada, provavelmente. Alison queria tanto ir dormir, sem se envolver em grandes questões de amizade. Mas não ia conseguir deixar Hayley a matutar no assunto. Bufou. Ser boa custava. Encostou-se à ombreira da porta.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://24.media.tumblr.com/9ac5400efeba9ef5f673e245bcb40276/tumblr_mfigjn07rs1qehsoxo1_500.gif" alt="Resultado de imagem para nina dobrev hugs gif" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Hayley... Se ia acontecer... É entre ti e o Javier. É um momento só vosso. O Javier é cinco estrela e se gostas dele...</strong> - A frase ficou suspensa, Hayley não a ouvira, cabisbaixa, até que Alison percebeu quase tudo. <strong>- Não há problema nenhum em ser virgem...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Essa é a questão</strong> - Voltou a moldura para baixo, e explicou-se: <strong>- Eu não sou... Simplesmente não o faço à muito tempo... Por que ele morreu! E agora uso este estúpido colar... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quem... Quem é que morreu?</strong> - Perguntou receosa. Não da resposta, mas de piorar o estado da morena.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O meu namorado. Ele deu-me este colar no primeiro aniversário de namoro.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Lamento...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já passaram alguns anos, mas eu não consegui seguir em frente. Achei que ia ser fácil por que sou tão jovem, mas... Nem isto consigo tirar. E desculpo-me contigo como se falasse com ele... Como se ele estivesse aqui para ver... Desculpa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ouve-me, <em>Hayley</em>. Todos nós temos os nossos demónios. Não é por tirares o colar que te vais sentir livre. O único medo que tens é que, se te envolveres com o Javier, fiques com remorsos como se... Se <em>o</em> tivesses a trair... Não estás. Tenho a certeza que <em>ele</em>... Iria aprovar. Aprovar que fosses feliz.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Levantou-se e abraçou Alison, entre desculpas e agradecimentos. Hayley sorriu-lhe, depois voltou-se, dirigindo-se à casa-de-banho. Quando ouviu a porta fechar, Alison pegou na moldura, deitada em cima da cama. Ao virá-la, e vendo a bonita fotografia do antigo casal, arrepiou-se. Revendo a sua cara.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Segunda-feira e um reboliço no último piso da enorme biblioteca da universidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Observava-a, como se fosse a primeira vez. Folheava o livro, rasgava algumas folhas, escrevia noutras, sublinhava, olhava pela janela, entrelaçava o dedo nos cabelos louros.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;">*** </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 452px; height: 255px;" src="https://secure.static.tumblr.com/bc310e4c0d5ee6385bb42e7a665d3445/oo2bkll/sGOntmvm1/tumblr_static_tumblr_static__640.jpg" alt="Resultado de imagem para alex pettyfer smile gif" /></p>
<p style="text-align: justify;">Liam tinha a cabeça a mil. Alison era linda, louca, cheia de perfeitas imperfeições. Não parava de questionar o que iria dentro da sua mente misteriosa e mágica. Não queria dispensá-la, forçá-la, desorientá-la, mas o que sentia dentro do seu peito deixava-o fora de controle. Era uma atração quase inexplicável. </p>
<p style="text-align: justify;">Também ele tinha de estudar, mas Alison era a sua pior distração. A concentração era uma coisa extraordinária. Inexistente para Liam, desde que Alison entrou. Chegou à biblioteca pelas dez horas da manhã, cumprimentou os dois amigos com um curto "<em>bom dia, rapazes</em>" e depois sentou-se, começando o estudo, isoladamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Liam não conseguia tirar os olhos dela. Estava a enlouquecer. Alison era a sua ruína. A sua musa. O mais perto do paraíso que algum dia ia chegar. Sentia que era o seu começo e o seu fim. De certa forma, o seu tudo ou nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela não o olhou. Provavelmente nem se apercebeu, tal modo era a atenção no estudo. Aquela ansiedade de querer saber se se encontrava bem era o pior. Queria arriscar, mostrar o seu coração, novamente. Sem partilhar estes sentimentos com Javier, que ainda passou pelas brasas, descansando as vistas, assim como outros estudantes, levantou-se, num único impulso, e dirigiu-se à secretária onde a loira se encontrava. </p>
<p><strong>- <em>Payaso</em>! Estava <em>hablando</em> contigo!</strong> - Javier disse, meio ensonado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá... Miúda</strong> - Ele cumprimentou. Sentou-se, na cadeira da frente, quando a loira lhe fez sinal. Passou-lhe uma tablete de chocolate e até os olhos se riram.<strong> - Hora da pausa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Assentiu, abrindo o chocolate. Dividiu com Liam. <strong>- Como vai Desporto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está a ir</strong> - Disse, não convencendo a rapariga.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pela tua dedicação e... </strong>- Insistiu. Reduziu o tom, colocando a mão à frente, não querendo que ouvisse. <strong>- Forma física -</strong> Voltou ao tom normal, quando Liam arqueou a sobrancelha.<strong> - Mas mais pela tua dedicação, claro... Vais arrasar!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam esboçou um sorriso e viu Alison esconder o seu com as mãos, envergonhada. Era engraçado, não queria que ouvisse, mas queria dizê-lo. E ele percebeu isso, porém, deixou-a à vontade. <strong>- O Javier diz que só me falta fazer uma tatuagem.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Nós podí...</strong> - Suspendeu, e refez a frase, mais consciente e acertada. <strong>- Tu podias fazer uma.</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Uma Alison divertida, que não é muito habitual, MAS, como este é o fim de semana do aniversário da <a href="http://twilight_pr.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Twi</a>, uma leitora que me acompanha à muito tempo e que eu gosto <em>muitão</em>, até a Alison abriu exceção. Muitos, muitos parabéns! Um ano maravilhoso te espera 😍🎂</p>
<p style="text-align: right;">O meu agradecimento também a quem por aqui passa, lê, comenta, deixa o seu "<em>favorito</em>" e acompanha a história 🤗 Vejo-vos no próximo capítulo.</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:531502017-06-25T11:00:00Capítulo 12 - "Forget Me Not"2017-06-22T14:34:23Z2017-06-22T14:34:23Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 12 - Forget Me Not</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; width: 503px; height: 214px;" src="https://66.media.tumblr.com/99f98902dc18a04d40381ac25e52e872/tumblr_np17vqFiPp1u8dfaeo1_500.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Dezembro não começou gelado.</p>
<p style="text-align: justify;">O ambiente, na residência de estudantes, onde se realizava mais uma festa de Javier, estava cómico. Liam, junto à mesa de bilhar, de cigarro na boca, rodeado de diversos colegas, mostrava-se mais interessado em observar cada movimento de Alison. Ele não conseguia tirar os olhos dela. Novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob o céu dos amantes, aproximou-se de Alison, que já apressava o passo debaixo da luz das estrelas em direção aos táxis. Fê-la parar e conversa de circunstância surgiu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É isto que tu e o teu amigo Javier chamam de "<em>pequena festa</em>"?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele riu e explicou:<strong> - Bastou um convite no <em>Facebook</em> para mais de metade do <em>campus</em> aparecer...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, eu vim cá, o Javier já me viu, bebi uma cerveja e agora vou para casa</strong> - Admitiu, cumprindo a <em>missão</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vá lá, miúda! É sábado.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Diz isso ao exame da próxima terça-feira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vais arrasar com ele...</strong> - Liam estava bem disposto. Havia um sentimento que lhe parecia acertado... Mágico. Como se ele fosse roubar-lhe o coração naquela noite. Era óbvio que queria estar com ela. Até quando? Até o sol nascer. Incentivou-a a ficar, mais uma vez: <strong>- Quantas noites como esta vês nesta época do ano?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Deves mesmo gostar de mim</strong> - Saiu-lhe o pensamento pela boca, tentando resistir, enquanto Liam encolhia os ombros, sem querer dar-lhe uma resposta. No fundo, não queria esconder-se mais. Não queria lutar contra a luz da lua. <strong>- Não é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na escuridão, entrelaçou o braço com o de Liam, que soltou um pequeno riso, sincero, percebendo que acabara de entregar o seu coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim que entraram no amplo espaço, depararam-se com o final de mais uma discussão entre Eric, que não fora convidado, e Javier, o anfitrião. Desta vez, Liam não interviu, Hayley estava junto dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que está mesmo a acontecer entre o Javier e o Eric? Acho que todos temos essa pergunta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> - O problema não é entre o Javier e o Eric</strong> - Liam bufou, tentando resumir toda a história passada: <strong>- Eric, Wendy, Izzie... Tudo começou aí, tu sabes, miúda... Quando a Wendy engravidou... Os problemas começaram, se é que me entendes. Ela sofreu muito, mas o Eric também. Ninguém pode esquecer-se que ela engravidou de outro rapaz... Enquanto namorava com o Eric... Mas ele, por raiva ou dor, foi para a cama com a Izzie... Uns dois meses depois tudo estava normal... Normal! Até iam ao cinema os três...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Que triângulo...</strong> </p>
<p style="text-align: justify;">Liam assentiu, concordando. <strong>- O Eric não suporta estar sozinho... Mas ainda não percebeu que foram as atitudes dele que o deixaram assim... Acredito que, no fundo, ele tem inveja da minha relação com o Javier... Afastarmo-nos foi o melhor... Pelo andar que a carruagem levava, eu ia acabar por dormir com a Izzie, ou com a Wendy, ou com o Javier...</strong> - Alison não conteve uma gargalhada, tentando escondê-la com ambas as mãos. <strong>- É verdade! Não imaginas as coisas que ouvi.</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">*** </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://38.media.tumblr.com/1d1fa169b2a5f88952fac984f19803f7/tumblr_mjkfruInWs1qce5jbo1_500.gif" alt="image" /></p>
<p style="text-align: justify;">Já de copo de plástico na mão, encostada a um pilar, a loira ficou em silêncio, colocando as ideias em ordem. Claro que isso chamou a atenção de Liam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que foi? E não digas nada, Alison...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Alguma vez foste amigo dele? Do Eric?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu fui amigo até ele fazer piadas sobre... Bebida</strong> - E retirou-lhe o copo da mão cuidadosamente, ainda decidindo quem deixou de ser amigo primeiro, continuou a enumerar:<strong> - Acidentes de carro. Tipo... Sempre. Em qualquer e todo lugar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não precisas de dizer mais nada.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A questão aqui é: Demos-lhe espaço... As separações são uma ótima altura para pensar... Nas prioridades... No que nós queremos. Talvez até para nos conhecermos melhor...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Afastou-se da rapariga, mas sabia que ela o continuava a olhar. Alison nunca foi daquelas raparigas envergonhadas, mas naquele momento, tentava perceber se aquilo também se aplicava à separação própria. Se a disjunção deles também serviu para Liam repensar. </p>
<p style="text-align: justify;">Colocou os pensamentos de lado e quando ouviu uma nova música, arriscou, aproximando-se de Liam: <strong>- Vá lá, Liam! Dança comigo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, não, não, não...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, sim, sim, sim...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Miúda...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quantas noites como esta vês nesta época do ano?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele soltou um riso e agarrou na mão da rapariga. Uma dança individual, que todos sabiam a coreografia, seguindo-se uma estilo livre. Liam sentiu uma brisa suave, tecendo um feitiço sobre o seu coração e quando deu por si, as suas mãos acariciavam a cintura de Alison, tal como nos velhos tempos. Ela sorria, cantava e entrelaçava os dedos no seu cabelo. Parecia mesmo feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Afastaram-se, de mãos dadas, procurando um sítio mais calmo para conversar. Abriram a porta da cozinha, mas rapidamente Alison a fechou. A fração de segundos foi suficiente para ambos compreenderem que Hayley e Javier curtiam junto à bancada. Javier murmurou algo, em espanhol, indecifrável.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Oh! Meus Deus</strong> - Exclamou, enquanto puxava a porta, apressadamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Quase no exterior, desataram os dois a rir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não percebeste o que ele disse, pois não?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não</strong> - Ela respondeu, rindo ainda mais.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"> ***</p>
<p><img style="width: 551px; height: 184px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://66.media.tumblr.com/09b4633d9acb641593a3719933b59ea5/tumblr_nx3udr9SJM1t4osjeo7_1280.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">No exterior, as ruas estavam cheias de silêncio. Liam insistiu levar Alison a <em>Little Italy</em>, com a desculpa de trocar ideias do que poderia estar a acontecer naquela cozinha, visto ser o primeiro encontro dos dois. Oficialmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vi-te à bocado com um cigarro... </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não o acendi.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Vais dar uma de <em>Augustus Waters</em> e filosofar sobre não dar o poder ao cigarro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Talvez</strong> - Ele riu, meio nervoso, recordando a célebre frase de <em>The Fault In Our Stars</em>. <strong>- Eu gosto dessa metáfora. E do filme.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu prefiro o livro.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu sou um desportista, miúda, e há coisas que tenho mesmo de colocar de lado -</strong> Explicou. Desligou o rádio quando o aparelho tocou uma música romântica. Da Adele, achou. Logo da Adele. Desviou o olhar. Parecia que foi há uma eternidade a última vez que estiveram tão pacíficos. <strong>- Andas a contradizer-te toda, miúda</strong> - Passou de um paradoxo a antítese, referindo-se à obra literária, mas pensando na forma como ele e Alison se encontravam. Desde que lhe enviou aquela mensagem, Liam sentia-se inseguro, tão depressa ela se aproxima como se afasta dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Parece que tens esse efeito sobre mim</strong> - Deixou escapar, saindo do veículo. Liam também saiu.</p>
<p style="text-align: justify;">A noite estava escura, silenciosa e melancólica. Encontravam-se tão próximos como lábios que vão beijar, impenetráveis à curiosidade das estrelas. Épico. O sentimento agora, sem ninguém ao redor, parecia mais acertado. Parecia chegar mais perto do coração. Liam acreditava fielmente em segundas oportunidades. Não existia escapatória ao amor. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É melhor entrares</strong> - Ele quebrou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Rapidamente os seus pensamentos entraram em conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">1. Por que já não estamos juntos, e provavelmente não estás apaixonada por mim, mas cada canção de amor que passa na rádio, tal como ainda agora aconteceu, faz-me lembrar de ti, de nós, não importa o tempo que passou.</p>
<p style="text-align: justify;">2. Por que tenho saudades tuas.</p>
<p style="text-align: justify;">3. Por que ainda deixo espaço para ti na minha cama.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ele apenas respondeu: <strong>- Está a ficar frio, miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não ia para casa, se fosse tu</strong> - Ela meio sugeriu e soltaram um riso. <strong>- E tens de parar de me chamar miúda.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por quê?</strong> - 1. És a minha miúda., pensamento único e isolado. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Fazes-me um favor?</strong> - Ela perguntou, por último, metendo a chave na porta.</p>
<p style="text-align: justify;">A simples questão, acelerou o coração de Liam. <strong>- O quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- De vez em quando, tu sabes, quando não tiveres melhor que fazer, te lembres um pouco de mim.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E mal ela sabia que, desde que soube que frequentava aquela faculdade, Liam não pensava noutra coisa.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Este capítulo ficou maior do que o habitual, portanto, acho que têm mais para comentar do que o habitual! O que acharam do capítulo? 😁</p>
<p style="text-align: right;"><strong>NOTA:</strong> Um agradecimento final aos nossos bombeiros que combatem não só, mas principalmente, em Pedrógão Grande e noutras localidades. Obrigado, obrigado!</p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p style="text-align: right;"> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:529652017-06-18T11:00:00Capítulo 11 - "The Next Move Is Yours"2017-06-16T18:31:24Z2017-06-16T18:31:24Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 11 - The Next Move Is Yours</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media3.giphy.com/media/QKyMYxRtYzXlS/giphy.gif" alt=" nina dobrev nina dobrev GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, como vão as coisas com nosso <em>Don Juan</em>?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele declarou-se. Ela assustou-se. Ele insistiu. Ela teve dúvidas. Ele deu-lhe espaço. Ela enviou-lhe uma mensagem de voz. Ele correu para ela. Ela estava distraída.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E ele?</strong> - Hayley perguntou com curiosidade, colocando o prato com três <em>croissants</em> no balcão. Era mais uma manhã de sábado em que a morena trabalhava na pastelaria. Mais interessante, agora que Javier lhe fez um resumo pormenorizado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele passou-lhe a bola para as mãos. É com ela, agora...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não é possível... Notar alguma tristeza nas palavras de... Javier Rodriguez.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier soltou um curto riso e depois bufou.<strong> - Não é tristeza Hayley...</strong> - Começou por dizer, agarrando no prato. <strong>- Estou viciado nesta história. Qualquer pessoa que veja, de fora, vai achá-la aborrecida. Mas é tudo menos isso. Ela conquistou-me. A química, a picardia...</strong> - Abanou os ombros, querendo dizer quase tudo. O que faltou dizer, demonstrava o seu coração. Esta história fez o seu maior.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando regressou à mesa, onde já se encontravam as bebidas, os dois irmãos discutiam. Dave estava no <em>campus</em> durante o fim-de-semana. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não tenho medo, Dave! Achei que tudo aquilo tivesse acabado... Estava errado. Percebi isso no momento que a vi na faculdade. Sempre senti que posso confiar nela. E é isso que quero. Alguém em quem eu possa confiar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que é bom... Vocês falarem...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sinceramente, estou cansado. Estou profundamente apaixonado por ela e acho que ela também está... Eu sei que a luta pelo seu passado é diferente da minha, mas, sei lá... Eu quero arriscar... mas parece que ela não quer...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Já paraste para pensar que talvez seja melhor assim?</strong> - Dave deixou a questão no ar.</p>
<p style="text-align: justify;">E um breve silêncio se instaurou, até o telemóvel de Dave começar a tocar. Levantou-se e foi atender lá fora. Entretanto, é Alison que entra na pastelaria, carregando dois livros e um fino caderno. Uma típica estudante universitária. Pagou um café duplo e, voltando, reconheceu os dois colegas, aproximou-se e sentou-se no único lugar vago. </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media2.giphy.com/media/phnI6reyikgLu/giphy.gif" alt=" diego boneta GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- <em>Belleza</em>!</strong> - Cumprimentou Javier, chegando a sua cadeira para junto da de Alison e colocando o seu braço à volta da respetiva. <strong>- Por mais que adore a tua presença, neste lugar estava o Dave.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Deixa estar, Javier, ela adora sentar-se no lugar dos outros</strong> - Liam saiu-se logo com esta, espicaçando.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela olhou Liam, que esboçou um pequeno sorriso, e depois questionou, já com segundas intenções: <strong>- Achas que ainda há espaço para mais uma pessoa na tua festa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Depende...</strong> - Javier colocou a sua posição, desconfiado. Afinal, era muito em cima da hora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sou eu!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- AH!</strong> - Ele exclamou, trocando olhares com Liam e depois soltou uma enorme gargalhada, incapacitando-o de dar uma resposta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que ele quer dizer é "<em>sim</em>"</strong> - Liam ajudou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- E o que dizes tu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi a vez de Javier responder na vez do amigo. <strong>- Ele diz "<em>CLARO que sim</em>"</strong> - Que lhe valeu uma pesada pisadela, discreta, seja lá como for isso, debaixo da mesa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que ele quer dizer... O que eu quero dizer</strong> - Corrigiu-se, não querendo fazer uma triste figura. Porém, era complicado acertar nas palavras, quando a rapariga não parava de fitá-lo, meramente com seus olhos.<strong> - É que as festas do Javier não são a mesma coisa sem ti.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier, ainda olhando para a loira, notou as suas bochechas rosadas. <em>Ela corou!</em>, pensou, festejando na sua cabeça.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Então, o Dave está por cá?</strong> - Questionou Alison, meia envergonhada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Sim, veio fazer uma visita... Confirmar se ainda estou vivo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Esta é a minha deixa. Até sábado!</strong> - Anunciou, levantando-se, quando viu Dave já dentro do estabelecimento. <strong>- Olá Dave!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá, borracho!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Adeus rapazes!</strong> - Voltou a despedir-se. Colocou a mala ao ombro, pegou no café e nos livros. Liam auxiliou-lhe um, pelo que escondeu um sorriso, e como não poderia deixar de ser: <strong>- Liam.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Alison.</strong></p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://68.media.tumblr.com/2057635eaf2a2f58be957a78f30c8545/tumblr_nx3udr9SJM1t4osjeo9_540.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Dave pousou a carteira em cima da mesa e apercebeu-se que o irmão continuava a olhar fixamente para a porta, como se Alison voltasse atrás para o guarda-chuva apanhar. Olhou-o quando se apercebeu que o irmão o olhava. Permaneceram sérios, e Liam voltou-se, sempre com os seus pensamentos. Ou Alison neles. Os pensamentos são um vício, para todos nós. E não mudamos nada, sem mudar os pensamentos. Era mesmo isso. O "<em>ela não quer arriscar</em>", não o levava a desistir. E enquanto Alison estiver nos seus pensamentos, vai ser sempre assim.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><em>Quando as palavras faltarem... Diz-lhe que te lembras dela. Parada, em frente ao teu carro, com um vestido bonito, encarando o pôr-do-sol. Lábios vermelhos, a combinar com o vestido, bochechas rosadas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Lembra-te. Ela disse "ninguém tem de saber o que fazemos" quando as mãos de Liam lhe passavam pelo cabelo. As roupas espalhadas pelo quarto. A voz dele continuava familiar. As memórias reavivaram, dando razão à rapariga. Continuam a segui-lo, mesmo quando a deixou. Voltaste a vê-la em sonhos. Sonhos loucos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Honestamente, não era apenas o Javier envolvido no romance. Eu também o estava. Ainda hoje não encontro descrição possível para este acontecimento. Ele nunca percebeu o quanto estava a perder. As lições acumulam-se, já dizia o meu antigo professor. Um toque pode ser tão significativo, uma expressão eloquente e, que um beijo pode, literalmente, tirar o fôlego.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No fundo do seu coração, ela não tinha a certeza que merecia ser feliz, nem acreditava que fosse suficiente para alguém que parecesse... Normal. De igual modo, não soube quando aconteceu. Ou quando começou. Tudo o que sabia era que naquele momento, o seu peito explodia e só podia rezar para que Liam ainda sentisse o mesmo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ele lembra-se dela. Lembra-se do último beijo. Do pôr-do-sol. Do vestido vermelho. Dos lábios sedosos. Do carro. Das roulottes. Dos risos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Oh, os risos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Dave!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O quê?</strong> - Fechou o caderno de uma só vez, encarando os dois.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estavas a dormir?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O Javi aqui a falar e tu sem prestar atenção</strong> - Liam começou por dizer, mas Dave continuava distante. Pousou a caneta e fechou o caderno. O secretismo, a picardia e o romance... Estavam de volta... Para apimentar mais as coisas. Isto estava a ficar cada vez melhor. A curiosidade falou: <strong>- O que escreves?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E Dave respondeu:<strong> - Nada... Tudo... Quem sabe?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Javier continuou na sua conversa sobre futebol e sempre muito animado, com Liam ao lado. Afinal, as manhãs de sábado podiam ser divertidas. Basta ter o amigo certo ao lado. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O teu pai ainda trabalha na loja de conveniência</strong>? - A pergunta veio de Dave.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Claro!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que está na hora de mudar o óleo do carro dele. Já lá fui duas vezes, e nunca o apanho. Achas que podes dar-lhe uma palavra por mim, Javier?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> Com a mesma energia lhe respondeu o espanhol: <strong>- Claro!</strong></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Quem já contava com a visita de Dave? Gostaram? E do capítulo, o que dizem? Estou curiosa!</p>
<p style="text-align: right;">Um feliz, feliz Domingo para todos/as 😎</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:525682017-06-11T11:00:00Capítulo 10 - "Love Me or Leave Me"2017-06-09T21:59:37Z2017-06-09T21:59:37Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 10 - Love Me or Leave Me</em></p>
<p> </p>
<p><img style="width: 451px; height: 271px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://66.media.tumblr.com/addcde36eaff0d2ff1c2335e0dfe9f20/tumblr_o2vu5r4jR01qczq1po6_1280.jpg" alt="" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Saiu do clube batiam as três horas. Estava escuro, mais do que o habitual. Dois dos candeeiros que habitualmente iluminavam o parque de estacionamento encontravam-se avariados. Aconchegou o lenço ao peito enquanto apressava o passo. Depois parou, vendo um vulto encostado ao seu carro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Olá, miúda!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Liam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Notou pela entoação que a assustara, pelo que se aproximou da jovem. <strong>- Desculpa, não, não queria...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, tudo bem</strong> - Descansou, interrompendo-o. Sentia-se apreensiva. Não sabia ao certo se ele ouvira a mensagem que lhe deixou, pela qual mostrava 50% de arrependimento e incerteza que fora o mais correto. Tentou agir normalmente.<strong> - Que fazes aqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Pensei que podíamos ir comer a qualquer sítio</strong> - Começou por dizer, quase maquinalmente, vendo a expressão da rapariga, franzindo a testa. Mas Liam não tinha feito a viagem até ao clube para levar com outro <em>não</em>. <strong>- E antes que queiras dizer "<em>não posso</em>"... Pensa que... Não o fazemos à muito tempo. Tu sabes... Passar pelas Rolloutes.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Achei que tinhas esquecido</strong> - Assentiu, entrando no carro. Aquilo só quereria dizer "<em>sim</em>". O rapaz, sem querer mostrar um sorriso, também se apressou a entrar no seu veículo e arrancar de imediato. </p>
<p style="text-align: justify;">Sentaram-se no lugar habitual, o do fundo, e Alison só questionava, enquanto fazia um defeituoso rabo-de-cavalo, para si, se ele tinha ouvido a mensagem. Desconcentrava-se quando o olhava. Estava mais atraente. Liam, de ementa na mão, passava a vista por todos os menus. Não que houvesse muitos, mas por que não sabia como encará-la. O silêncio nunca foi tão constrangedor. </p>
<p style="text-align: justify;">Mas Alison sempre o fez parecer acolhedor: <strong>- Eu também gostava de ver.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não te 'tou a tapar a vista</strong> - Ripostou, logo de seguida, forçando-a a aproximar-se. Mais próxima, tentou alcançar a ementa. Liam fitou-a, afastando o livro que fez com que Alison se chegasse mais um pouco. Entendendo tudo, esboçou um pequeno sorriso. Ele, sério, continuava a admirar a sua alegria. Parecia água fresca. Retirou-lhe e fingiu, também ela, ver. Nenhum dos dois precisava de ementa, a sua escolha esteve sempre feita. Dois hambúrgueres, uma água e uma coca-Cola.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: center;"> <img src="http://data.whicdn.com/images/281282282/large.jpg" alt="alex pettyfer, david, and jade image" /></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é que sabias que ia dizer "<em>não posso</em>"?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É o que dizes... Ultimamente</strong> - Proferiu estas palavras num tom baixo, quase melancólico. Alison também se encontrava pensativa, mas Liam não a queria assim. <strong>- Até disseste <em>não</em> à festa do Javier... Ele ficou sentido.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não lhe disse que não queria...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tens de perdoá-lo, mas ele é um latino que sabe ler nas entrelinhas...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estão a confundir tudo</strong> - Fez uma pausa, quando o empregado trouxe os pedidos. Despiu o casaco, deixando estar o seu top azulado. Depois continuou, como arrastando as palavras.<strong> - Eu disse que não podia ir. Tenho imenso para estudar... Para além do mais... É só mais uma festa.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu não consigo estudar</strong> - Soltou um breve riso, desabafando, o qual a loira não o acompanhou. Ficou a observá-lo, em silêncio, enquanto comia o seu hambúrguer. Com aqueles olhares, pediu:<strong> - Pára de olhar para mim.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não consigo</strong> - Respondeu de imediato e Liam voltou a soltar um riso. Era previsível que estivesse nervoso. <strong>- O que é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É apenas</strong> - Respirou fundo e olhou-a, de volta.<strong> - Eu costumava olhar-te assim. E responder-te assim.</strong> - Alison colocou os olhos no chão, envergonhada com toda a situação, até que sentiu as suas mãos acariciadas pelas de Liam. Os seus batimentos cardíacos aceleraram com o veredito: Ele tinha ouvido a mensagem. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Queres acrescentar alguma coisa... Para mostrar maturidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Achei que não tinhas ouvido</strong> - Respondeu, receosa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu ligaste... Acho que querias que ouvisse</strong> - Fitou a <em>miúda, </em>respondendo de igual maneira que na semana passada, que tentou esconder uma pequena risada.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p> <img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://data.whicdn.com/images/281279637/large.gif" alt="alex pettyfer, david, and gif image" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não percebo por que continuas a insistir... Sou uma pessoa tão com...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ele interrompeu, elevando um pouco o tom de voz.<strong> - Complicada! Eu sei! E depois?</strong> - Encontrava-se mais nervoso, agora que sentia que iam descomplicar a situação e talvez, resolver.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estou a tentar ser realista contigo, Liam... Passei por coisas, no passado, que ainda me assustam. Pessoas morrem... Ao contrário do que dizem, a relação que temos com elas, não. Continua a evoluir e a mudar-te. Continua a mudar-me. E quando tu perdes alguém que te era próximo, passas por um processo de reintegração no mundo. É como arrancar um pedaço de ti. Eu não sei onde pertenço. Onde a Alison pertence. E isso é complicado... O curto tempo que estive contigo fez-me perceber que... Não mereces alguém assim. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Por quê?</strong><strong> Achas que me assusto por teres pesadelos? Eu sei que tens pesadelos!</strong> - Ela passou as mãos na cara e ele aproximou-se, agarrando-as. Tentava compreendê-la, mais uma vez. E como se, por milagre, conseguiu ler os seus pensamentos e dúvidas. Também os teve. <strong>- Eu sei, eu sei... Eu também achei isso. Achei que não queria estar contigo, que não devia, que não podia... Eu sei que há muita coisa sobre ti, sobre o teu mundo, Alison, que eu não conheço, mas sou paciente. E quando quiseres contar, se quiseres contar, eu estarei aqui. Esta história é apenas o começo... Tu sobreviveste por uma razão!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Liam...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tu lutaste por mim, o ano passado. Eu sei que muita gente desistiu de ti. A certa altura, até o teu irmão desistiu. Eu não estou pronto para isso. Não vou desistir de ti.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Voltou a vergar os olhos na mesa e apercebeu-se que ainda não tinha sequer tocado no seu hambúrguer. Comeu, já sem vontade. Liam olhava ao relógio impacientemente, como se tivesse outro sítio onde estar e assim que a loira terminou a refeição, pagaram a conta e dirigiram-se aos carros, em silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Estava lua cheia.</p>
<p style="text-align: justify;">Liam sentia-se desanimado, dentro do carro já, mas ainda com esperança. A fase da lua era a favorita de Alison, que várias vezes lhe falara sobre as coisas misteriosas que aconteciam e desejos se realizavam.</p>
<p style="text-align: justify;">Alison voltou-se.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- O que quero acrescentar é isto: Lembro-me de te ver, variadas manhãs, a vestires-te, depois de passares a noite comigo. De ouvir o teu carro a chegar. É o teu cheiro nas minhas roupas. É o toque das tuas mãos a percorrerem o meu corpo e fixadas na cintura, enquanto dançamos. O teu beijo</strong> - Não conseguiu terminar. Finalizou a sua explicação, da maneira mais profunda que o seu coração encontrou: <strong>- Não me lembro de me apaixonar por ti. Só me lembro de agarrar na tua mão e perceber o quanto ia doer quando soubesses a verdade e tivesse de te deixar ir. Quanto mais o Chad me tenta afastar de ti... Mais eu quero estar contigo. E quando eu desisto... Acontecimentos como... A faculdade, o comboio... A vida encarrega-se de nos voltar a aproximar. E eu sei que não é o final do mundo e que provavelmente já nem estamos em sintonia, mas, continuo a pensar nas memórias que criámos, que enquanto estiver contigo, aqui, aí, ali, em qualquer sítio, com um nós... Eu sei que tenho uma chance.</strong></p>
<p>Talvez o dele tenha acabado de realizar-se.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;">Terminei este capítulo com lágrimas nos olhos. Fui a única?</p>
<p style="text-align: right;">Muito obrigado pelo apoio 🙏</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:towerofwriting:523892017-06-07T16:00:00Capítulo 9 - "The He in the She"2017-06-05T21:13:37Z2017-06-05T21:13:37Z<p style="text-align: center;"><em>Capítulo 9 - The He in the She</em></p>
<p> </p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://media.tumblr.com/tumblr_m472wgqODA1rne603.gif" alt="Resultado de imagem para nina dobrev smile gifs" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã de Sábado, Liam apanhou Javier na esquadra, já libertado e com a problemática resolvida, passava pouco das nove horas. A caminho de casa, no carro, não houveram muitas conversas. Estavam ambos cansados e a precisar de uma boa noite-manhã de sono. Deitaram-se, mas por volta das onze horas já estavam a pé.</p>
<p style="text-align: justify;">O Domingo foi idêntico. Um pequeno almoço tardio e uma cena de <em>Game Of Thrones</em>, foi a brecha para Liam puxar a atenção de Javier, com o assunto que não o fizera dormir: <strong>- Anteontem fui a <em>Little Italy</em>... Ter com a Alison.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Passaste lá a noite?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Instantâneo foi também o revirar de olhos de Liam. <strong>- Não! Por que levas as coisas sempre para esse lado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não levei coisa nenhuma, não sou como tu</strong> - Afirmou, na brincadeira. Liam arqueou a sobrancelha, não acreditando. E Javier, incomodado com aqueles olhares, explicou-se, tentando ficar sério: <strong>- Como têm muita coisa para resolver... Podias ter lá ficado... A resolver... Derrubando paredes com a verdade... Conversando.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ar de gozo do espanhol fez Liam pegar em vários objetos, atirando ao amigo. Almofadas, comando da televisão, pisa papéis, uma vela, tudo o que vinha à mão era suficiente para iniciar uma guerra. Javier e o seu riso incontrolado, fugiram para o quarto.</p>
<p style="text-align: justify;">Minutos depois, Liam apareceu-lhe à porta. <strong>- Ei, veste qualquer coisa... É para ti.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Enfiou a primeira t-shirt que lhe viera à mão e rapidamente chegou à sala. Presenteando o sorriso de Hayley.<strong> - Como estás, vizinho?</strong> - Cumprimentou a jovem, ainda à porta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Bom, depois da intensa noite de ontem, começo a capacitar-me que não vou entrar numa fraternidade</strong> - Admitiu, um pouco desanimado. Por pouco tempo, pois, mal vendo o prato cheio de biscoitos, que Hayley trouxera, ficou muito, muito entusiasmado. Agarrou num, metendo-o logo na boca, enquanto se sentava no sofá. Hayley sentou-se também.<strong> - São para mim, certo?</strong> - Perguntou, enquanto mastigava.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Espera</strong> - Disse, retirando-lhe o prato. Ainda interessada pelo primeiro tema: <strong>- Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não me lembro onde deixei a candidatura, provavelmente caiu com aquela confusão toda. Devia tê-la dado logo ao Liam...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Tens a certeza que caiu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Só pode! Eu sabia que algo ia acontecer... Sempre odiei festas não organizadas por mim - </strong>Bufou. </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong></p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media1.giphy.com/media/KCiyfYIyn9V0Q/giphy.gif" alt=" diego boneta GIF" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Acho que não está nada perdido. Eu entreguei a tua candidatura à mão do presidente. Bom, foi mais a Alison... -</strong> Javier ficou calado, surpreendido. Mais do que já estava com a sua visita. Ela olhava-o de uma maneira penetrante, sincera e meio mandona. Imitou-o:<strong> - Para além disso, vim cá também para te dizer que tens de compensar-me.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Eu? Por quê?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Foste preso no nosso primeiro encontro</strong> - Ele ficou estupefacto com o que ouviu. <em>Mas aquilo era um encontro? Que loucura! Ia tão mal vestido!</em>, pensou, mesmo antes de Hayley terminar: - <strong>E quanto a isto</strong> - Voltou a passar-lhe o prato. <strong>- São para os dois. Para a despedida.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Não, querida, eu não me vou embora...</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Hayley revirou os olhos. Tudo tinha de ser sempre sobre o espanhol. Explicou, então, que ia dividir o apartamento e despesas com a Alison, em <em>Little Italy</em>. Era mais compensatório.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Está bem -</strong> Javier concordou, após troca de olhares com Liam.<strong> - Contudo, e como o nosso relacionamento está a avançar muito depressa... Espero que tragas, todos os fins-de-semana, um prato destes...</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Trago para os dois, claro!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Outra vez, HayHay? Ele não precisa. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Liam, que se tinha retirado para outra divisão, para praticar exercício físico, regressou do quarto assim que ouviu o nome "Alison". Sem querer dar nas vistas, pegou na garrafa de água e bebeu uns golos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Ele não precisa por que está a tentar ser o próximo <em>Schwarzenegger</em></strong> - Repetiu, mencionando a evolução do corpo do amigo, comendo mais outro biscoito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Cala-te, cabrão</strong> - Ripostou, atirando-se para cima do espanhol e retirando o biscoito da sua mão.</p>
<p style="text-align: justify;">O encontro naquela tarde de Domingo foi inesperado, mas bom. A presença de Hayley, fazia bem a Javier. Era notório que sentia algo por Hayley e queria deixá-los a sós. Para se conhecerem, digamos. Abandonou a residência, meio desculpando-se, para completar o seu exercício físico de fim-de-semana, fazendo uma corrida.</p>
<p style="text-align: justify;">Entrou em casa eram quase 19 horas, arfando e com a t-shirt suada. Hayley já não se encontrava lá, mas parecia que não tinha acontecido nada de mais entre os dois, visto a casa estar intacta.</p>
<p style="text-align: justify;">Dirigiu-se para a casa-de-banho e mesmo antes de abrir a torneira do duche, ouviu Javier gritar, informando:<strong> - O teu telemóvel tocou. Acho que deixaram mensagem de voz.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><strong>***</strong><img style="width: 496px; height: 211px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://68.media.tumblr.com/43fe9e4af2e000d2500a19b1f8db750d/tumblr_naktesGxrz1snmw3qo1_1280.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Olá, sou eu. Não sei como dizer-te isto... </em>(pausa)<em> Muito menos por telefone, mas... </em>(pausa)<em> Parece que não tenho coragem para mais... Portanto... Ainda bem que não atendeste, perdia a coragem só de ouvir a tua respiração </em>(riu-se, mas rapidamente continuou)<em>. Eu sei que não posso culpar-te por não tentares. Estou a afastar-te, novamente. Esta não é uma situação justa para ti. Também não posso culpar-te por pensares que não me conheces... Apenas... </em>(suspiro)<em> Quero que saibas que lamento... Depois de tudo o que eu sofri, só estava a tentar proteger-te, mas sei que me perdi pelo caminho. Contigo. Não quero cometer esse erro outra vez, nem magoar mais ninguém. É por isso que te nego. E sinto-me tão mal por isso. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Acho... Sinto que não sou suficiente para ti porque... Talvez não consiga dar-te tudo... </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bom, aqui estou eu, com todo o meu coração, rezando para que entendas... Eu sei que te dececionei... Mas tu, sem saberes de nada, deste-me tanta força... Dizes o que mais ninguém diz... Sabes chegar até mim... Sabes o que eu preciso... Preciso de ti.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Eu sei que estás com outra pessoa. E não estou a deixar-te mensagem para competir ou deixar-te mais confuso... Apenas... Para saberes o que significas para mim e... Eu sei que é uma loucura mas... Se quiseres arriscar apenas... Pega na minha mão.</em></p>
<p style="text-align: justify;">(pausa acompanhado de breve riso nervoso)</p>
<p style="text-align: justify;"><em>E dizer isto por telefone mostra muita maturidade, não é? </em></p>
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<p style="text-align: right;">Um capítulo a meio da semana para vos dar força! Gostaram?</p>
<p style="text-align: right;">Obrigado a todos/as e continuem a partilhar os vossos pensamentos de <em>I Can't Take My Eyes Off You</em> nos comentários 👋</p>
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<p>um beijinho,</p>
<p>Anna Williams.</p>